A Netflix tem apostado cada vez mais em thrillers envolvendo jovens ricos, segredos e desaparecimentos misteriosos. Em teoria, e partindo do que tem feito sucesso na plataforma, Oasis tinha todos os ingredientes para funcionar. A série espanhola estreia com um cenário paradisíaco, personagens cercados de privilégios, gente bonita e claro – uma investigação que promete revelar o lado sombrio de um lugar aparentemente perfeito.
Com oito episódios de cerca de 45 minutos cada, Oasis é uma série que chama atenção pelas imagens, mas que raramente consegue justificar o tempo investido pelo espectador.
O problema é que, depois de algum tempo, fica claro que a produção está muito mais interessada em parecer sofisticada do que em realmente contar uma boa história. Vendida como uma Elite encontra White Lotus, a série passa longe dos acertos de ambas e, talvez, eleva os erros delas.
Oasis começa intrigante, mas demora demais para acontecer
A premissa é simples e eficiente. Uma jovem desaparece em um luxuoso complexo turístico frequentado por jovens milionários. Quando a polícia inicia a investigação, todos passam a ser suspeitos. É o tipo de história que imediatamente desperta curiosidade, numa vibe bem White Lotus.
Mas, ao contrário da série da HBO, o problema aqui surge porque a série demora uma eternidade para abraçar esse mistério. Os primeiros episódios são ocupados por longas sequências de festas, romances, brigas e conversas que parecem não levar a lugar algum. Em muitos momentos, Oasis parece esquecer que é um thriller e se comporta como um drama adolescente genérico.
Quando a investigação finalmente ganha força, a série mostra que havia potencial ali. O clima de desconfiança funciona e o desaparecimento de Celia cria perguntas interessantes. Só que esse momento dura pouco.

Um suspense que gira em círculos
O maior defeito de Oasis está justamente na incapacidade de sustentar o mistério que ela mesma cria. Depois que todos passam a ser suspeitos, a trama entra em um ciclo repetitivo de pistas falsas, revelações previsíveis e reviravoltas que parecem surgir apenas para prolongar artificialmente a história.
Em vez de aprofundar os personagens ou elevar a tensão, a série prefere empilhar novos segredos. O resultado é um roteiro que começa a rodar em círculos. Chega um momento em que o espectador deixa de tentar descobrir o culpado e passa apenas a esperar que a série finalmente avance.
Para um thriller, isso é um problema enorme.
A beleza de Oasis não consegue salvar a história
Existe uma qualidade impossível de ignorar: Oasis é uma série visualmente impressionante. A fotografia explora praias privadas, mansões luxuosas e paisagens deslumbrantes. Cada episódio parece uma campanha publicitária de resort de luxo.
Existe até um contraste interessante entre a beleza do cenário e os acontecimentos sombrios da trama. A direção sabe como transformar aquele paraíso em um ambiente inquietante.
Mas televisão não vive apenas de imagens bonitas. Quanto mais a série avança, mais fica evidente que todo esse investimento visual serve para mascarar um roteiro extremamente raso.

Personagens sem profundidade prejudicam o envolvimento
Outro problema é o elenco de personagens. Não por falta de talento dos atores, que fazem o possível para dar vida à história, mas porque o roteiro transforma quase todos em arquétipos. O jovem rebelde, a garota misteriosa, o herdeiro problemático, o amigo suspeito.
Poucos recebem desenvolvimento suficiente para gerar verdadeiro envolvimento emocional.
Além disso, a quantidade de personagens é tão grande que, em alguns momentos, Oasis parece mais preocupada em apresentar novos suspeitos do que em fazer o público se importar com eles.
Quando chegam as grandes revelações, o impacto simplesmente não existe.
Oasis desperdiça uma boa ideia
O mais frustrante é perceber que a série tinha elementos para ser muito melhor. O desaparecimento central funciona. O ambiente isolado também. O contraste entre riqueza, privilégios e segredos poderia render uma discussão interessante sobre aparência e realidade.
Mas Oasis escolhe o caminho mais fácil.
Em vez de construir um suspense inteligente, aposta em fórmulas já vistas dezenas de vezes em produções semelhantes. Em vez de criar personagens memoráveis, entrega figuras superficiais que servem apenas para alimentar suspeitas temporárias.
No fim, a sensação é de assistir a uma série que gastou quase toda sua energia construindo uma embalagem bonita e esqueceu de preencher o conteúdo. Se você gosta de séries de mistério ambientadas em cenários luxuosos e procura algo leve para maratonar em um fim de semana, Oasis pode até servir como passatempo.
Mas quem espera um thriller realmente envolvente provavelmente sairá decepcionado. Aos olhos de uma análise mais criteriosa, essa série passa ser tão ruim que é até pior que Elite. E eu nem sei se isso é ou não um elogio à outra.
Visualmente impecável, mas narrativamente vazia, a nova aposta da Netflix é uma produção que encanta os olhos e frustra a mente. E isso talvez seja o maior pecado que um suspense pode cometer.


