O piloto de Silicon Valley

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Desenvolver um site revolucionário, uma rede social viral ou até mesmo criar o app da década, e receber várias propostas pelo trabalho ficando milionário da noite para o dia, é um sonho que quase todos os programadores, ou pessoas ligadas à área de TI, possuem. E é, basicamenta, em torno desta trama que o piloto de Silicon Valley se coloca.

Criada por Mike Judge, a série conta com o protagonista Richard Hendrix (Thomas Middleditch), típico nerd inseguro que mora com alguns amigos na “incubadora” de Erlich (T.J. Miller) e desenvolveu um site chamado Pied Piper (Flautista), capaz de pesquisar se as músicas dos usuários infringem direitos autorais. Para isso, o site usa um algorítimo de compressão fazendo com que o arquivo de áudio diminua bastante do tamanho original, facilitando o sistema de busca. O algorítimo acaba despertando o interesse de alguns poderosos da área como Gavin Peter (Matt Ross) presidente da Hooli – empresa em que Richard trabalha – e Peter Gregory (Christopher Evan Welch, que infelizmente faleceu nas gravações no fim de dezembro).

O show estreou recebendo um altíssimo led-in da première de Game of Thrones, e consequentemente marcou ótimos números, mas pode perder bastante público já que pareceu uma série de nicho. Algumas das piadas de tecnologia são acessível à todos, ao passo que outras são mais de apelo técnico que dificultaria bastante para quem não é da área. O piloto deixou algumas visões do que os roteiristas podem explorar como: as dificuldades e tentativas de crescer com o novo projeto, movimentando as negociações e os jogos de poder típicos da área tecnológica. Pra entender isso não precisa ser nenhum nerd, mas claro para quem é da área de TI, ou é bem entendedor do assunto, a identificação é maior  como: se impressionar fácil com a revelação do poder que o tal algorítimo de compressão é capaz – e automaticamente já pensar nas inúmeras possibilidades de uso.

A piada com o Jobs, por exemplo, é de fácil entendimento, porém a risada (pra quem riu, claro) já me ocorreu quando ele faz a pergunta: “Qual dos Jobs?”. Porque é previsível o que vem a seguir, que, aliás, é um assunto recorrente em discussões do tipo. Muita gente sabe que mesmo que Steve Jobs tenha sido a grande mente por trás da Apple, quem realmente botava a mão na massa era seu colega, e co-criador da maçã, Steve Wozniak. Toda a questão do foco poderia limitar o interesse da audiência. Se eles focarem apenas no nicho do humor técnico, ainda vai agradar bastante gente, mas para o sucesso os roteiristas terão que saber mesclar bastante entre piadas técnicas e situações cotidianas da cultura nerd.

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Os personagens são tudo o que se esperava, verdadeiros estereótipos de nerds e estudantes de programação – que, aliás, foram bem elencados pelo personagem Gavin Belson em uma piada que funcionou perfeitamente – tentando a todo momento desenvolver o projeto de suas vidas, ou até mesmo vender promessas – como o doutor com cara de Bill Gates. Isso exprime exatamente o ambiente competitivo do Vale do Silício.

Além dos típicos nerds, temos também os “brogramadores”. Não. Sua legenda não estava errada. Brogramadores (brogramers) são programadores “machões” que fogem da visão de nerd tímido, inseguro e introspectivo. Eles foram bem representados na cena inicial do café.

O ator protagonista, Thomas Middleditch, foi muito competente em passar a insegurança do personagem, que, aliás, chegou a me incomodar – com o final de suas frases sempre diminuindo o tom de voz, sem falar nos desvios de olhares.

Senti que, apesar de o roteiro ter sido meio confuso com a apresentação de vários personagens – coisa que não é muito recomendado fazer em pilotos já que é o primeiro contato do espectador com a série -, eles conseguiram mostrar muito bem que entendem e podem criar referências técnicas inteligentes, como no discurso do Gavin Belson, falando que: “a Hooli não é sobre software, é sobre pessoas e está prestes a inovar a tecnologia que faz a diferença, tranformando o mundo que conhecemos. Fazendo do mundo um lugar melhor, com camada de transporte orientada por mínimas mensagens.” Quem é da área de redes de computadores ou estudou um pouco sobre o assunto, sabe que a camada de transporte é responsável pela transferência eficiente, confiável e econômica dos dados entre a máquina de origem e a máquina de destino, independente do tipo, topologia ou configuração das redes físicas existentes entre elas, garantindo ainda que os dados cheguem sem erros e na sequência correta. Assim o comercial conseguiu uma boa analogia com a mensagem que ele tentou passar, junto com as imagens sociais que estavam sendo mostradas na TV.

Por fim, o episódio ainda mostrou duas cenas que podem servir como críticas envolvendo toda aquela história de espionagem. Peter Gregory descobrindo o número de celular do “Cabeção”, e mais ao fim, a cena em que sua assistente consegue achar o Richard, porque “Peter Gredory investe em uma empresa que utiliza GPS nos telefones para rastrear pessoas”.  Na hora me veio à mente os recentes boatos que  a Microsoft teria uma suposta “parceria” com a NSA, disponibilizando-a dados de usuários do Outlook e Hotmail.

 

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Equipe Mix

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