O início de iZombie

iZombie

 

iZombie tinha tudo para ser uma ótima surpresa. A trama é interessante e a abordagem bacana, o problema é que rapidamente o programa abraça o velho estilo procedural. Não que o formato seja ruim, mas iZombie, que promete subverter gêneros, poderia inovar no setor “investigativo”. O crime e a investigação desenvolvidos no piloto são básicos, de pouca emoção ou apelo. Além disso, a nova série da CW traz diversos conceitos interessantes que precisam ser apresentados ao espectador, mas que são deixados de lado – ou mal apresentados – para dar espaço a uma investigação boba e sem sal.

Quando o episódio foca na nova realidade da protagonista, sua estranha rotina e suas necessidades, por exemplo, as coisas melhoram. Os flashbacks são engraçados e funcionam. Além disso, iZombie se mostra visualmente interessante e se sai muito bem ao não negar as origens nos quadrinhos ao trazer cenas que se transformam em desenhos que remetem à HQ original. A narração em off também funciona e pode ser uma ferramenta importante em uma série tão cheia de conceitos e ideias mirabolantes como esta.

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iZombie colagem
Teu passado te condena: McIver como a Ranger Amarela em “Power Rangers – R.P.M.”, Tinker Bell em “OUAT” e a zumbi Liv em “iZombie”.

 

O elenco também é competente, principalmente a protagonista, Liv Moore, interpretada por Rose McIver, vista recentemente em Once Upon a Time e Masters of Sex. Sabendo segurar com firmeza a série (em um universo machista, onde os programas geralmente trazem homens como protagonistas), McIver parece se divertir no papel e não se leva muito a sério. Clive, o parceiro de investigações de Liv, também funciona, já que é mais um elemento outsider dentro de uma trama cheia deles. Além disso, iZombie é repleta de detalhes interessantes. A começar pelo nome da protagonista: Liv Moore. A escrita e a sonoridade do nome sugerem uma ironia interessante: Liv lembra a palavra em inglês live (viver) e Moore lembra more (mais). Assim, Liv Moore é quase live more, ou viver mais, que é o mote da trama: ao virar zumbi a jovem tem a chance de viver mais um pouco, em uma segunda chance.

O que tira o brilho do piloto (mas que melhora um pouco no segundo episódio) é realmente a trama envolvendo a investigação. Para começar, iZombie tem diversas ideias interessantes para serem desenvolvidas, não havendo a necessidade de dedicar tanto tempo aos “monstros semanais”, como uma procedural. Ao investir nos crimes e nas buscas por pistas e suspeitos, porém, iZombie poderia tentar inovar um pouco mais. Enquanto a originalidade está na protagonista, a subtrama policial acaba por se mostrar repetitiva e decepcionante. O segundo capítulo aponta uma mudança e nos revela: no meio de tudo, um pouco escondida, há uma boa série. Ela precisa aparecer rápido, do contrário, a audiência abandonará o barco rapidinho.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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