O Império do Streaming

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A evolução é inegável e não pode ser evitada. Ela pode demorar ou acontecer de formas que não se espera, mas ela sempre vem. Hoje, as séries norte-americanas fazem sucesso no Brasil, tendo público fiel e participativo neste universo. Há alguns anos, porém, as grandes emissoras e produtores não pensavam muito no mercado internacional, pois os programas eram veiculados principalmente nos Estados Unidos para, anos após, serem transmitidos em outros países. A realidade mudou: hoje é possível assistir um episódio inédito simultaneamente aos EUA, ou conferi-lo na semana seguinte. E mais: muito do que assistimos hoje está ao alcance de um clique.

O público internacional, portanto, começou a ter voz. A Netflix, por exemplo, espalhada em diversos territórios, pode mapear o que cada país tem interesse. É só passar os olhos pelos catálogos e perceber que cada país tem o seu próprio estilo, o seu próprio arquivo. Isso acaba ajudando os produtores a descobrir o que o público quer. Se o mercado brasileiro, por exemplo, demonstra interesse por Breaking Bad, seria uma boa ideia lançar os episódios de Better Call Saul no Brasil um dia após a exibição dos capítulos nos EUA.

Assim, a Netflix tem um poder nas mãos que canais como ABC e NBC não têm. A plataforma de streaming sabe o que o público gosta e quer e assim pode produzir ou investir na compra de materiais específicos. A HBO, de certo modo, também possui essa importante ferramenta em mãos. Além de ter espaço na televisão à cabo brasileira, ainda podemos ter acesso a HBO GO, a plataforma online que abriga tudo o que o canal produz e/ou transmite. Assim, a empresa sabe do que os brasileiros gostam e podem moldar sua programação. Pode parecer pouco, mas é um grande ponto a favor.

netflixTransmissor de conteúdo

A Netflix e a Amazon, por exemplo, são plataformas de streaming que ainda se dão bem por levar os produtos de outros canais ao público. Em outras palavras, estas plataformas transmitem os conteúdos e lucram com eles. Grey’s Anatomy, da ABC, Arrow, da CW, Breaking Bad, da AMC e Sherlock, da BBC, são algumas das séries de diferentes canais que podem ser encontradas na Netflix.

Assim, o streaming é um poderoso canal de conteúdo. Por ele passam diversos programas vindos de diferentes emissoras, levando os produtos a públicos variados. É uma ideia que agrada a todos: a ABC, só para citar um exemplo, ganha ao ter suas séries transmitidas em outros países e a Netflix ganha ao receber cada vez mais assinaturas e audiência.

Você pode questionar, e com razão, sobre os canais de televisão brasileiros e sobre a demora com que alguns produtos chegam às plataformas de streaming. Primeiro: é possível, realmente, assistir algumas séries na TV a cabo bem antes delas chegarem a Netflix. The Walking Dead, por exemplo, é transmitida no Brasil pela FOX com poucas horas de diferença com relação a AMC. Você também pode conferir diversos outros programas na Universal, no FX, SyFy, etc., mas nenhum destes canais vai permitir que você assista os episódios na hora que você desejar e do modo que quiser (dublado, legendado, HD, etc.). Alguns meses de atraso podem valer a pena.

Orange-Is-The-New-Black-Cast-Background-Season-2Produção de conteúdo

As plataformas de streaming conquistaram seu espaço com propriedade quando decidiram produzir seus próprios conteúdos. House of Cards, hoje em sua quarta temporada, foi o pontapé inicial em uma trajetória de sucesso. Quando anunciada, a série levantou algumas dúvidas; a indústria e a audiência não estavam acostumadas a este tipo de produção. Ninguém conhecia uma série dramática de respeito que fosse produzida pela e para a internet. David Fincher, Beau Willimon, Kevin Spacey e companhia, porém, provaram que é possível uma nova forma de produção de conteúdo.

De lá pra cara, a Netflix fez sucesso com Orange is the New Black, Daredevil, Jessica Jones e Sense8. É claro que nem tudo se transformou em sucesso inquestionável; Hemlock Grove e Marco Polo, por exemplo, não tem nem a mesma qualidade nem a mesma visibilidade de suas irmãs de plataforma. No ritmo da Netflix, não tardou para Amazon e Hulu, por exemplo, entrarem na festa.

E fique atento: você que glorifica a Netflix não está errado, mas precisa prestar atenção nas produções e nos estilo da Amazon. Hoje, a plataforma possui três dramas originais: Bosch, Hand of God e The Man in the High Castle. Esta última, alias, põe a Amazon lado a lado com a Netflix em questão de qualidade. Nas comédias, a Amazon possui seis produções; destas, duas fazem sucesso considerável de público e crítica: Transparent e Mozart in the Jungle. Além disso, o site ainda lançou recentemente o remake americano de Mad Dogs (vale assistir, diga-se) e a continuação de Ripper Street, excelente série criminal de época que fora cancelada pela BBC.

_72828461_lf_amazonstudios_theafterttE não para por aí: a Amazon reserva para o futuro uma série criada por Woody Allen, Sneaky Pete, produzida por Bryan Cranston e David Shore, e mais uma série sobre o personagem Jack Ryan. Além disso, a Amazon tem uma abordagem diferente daquela adotada pela Netflix, já que ela produz um piloto para avaliação popular. Se o episódio faz sucesso e tem boa aprovação, a série é oficializada. Assim, já tivemos e ainda teremos inúmeros pilotos surgindo na plataforma, todos podendo render séries no futuro. Vale apontar aqui os pilotos de Zombieland e The After, ambos reprovados. The After, aliás, era um projeto de Chris Carter, criador de Arquivo X, e o piloto é incrivelmente bom. O público não aprovou e o projeto foi enterrado.

E não nos esqueçamos da Hulu. Suas séries não são tão conhecidas e a plataforma costuma investir mais em comédias, como Casual e Deadbeat. O reconhecimento parece estar chegando agora, com a estreia de 11.22.63, minissérie produzida por J.J. Abrams baseada no romance de Stephen King. Hulu ainda merece reconhecimento por dar novas chances a The Thick of It, em 2012, e a The Mindy Project, em 2015.

Opções não faltam. É possível largar a TV e abraçar apenas as plataformas online. Os conteúdos são de qualidade e o preço é acessível. E parece que tudo só tende a melhorar: enquanto redijo este texto, tomo conhecimento da notícia de que a HBO pretende lançar a HBO Now no Brasil. Esta seria a plataforma online do canal voltada a todos aqueles que não assinam o canal a cabo. É, parece que o Império do Streaming cresce a cada minuto.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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