O Império do Contrabando

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Quando Boardwalk Empire fora anunciada como o novo drama da HBO, houve grande furor no mundo televisivo. O nome de Terrence Winter, uma das principais mente por trás de The Sopranos, já deixava a curiosidade aguçada. Foi o nome de Martin Scorsese, porém, que elevou a expectativa com relação ao drama de época que buscava jogar luz a um dos períodos mais obscuros da era moderna americana: a máfia e o contrabando durante a Lei Seca.

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     O verdadeiro “Nucky” e seu cravo vermelho na lapela.

Protagonizada por Steve Buscemi, Boardwalk Empire começa em 1920, quando o álcool passa a ser proibido nos Estados Unidos. A partir dessa proibição, Enoch “Nucky” Thompson vê uma grande oportunidade de lucro: se é ilegal, o preço para obter será maior. Pois Nucky passa a contrabandear bebidas e vender para bares, restaurantes e qualquer um que queira consumir ou revender álcool. É mais um negócio lucrativo para o criminoso. É claro que, depois de um tempo, Boardwalk Empire deixou de ser uma série sobre contrabando de bebidas alcoólicas para tratar de assuntos diversos. A vida criminosa dos gangsteres, porém, sempre foi uma constante na série.

Baseada no livro Boardwalk Empire: The Birth, High Times, and Corruption of Atlantic City, de Nelson Johnson, a série é o típico programa que começa tendo suas raízes fixas em um material (o livro, neste caso) e segue seu próprio rumo independente com o passar dos anos. Além disso, a série aposta na criação de novos personagens, exclusão de outros e fusão de dois ou mais personagens em um só. Margaret Shcroeder, a esposa de Nucky, por exemplo, é uma combinação de duas pessoas: a segunda esposa de Nucky, uma dançarina chamada Florence Osbeck, e Mary Ill, uma dona de casa que, com dificuldades, requisitou uma reunião com Enoch “Nucky” Johnson. Sim, Johnson, pois o verdadeiro Nucky não era Thompson, mas Johnson. Ainda que conte com uma diferença no nome, o personagem da série é bem fiel ao homem real. Guardadas devidas diferenças, Johnson, assim como Thompson, também perdeu a primeira esposa. O sujeito da vida real também nunca teve nenhum filho legítimo. Mais um detalhe interessante também é igual para os dois: assim como o Nucky da série, o Nucky do mundo real também usava um cravo vermelho (red carnation) na lapela, o que acabou se tornando uma marca do sujeito.

Outro personagem adaptado é Jimmy Darmody, interpretado por Michael Pitt nas temporadas inicias da série. Jimmy Darmody não existiu exatamente, mas sim um Jimmy Boyd, que trabalhou bem próximo de Nucky. Já Richard Harrow, um dos melhores personagens do show, é puramente ficcional. Em termos de Atlantic City, porém, a fidelidade é alta. Pouco se mudou com relação à cidade original da época. É claro que uma coisa e outra foi alterada seja por falta de maiores detalhes sobre a época seja por simples logística da direção de arte. O que importa é que, no fim, o famoso calçadão de Atlantic City é belíssimo com seus prédios que misturam madeira e cimento e suas luzes que iluminam a noite.

 

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O calçadão de “Boardwalk Empire”.

 

Tal fidelidade histórica agrada o autor do livro, Nelson Johnson. Para o escritor, os responsáveis pela série fizeram o melhor para respeitar os personagens reais e os fatos. E você, o que acha de Bordwalk Empire e suas adaptações?

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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