O segundo episódio da nova temporada de One Punch Man, intitulado “Monster Traits”, diminui o ritmo das lutas para mergulhar nas consequências da guerra entre heróis e monstros — e, principalmente, na complexidade de Garou.
Embora o capítulo seja rico em desenvolvimento de personagem, ele também reforça a maior crítica à atual fase do anime: a falta de impacto visual e fluidez nas cenas de ação.
Garou entre o bem e o mal
O episódio 2 da 3ª temporada de One Punch Man começa com um Garou ferido e solitário, caminhando pela cidade após abandonar os monstros. Através de seus olhos, o espectador enxerga uma sociedade em colapso: enquanto alguns humanos se organizam em facções dispostas até a fazer sacrifícios para agradar as criaturas, outros se entregam à violência e ao caos.
Mesmo tentando assumir o papel de vilão, Garou não consegue esconder sua natureza heroica — ele ajuda inocentes em perigo, mostrando que sua busca por ser o “monstro supremo” é, na verdade, um conflito interno entre sua ambição e sua moralidade. Essa dualidade o transforma, mais uma vez, em o personagem mais fascinante da temporada.
Humor e cotidiano com Saitama e Fubuki
Enquanto o enredo principal se aprofunda em Garou, o anime não perde seu humor característico. Saitama, Fubuki e King protagonizam uma sequência leve e divertida: em um restaurante, Garou devora o cardápio e sai sem pagar — e Saitama, que também havia esquecido a carteira, corre atrás dele sob o pretexto de cobrar a conta.
A cena é um lembrete de que, mesmo sendo o protagonista, Saitama segue sendo o alívio cômico da série — um herói poderoso, mas distraído e despretensioso.
As intenções dos monstros em One Punch Man
No segundo ato, One Punch Man aprofunda a trama da Associação dos Monstros. Garou reencontra o garoto que ajudou na temporada passada, mas o momento é interrompido pela chegada de King the Ripper e Insect God, enviados por Gyoro-Gyoro para testá-lo.
O diálogo entre Gyoro-Gyoro e seus subordinados revela que os monstros querem transformar Garou em um verdadeiro monstro, reforçando o tema central da temporada — o que define, afinal, ser humano ou bestial. Essa sequência ainda explica que Orochi, o temido vilão anterior, também já foi humano, conectando os eventos atuais aos da segunda temporada.

A decepção visual
Se o roteiro cumpre seu papel, a animação da J.C. Staff continua deixando a desejar. O episódio apresenta movimentos engessados e cenas estáticas, especialmente na sequência em que Garou desliza uma colina para enfrentar os valentões — que mais parece um recorte arrastado na tela.
Mesmo com bons designs de personagens e arte detalhada, a falta de fluidez compromete a intensidade das lutas. O embate entre Garou e King the Ripper é interrompido abruptamente, sem a grandiosidade esperada de um anime conhecido justamente por suas coreografias explosivas.
Um capítulo de transição
Apesar das limitações técnicas, “Monster Traits” é um episódio importante para a construção narrativa da temporada. Ele aprofundou a jornada de Garou, estabeleceu novas motivações para os monstros e preparou terreno para os próximos confrontos.
O episódio encerra em tom de expectativa — sem grandes batalhas, mas com a promessa de que o verdadeiro espetáculo de ação está prestes a começar.
Veredito sobre o 3×02 de One Punch Man
Pontos fortes:
- Desenvolvimento de Garou e de seu conflito moral
- Expansão da mitologia dos monstros
- Humor equilibrado com Saitama e Fubuki
Pontos fracos:
- Animação inconsistente e falta de dinamismo
- Ausência de uma grande cena de ação
O episódio pode decepcionar quem busca pancadaria, mas é um bom lembrete de que One Punch Man também sabe ser reflexivo, humano e irônico — preparando o terreno para algo muito maior que vem pela frente.