O piloto de The Strain

The-Strain

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Baseada na trilogia literária escrita por Guillermo Del Toro (escritor e diretor de O Labirinto do Fauno) e Chuck Hogan (autor de Prince of Thieves), The Strain, nova série do canal FX, é uma das apostas televisivas mais arriscadas do ano. Com base no horror puro, com sustos, violência e uma porção de coisas grotescas, Del Toro tenta ressuscitar um subgênero que anda perdido e defasado: vampiros clássicos e realmente perigosos.

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Entretanto, os vampiros de The Strain não são convencionais; são uma mistura do clássico com o estilo característico de Del Toro. Na mitologia dos livros e da série, os vampiros não possuem dentes afiados que furam a carne, mas um órgão mutante que nasce sob a língua e é projetado à frente para abrir um pequeno orifício na pele das vítimas; é por ali que os monstros drenam o sangue e passam adiante o vírus que transforma um humano em vampiro. Esta, aliás, é outra característica bacana da mitologia: ser vampiro, na verdade, é estar infectado por um vírus perigosíssimo, transmitido por um verme parasita que vive no organismo dos vampiros. É um vírus que pode dizimar a raça humana e que provoca uma enorme mutação nos corpos de humanos infectados.

O mais interessante é que Del Toro sempre pensou em The Strain como uma série de TV, mas ninguém queria financiar uma série de vampiros do jeito que ele queria (o sujeito que quis financiar, pediu ao diretor que fizesse uma comédia sobre o assunto). Assim, ele desistiu temporariamente da ideia e se juntou a Chuck Hogan para escrever uma série de livros chamada “The Strain Trilogy” (algo como “A Trilogia Noturno”), sendo o primeiro livro Noturno, seguido de A Queda e finalizando com Noite Eterna. Com o passar dos anos e com o sucesso dos livros (e o fato de Del Toro se tornar cada vez mais respeitado), os planos de tornar a história em série de TV foram se concretizando. O resultado está aí: o FX aprovou a produção de uma temporada inicial completa com liberdade criativa quase que ilimitada a Del Toro e Hogan. Ninguém sabe se o público irá comprar a ideia e acompanhar uma trama tão estranha semana após semana. O fato é que The Strain merece, pois além de uma premissa instigante, o piloto é fantástico!

 

imagem centro

Começando pelo elenco. O protagonista é Ephraim Goodweather, interpretado por Corey Stoll (que era careca em House of Cards e agora milagrosamente tem cabelo), epidemiologista que investiga a morte de quase toda a equipe e passageiros de um boeing que, na pista de pouso, perde comunicação com a torre enquanto seu motor para, as luzes se apagam e as janelas se fecham. Também estão no elenco Sean Astin (o Sam de O Senhor dos Anéis) como Jim Kent, e David Bradley (Argus Filch, de Harry Potter) como Abraham Setrakian, o personagem mais interessante da trama. Todos parecem perfeitos para seus respectivos papéis e mostram que uma série de gênero pode ter o elenco como ponto forte.

Visualmente, The Strain não decepciona. A fotografia é muito semelhante com a dos filmes de Del Toro, e se sobressai ao mostrar que é possível ter qualidade visual em cenas que se passam quase que completamente à noite. Não há escuridão total e tudo pode ser visto com clareza. A direção de arte é outro ponto forte deste piloto. Como é de costume em criações de Guillermo, a produção é rica em detalhes, o que enriquece a história e a experiência, pois há muito mais em cena do que podemos perceber. Para encerrar, Del Toro dirige o episódio como se fosse um filme para Cinema, usando todo o quadro (que é maior no Cinema e reduzido na TV); isso pode ser um problema em algumas TVs que recortam as laterais da imagem, deixando de fora alguns detalhes que ocorrem nos extremos do quadro. São detalhes pequenos, mas que podem pesar em um programa como The Strain que utiliza toda a capacidade dos cenários e da imagem para causar tensão no espectador.

Enfim, recomendo fortemente que você dê uma chance, pelo menos, ao piloto de The Strain. Tem qualidade técnica e narrativa, além de um elenco excelente. Para quem leu os livros, a série é fiel e respeita a mitologia, ainda que altere alguns detalhes para melhor adaptação à TV. É impossível saber, porém, se a série terá um longo futuro pela frente. Se depender da crítica, da boa audiência e do canal FX – que geralmente respeita seus promissores projetos – The Strain tem tudo para trilhar um invejável caminho na televisão.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

2 comments

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  1. Avatar
    Douglas Couto 16 julho, 2014 at 19:31 Responder

    Eu gostei bastante. E o visual é algo que de cara já da pra notar, apesar do cenário dark, as cores são sempre meio que vibrantes, lembra bastante que é um sci-fi e ainda da aquela ideia de contaminação.

    A cena do gordinho morrendo ao som de Sweet Caroline foi ótima kkkk enquadramento de câmera baixa focando o coração e desfocando o fundo. Demais.

    Aquele velho parece muito interessante, gostei dele. E sempre vou chamar de Filch não importa onde ele apareça kkkkkkkkkkkkkkk

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