Após quatro anos de espera, One Punch Man finalmente voltou com sua 3ª temporada — e o episódio de estreia, lançado em 12 de outubro de 2025, reacendeu tanto o entusiasmo dos fãs quanto suas velhas frustrações.
Produzida novamente pelo estúdio J.C. Staff e agora sob direção de Shinpei Nagai, a nova fase do anime promete mergulhar de vez no arco da Associação de Monstros, uma das mais intensas da obra original. Mas será que o retorno faz jus à expectativa?
O início da guerra: a ameaça da Associação de Monstros
O episódio abre com um clima de tensão. A Associação dos Heróis está em alerta máximo diante do avanço da Associação dos Monstros e das ações do Caçador de Heróis Garou, que continua eliminando combatentes de alto escalão.
Com o desaparecimento do filho de um dos patrocinadores da organização, os heróis se dividem entre resgatar o garoto e descobrir a localização da base inimiga.
Enquanto Child Emperor tenta decifrar o paradeiro dos vilões, Atomic Samurai e outros S-Class recebem atualizações da ameaça. É o início de uma grande guerra subterrânea, e o episódio faz um bom trabalho em estabelecer as peças do tabuleiro.
Saitama, o herói entediado
Longe do caos, Saitama continua sendo… Saitama.
Em casa, ele passa o tempo jogando videogame com King, enquanto Fubuki aparece para encontrá-lo e se surpreende ao ver o “herói mais poderoso do mundo” cercado por colegas de elite.
A cena é típica do humor da série — um contraste entre o drama apocalíptico dos heróis e a total apatia do protagonista, que segue esperando uma luta digna.
Mas há também uma sutil provocação narrativa: Saitama demonstra irritação por Garou ainda não tê-lo desafiado, como se o vilão o estivesse ignorando. É o gancho que promete colocar os dois frente a frente em breve.

Garou e o novo poder das sombras
A outra metade do episódio acompanha Garou, que é resgatado pela Associação dos Monstros após os eventos da temporada anterior. Eles o tratam como um igual, chegando a oferecer-lhe liderança da organização.
Essa decisão promete mexer nas dinâmicas da série, já que Garou, embora seja inimigo dos heróis, mantém um senso distorcido de justiça e pode acabar se tornando um anti-herói — o que reforça a riqueza moral do universo de One Punch Man.
Trilha sonora empolgante — e animação, novamente, problemática
Se há algo inquestionavelmente bom na estreia, é a trilha sonora. O tema de abertura, “Get No Satisfied!”, é uma parceria explosiva entre JAM Project e Babymetal, que entrega o tom de adrenalina que o anime sempre teve. Já o encerramento, “Soko ni Aru Akari” (interpretado por Makoto Furukawa, voz de Saitama), fecha o episódio com uma nota emocional.
Mas o calcanhar de Aquiles continua o mesmo: a animação. Apesar da empolgação inicial, o episódio sofre com cortes estáticos, falta de fluidez e enquadramentos limitados. O termo “PowerPoint Animation”, cunhado por fãs, resume bem o problema — várias cenas parecem um slideshow animado, sem o dinamismo que a história exige.
A comparação com Blue Lock 2 (criticada pelo mesmo motivo) é inevitável.
É frustrante, considerando que One Punch Man nasceu como uma sátira de ação fluida e exagerada. O impacto visual da primeira temporada (produzida pelo estúdio Madhouse) ainda é um padrão inalcançado.
Veredito: uma boa estreia com um velho problema em One Punch Man
O primeiro episódio da 3ª temporada de One Punch Man cumpre bem sua função de reposicionar personagens e preparar o palco para a guerra entre heróis e monstros. A narrativa flui, os diálogos têm humor afiado e o tom épico começa a se reconstruir.
Porém, o maior vilão do episódio é mesmo a execução técnica — a falta de vigor nas animações impede que a estreia atinja o impacto visual que a série merece.
Mesmo assim, a base está sólida. Se o roteiro seguir o material do mangá com fidelidade e o estúdio ajustar o ritmo, One Punch Man 3 pode se redimir nos próximos episódios.
Nota final: 7/10
Pontos fortes: história envolvente, humor característico, trilha sonora potente.
Pontos fracos: direção irregular e animação aquém do padrão que consagrou o anime.
Saitama ainda derruba qualquer inimigo com um soco — mas, pelo visto, o maior desafio da série continua sendo o estúdio que a anima.