A nova minissérie da Netflix, “O Monstro de Florença” (Il Mostro ou The Monster of Florence), vem dominando o Top 1 global da plataforma e deixando o público intrigado com sua mistura de suspense, crimes reais e crítica social. Inspirada em um dos casos mais sombrios da história da Itália, a produção de Stefano Sollima (Suburra, ZeroZeroZero) e Leonardo Fasoli mergulha em uma sequência de assassinatos que chocou o país entre as décadas de 1960 e 1980 — e que até hoje permanece sem solução.
A seguir, conheça 7 segredos reais por trás da série que está tirando o sono dos assinantes da Netflix.
1. O “Monstro” aterrorizou Florença por quase 20 anos
Entre 1968 e 1985, um assassino — ou grupo de assassinos — matou oito casais em locais isolados nos arredores de Florença.
As vítimas eram geralmente jovens que estacionavam seus carros para namorar, e o criminoso atacava sempre da mesma forma: com uma pistola Beretta calibre .22 e balas Winchester “series H”, deixando um rastro de terror na Toscana.
Os crimes chamaram atenção não apenas pela brutalidade dos assassinatos, mas também pela mutilação de algumas vítimas femininas — o que deu ao caso contornos ainda mais macabros.
2. O primeiro ataque aconteceu diante de uma criança
O primeiro crime atribuído ao “Monstro de Florença” aconteceu em 21 de agosto de 1968, quando Barbara Locci (32 anos) e Antonio Lo Bianco (29) foram mortos dentro de um carro em Signa, uma pequena cidade próxima a Florença. O mais terrível? O filho de Barbara, de apenas seis anos, dormia no banco de trás. Ele sobreviveu e correu para pedir ajuda.
Esse caso, inicialmente tratado como um crime passional, só seria reaberto anos depois — quando a polícia percebeu semelhanças com novos assassinatos.

3. O assassino de O Monstro de Florença nunca foi encontrado
Apesar de dezenas de suspeitos, ninguém foi condenado por todos os 16 assassinatos. O principal elemento de ligação entre os crimes — a arma — nunca foi encontrada, e as investigações se tornaram um labirinto de falsas pistas, prisões injustas e teorias absurdas.
O fazendeiro Pietro Pacciani chegou a ser condenado em 1994, mas foi absolvido dois anos depois por falta de provas e morreu antes de um novo julgamento. Seus supostos cúmplices, Giancarlo Lotti e Mario Vanni, também foram presos, mas as confissões de Lotti foram posteriormente consideradas inconsistentes.
Até hoje, não existe prova forense que aponte um culpado único.
4. As investigações beiraram o absurdo
A polícia italiana foi duramente criticada pela condução do caso. Nos primeiros anos, os investigadores seguiram o que ficou conhecido como “Trilha da Sardenha”, uma teoria que acusava um grupo de homens sardos — amantes de Barbara Locci — de estarem por trás dos crimes.
Vários deles foram presos, incluindo Francesco Vinci e Salvatore Vinci, mas quando novos assassinatos ocorreram enquanto estavam detidos, ficou claro que a hipótese era um erro.
Essas prisões injustas e a pressão da mídia transformaram o caso em um símbolo de ineficiência policial e paranoia coletiva.
5. Teorias de seitas, satanismo e conspirações políticas
Ao longo das décadas, o caso do “Monstro de Florença” gerou centenas de teorias — algumas bizarras.
Alguns investigadores e jornalistas passaram a acreditar que os assassinatos faziam parte de rituais satânicos, sociedades secretas ou até mesmo de uma rede de poderosos que encomendavam os crimes.
Nenhuma dessas teorias foi comprovada.
Mas o clima de histeria e as especulações da imprensa acabaram distorcendo os fatos e transformando o caso em mito — exatamente o que a série da Netflix explora: o limite entre a verdade e a loucura coletiva.

6. Um promotor controverso conecta dois casos famosos
O nome de Giuliano Mignini, promotor envolvido na investigação do “Monstro de Florença”, voltou aos holofotes anos depois, no caso Amanda Knox, em 2007. Mignini ficou conhecido por suas teorias extravagantes — ele acreditava que o médico Francesco Narducci, encontrado morto em 1985, fazia parte de uma seita satânica ligada aos assassinatos.
Suas acusações contra supostos conspiradores (incluindo policiais e políticos) foram rejeitadas por falta de provas. Mais tarde, ele também seria criticado por alegar que Amanda Knox teria cometido um assassinato “por motivos demoníacos”.
Mignini chegou a ser condenado por abuso de autoridade, mas a sentença foi anulada anos depois.
7. A série O Monstro de Florença mostra os “possíveis monstros” — não um culpado
Na série da Netflix, os criadores optaram por não apontar um assassino específico. Cada episódio acompanha um dos principais suspeitos ao longo dos anos, mostrando como a investigação destruiu vidas e alimentou a paranoia nacional.
Segundo o diretor Stefano Sollima, o objetivo era retratar a Itália dos anos 60 a 80 como um espelho de seus próprios monstros — um país patriarcal, retrógrado e violento.
“A violência contra as mulheres ainda existe hoje. Ela apenas mudou de forma”, disse Sollima à TIME.
Com um olhar frio e perturbador, O Monstro de Florença não entrega respostas — mas revela como o medo, o machismo e o poder moldaram um dos maiores mistérios da história criminal italiana.
O legado de um caso sem fim em O Monstro de Florença
Quase 40 anos após o último assassinato, o “Monstro de Florença” continua sendo um enigma que fascina o mundo. A série da Netflix transforma esse terror real em um retrato sobre homens que herdaram a violência como forma de expressão — e uma sociedade que fechou os olhos para isso.
“O Monstro de Florença” (Il Mostro) está disponível na Netflix e segue entre as produções mais assistidas do mundo.