O que House of Cards nos trouxe até aqui?

Na temporada de prêmios americanos, o tapete vermelho se tornou palco de vestidos, ternos e – como diria Kevin Spacey – vingança. Após ser “esquecido” em anos passados, ele enfim subia ao palco para receber sua merecida estatueta por House of Cards. Em sincronia com o momento, a Netflix liberou o primeiro trailer da terceira temporada da série, dando mais motivo para a vibração apaixonada dos fãs que estavam on-line, com a promessa de ser a melhor temporada até então. Agora, como ela vai conseguir ser maior que os últimos episódios que vimos é o verdadeiro motivo de prêmios.

(cuidado, se você não viu o final da primeira e a segunda temporada, esse texto contêm spoilers. tá dito, ein?)

No vídeo assistimos a continuação da estrada que nos trouxe até aqui e, basicamente, o sangue que estava embaixo dos tapetes agora inunda a sala. Todas as dúvidas acumuladas nos últimos acontecimentos finalmente tomaram o palco, como: Frank pode confiar em quem está do seu lado? Por quanto tempo ele conseguiria fugir de seus crimes? Qual o sentido de manter Rachel no seriado, oh céus? Para entender esse levante de informação vamos retomar alguns pontos.

Os pequenos riscos cometidos durante o início da série se tornaram aquecimento de um jogo muito maior, o qual apresentou suas peças e cortou algumas pontas soltas logo nos primeiros episódios da segunda temporada. Frank e Claire, juntos, estavam focados em conseguir a sala oval da Casa Branca, custasse a garganta que custar.

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Vemos um, então, vice-presidente estratégico e muitas vezes errado, dividindo cena com um presidente ingênuo e sem simpatia imediata. Pessoalmente, esse é um dos pontos mais fracos dessa temporada: o chefe do país é tão manipulável e de pouca personalidade que fica fácil torcer para que ele perca seu cinturão de ouro. Ele é rasgado ao meio por dois grandes personagens enquanto, sem voz, tomba sozinho. Claro, talvez essa seja justamente a ideia: Frank brigar pela presidência não com um político, mas com um leão dos negócios como Tusk (Gerald McRaney). De qualquer forma, os episódios finais, que trouxeram um presidente de consciência retomada, são os melhores da temporada.

 

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Em uma batalha de grandes baixas, vemos Frank constantemente caindo e lutando. Ao mesmo tempo, somos introduzidos à grandeza de outros personagens que ajudam o protagonista a crescer e respirar dentro da narrativa. Adam (Ben Daniels), Lucas (Sebastian Arcelus) e Remy  (Mahershala Ali) tomam um espaço merecido, acompanhados por adições fortes, como Jackie (Molly Parker) e Connor (Sam Page).

A segunda temporada também perdeu núcleos importantes, como Zoe e seu jornalismo pulsante. A história acabou o engolindo, abrindo espaço para a assessoria de impresna e o FBI. A assessoria é uma grande demonstração da força política e da manipulação de dados, enquanto o FBI parece um circo bem comandando. É divertido, é interessante, mas não convence como deveria, e fica mais como um aquecimento para o que será executado na terceira temporada.

Outro elemento cansativo é a relação de Doug (Michael Kelly) com Rachel (Rachel Brosnahan). Bem escrito e útil para a construção de personagens em geral, mas se torna estranho, previsível e por vezes confuso a partir da metade da temporada. Os episódios finais, novamente, ajudaram a melhorar esse ponto.

Convenhamos: seria pleonasmo reafirmar a boa fotografia e edição de imagem, assim como a sonoplastia da série. É o som, carregado de detalhes, que mostra o valor narrativo dos pequenos momentos de House of Cards: olhares para a câmera, gravatas alinhadas e anéis na mesa.

 

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O trailer para a continuação dessa guerra vencida nos mostra que nem todas as batalhas podem esconder seus corpos. Enquanto sua estreia em 27 de fevereiro não chega, fica a dúvida: será que Frank vai encontrar um oponente à altura? Ainda, quem mais teria poder para destruir Francis se não aquela que o colocou lá? Claire é tão forte (e fria) quanto seu marido, e suas emoções conflitantes, trabalhadas tão bem em episódios passados, parecem ter sido eliminadas na reta que nos trouxe até aqui.

 

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Enquanto essa e outras ideias surgem, aguardamos o presidente nos abrir as portas da Casa Branca. Como devotos admiradores, esperamos o próximo passo do homem mais poderoso do mundo. Afinal, se tem alguém que consegue resolver problemas, é o Mr. President Underwood.

Texto por: Ana Egídio.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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