O Refúgio Atômico: Netflix mira no insano, mas acerta no exagero

Nova série dos produtores de La Casa de Papel, “O Refúgio Atômico” chega a querer ser insano, mas acaba sendo exagerada.

A Netflix apostou alto em O Refúgio Atômico (Billionaires’ Bunker), série espanhola criada por Álex Pina e Esther Martínez Lobato — os mesmos nomes por trás de La Casa de Papel.

A trama parte de um cenário explosivo: a eclosão da Terceira Guerra Mundial força um grupo de bilionários a se trancar em um bunker subterrâneo para garantir a sobrevivência enquanto o mundo lá fora desmorona.

A ideia, claro, parecia promissora. O problema é que, no lugar da tensão, a produção mergulha em melodrama e acaba perdendo o fôlego.

O que funciona na série O Refúgio Atômico?

Ao longo de seus oito episódios, a série até consegue entreter. O confinamento em um espaço claustrofóbico, somado ao choque entre personalidades mimadas, gera alguns momentos de diversão para quem gosta de ver “ricos pagando o preço” em situações extremas. Há reviravoltas em ritmo acelerado, e certos embates entre vítimas e culpados rendem cenas intensas, capazes de prender o espectador.

Além disso, o elenco entrega boas atuações. Miren Ibarguren, Joaquín Furriel e Alícia Falcó conseguem dar nuances aos seus personagens, ainda que estejam presos a arquétipos já conhecidos. Entre todos, a dupla Asia e Max talvez seja a que traz camadas mais interessantes, equilibrando vulnerabilidade e ambição.

O Refugio Atomico série netflix
Imagem: Divulgação.

Onde a série tropeça

O grande problema de O Refúgio Atômico é que ele nunca decide se quer ser uma sátira ácida ou um thriller de sobrevivência. O roteiro aposta em brigas rasas e intrigas forçadas, deixando de lado o que poderia ser um retrato visceral do fim do mundo. A sensação de catástrofe quase não aparece — e quando surge, é abafada por diálogos carregados de clichês.

A explicação para toda a conspiração do bunker, que poderia ser o ápice da trama, cai no lugar-comum e soa decepcionante. Em vez de um plano grandioso, o espectador encontra uma revelação previsível e pouco memorável. O resultado é uma série que promete intensidade, mas entrega mais exagero do que impacto.

Vale a pena assistir a série O Refúgio Atômico?

O Refúgio Atômico não é de todo descartável: tem ritmo, algumas boas reviravoltas e cenas que funcionam como puro entretenimento escapista. Mas quem espera uma história inovadora ou um suspense realmente envolvente vai se frustrar. O saldo final é de uma produção que mirou no insano e, infelizmente, acertou no ruim — uma curiosidade para quem é fã do gênero, mas nada que vá marcar a memória do público.





O Refúgio Atômico: Netflix mira no insano, mas acerta no exagero
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.