Se você assistiu aos episódios de O Píer (The Waterfront), nova série da Netflix, é bem provável que tenha se impressionado com Cane Buckley, o filho do meio da disfuncional e poderosa família Buckley.
Carismático, imprevisível e emocionalmente dividido entre lealdade e independência, Cane é um dos personagens mais fascinantes da trama — e parte desse impacto se deve à entrega de Jake Weary, ator que dá vida ao papel.
Aos 35 anos, Weary vive um momento de virada na carreira. Conhecido por interpretar personagens mais introspectivos e sombrios, como Daren Cody em Animal Kingdom, o ator agora brilha em um papel diferente do que está acostumado — e essa mudança, segundo ele, é exatamente o que o motivou a entrar em O Píer.
Um papel que mudou tudo

Jake Weary revelou que Cane foi um verdadeiro “game changer” em sua trajetória. Ao contrário dos personagens que costuma interpretar, Cane é extrovertido, expressivo e sedutor — alguém que usa o carisma como ferramenta, mas que também esconde cicatrizes emocionais e vive dividido entre o dever e o desejo de encontrar seu próprio caminho.
“Eu sempre interpretei caras mais fechados, com segredos, mais sombrios… Cane é alguém que sorri, que tenta manter a família unida, e isso foi refrescante para mim como ator”, contou em entrevista à UPI.
Na trama, Cane é o elo entre os Buckley, o filho que tenta ser a ponte entre os irmãos e os pais em meio à decadência de um império pesqueiro que recorre ao tráfico de drogas para sobreviver. “Ele seria o tipo de pessoa que criaria um grupo da família no WhatsApp para manter todos conectados”, brinca o ator.
Filho de atriz de novela, talento de berço
Jake Weary vem de uma família artística. Ele é filho da lendária Kim Zimmer, estrela de novelas americanas como Guiding Light, e cresceu cercado por câmeras, bastidores e histórias intensas. Curiosamente, ele compartilha essa herança com Holt McCallany, que interpreta seu pai na série, Harlan Buckley. “As nossas mães eram divas. A dele, uma cantora de salão. A minha, uma atriz de novela. A conexão entre nós foi imediata.”
Essa química foi essencial para as cenas entre Cane e Harlan. “Tivemos muitas conversas sobre relações entre pais e filhos. E essas discussões influenciaram diretamente como construímos Cane, que vive um conflito interno constante com o pai — admiração, frustração, necessidade de aprovação e desejo de ruptura”, explicou.
A explosão no set e os bastidores intensos
Weary também compartilhou detalhes curiosos sobre os bastidores da série. Em uma das cenas mais impactantes da temporada, uma casa é explodida em uma operação coordenada. Ele estava no set e chegou a esconder uma câmera para registrar sua própria reação ao momento. “Foi inacreditável. Mesmo sabendo que ia acontecer, meu corpo reagiu com um susto genuíno. O calor, o som, a potência… meu eu de 13 anos não conseguia acreditar que estava ali.”
Além disso, a produção foi marcada por um momento difícil fora das câmeras: o furacão Helene, que atingiu a Carolina do Norte durante as gravações. “Muitos membros da equipe foram afetados, e isso acabou nos unindo ainda mais. A solidariedade foi enorme”, contou.
De Animal Kingdom para O Píer: o peso das comparações
Jake Weary passou seis temporadas interpretando Daren Cody, um dos membros da violenta família de Animal Kingdom. Embora ele inicialmente tenha achado O Píer bastante diferente, não demorou para perceber as semelhanças entre as duas séries. Ambas tratam de famílias que vivem às margens da lei, que se amam e se destroem ao mesmo tempo, e que justificam seus atos pelo bem dos “seus”.
“O que diferencia Cane de Daren é o senso de autocontrole. Os Buckleys são mais estratégicos, menos impulsivos que os Codys. Mas ambos vivem sob uma lógica de sobrevivência familiar extrema”, afirmou.

O desfecho da temporada e um ponto sem volta
[Spoiler dos episódios finais de O Píer]
Na cena que encerra a primeira temporada, Cane finalmente ultrapassa um limite que evitou por toda a história: ele mata Grady, personagem de Topher Grace. Segundo Jake, essa decisão foi cuidadosamente construída ao longo da temporada. “Nos roteiros iniciais, Cane atacaria dois agressores com um pé de cabra no episódio 3, mas os roteiristas decidiram guardar esse momento de explosão para o final, para que tivesse mais impacto”, explicou.
E funcionou. O tiro de Cane representa não só a defesa de sua família, mas o fim de uma linha que ele tentou não cruzar. “Agora resta saber: isso vai fortalecê-lo como líder ou mergulhá-lo em culpa? A segunda temporada pode explorar qualquer um desses caminhos.”
E o futuro de Cane?
Embora a Netflix ainda não tenha confirmado oficialmente a 2ª temporada, Jake já teve conversas com o criador Kevin Williamson — sim, o mesmo de Dawson’s Creek e Pânico — sobre possíveis rumos para Cane. Mas, supersticioso, ele prefere não se empolgar antes da renovação ser anunciada. “Eu sou do tipo que não gosta de contar com o ovo antes da galinha botar”, brincou.
Jake Weary se prova em O Píer como muito mais que um rosto conhecido de séries policiais. Com uma performance cheia de nuances, ele entrega um personagem dividido entre o afeto e a violência, o charme e a sombra, a moral e o instinto. Se Cane já é um dos grandes destaques da série, grande parte disso se deve ao ator que o interpreta — e que, ao que tudo indica, ainda tem muito a mostrar.
Se O Píer voltar para uma nova temporada, é certo que Jake Weary terá um papel ainda mais central. Até lá, vale rever os episódios e observar, cena a cena, o magnetismo silencioso de Cane Buckley.