Orange Is The New Black – 4×04 – Doctor Psycho

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Imagem: Banco de Séries

 

“Doctor Psycho” se iniciou com uma sequência interessante. Em um corredor não muito estranho, se vê um guarda empurrando um carrinho com comida. O que chama a atenção? Dobraduras de papel, revistas e uma mão de baralho sendo transportadas por fios de porta a porta. Estamos na SHU. Sophia está lá. E daqui para frente a resistência como único caminho é posta com literalidade, seja pelas detentas, que arranjam um jeito de se comunicarem, apesar do isolamento, seja por inundar a cela ou nela tacar fogo.

Ingenuidade achar que a resistência como caminho não tenha sido tratada anteriormente na série. Todo o levante latino é uma forma de resistência nesta temporada, qualquer detenta que se recusa a comer é uma resistência. Mas Burset foi além, foi mais radical, movida pela vontade de ser ouvida. Caputo permaneceu irredutível e atado pela MCC. Entretanto, Sophia demonstrou determinação e tem apoio, tem alguém de testemunha de sua causa, ainda que sem saber, tem uma Nicky (ela reapareceu! É pra comemorar de pé!), confusa e assustada, é verdade.

De volta ao prédio principal, o irritante Luschek e Judy King cultivaram a amizade na sala de recreação, incomodando Healy que, impulsionado pela cobrança das detentas por emprego, decidiu intimar King a dar um curso de culinária. Judy King até que se recusou a dá-lo, porém foi derrotada pela arrogância de Healy e pela palavra-mágica, MCC.

O curso de culinária foi divulgado e o burburinho começou. Só se falava sobre isso, fosse pela empolgação ou pela crítica recalcada de Yoga Jones. A aula inaugural lotou, Judy King adotou a postura “faça o que pode com o que tem” e, para a felicidade de Poussey, ela foi a escolhida para ser a voluntária. Segundo Caputo, a aula foi um sucesso. Healy se encheu de orgulho.

Falando em Sam, toda essa movimentação foi recortada por um flashback só seu. Antes havíamos sido apresentados a um pouco de seu cotidiano, com todos os problemas conjungais e sua carência de afeto. Agora fomos levados mais a fundo e descobrimos as origens das inseguranças de Healy: um pai frio e preconceituoso, uma mãe doente, uma infância de abandono afetivo, uma vida adulta solitária, de frustrações e de relações inapropriadas.

Às vezes incomoda esse determinismo exagerado da série, como se as pessoas fossem incapazes de se desvincular das situações, dos meios em que foram inseridas, tampouco buscarem para si outros destinos. É como se as motivações para quem são hoje já estivessem sido postas, sem chances de evolução ou amadurecimento. Todavia, sempre há como evoluir a amadurecer. E acertadamente a série também acredita nessa via e a explora com outros personagens.

Pelo menos foi esse background de Healy que o fez se sensibilizar por Lolly, que teve mais um surto e, por isso, estava sendo levada para a ala psiquiátrica, quando Sam interveio e se dispôs a ajudá-la.

No âmbito dos relacionamentos amorosos, Soso e Poussey se reconciliaram no episódio passado e entraram na fase da lua-de-mel, super meigas e fofas. Formaram um casal bem bonitinho e o shipp está garantido! E pede-se à padroeira das séries que deixe alguém ser sentir amado e seguro.

Não muito feliz se encontram outros dois casais, um que nunca foi e um que nunca se sabe. Sobre este, Alex, completamente desestabilizada pelos últimos acontecimentos em sua vida – como matar, esquartejar e enterrar o cara que tentou matá-la –, foi procurar conforto nos braços de Piper, que fez a madura e quis uma conversa antes do sexo. Vause vazou.

Já o outro casal causou uma revolta. Doído ver Pennsatucky vulnerável, machucada, humilhada e sem acreditar em si diante da visão patética de Coates sobre o estupro. Foi uma cena forte e precisa, por retratar o que muitas mulheres vítimas de abuso passam quando o agressor é alguém por quem se nutre afeto, e espera-se que esse enredo seja aprofundado.

No balaio das famílias, Aleida viu a luz no fim do túnel mais próxima do que esperava e já surgiu o medo de enfrentar o que está lá fora. Sorte dela por Mendoza e Daya, do jeito torto fruto desse complicado relacionamento, estarem ali.

No embate do panty business, já não fosse Ouija roubando as calcinhas de Piper, Ruiz lançou sua própria versão dos negócios e está recrutando detentas, levando Flaca e Ramos a pedirem demissão para Chapman. Nova moeda detectada em Litchfield: pantufas.

Outro plot que continuou a ser tratado neste episódio foi o da morte de Aydin, o capanga do Kubra, enviado à prisão para matar Vause. Frieda se manteve, insistindo que a melhor saída para elas seria matar Lolly e até já sabia como, estava pronta para agir. Vause, então, tomou a decisão mais sábia ao contar para Red, mãe de todas, poderosa, racional como pode e persuasiva que só ela. Alex pegou o passaporte para entrar para a família.

As quatro envolvidas protagonizaram uma reunião na estufa, mais uma cena impecável da temporada, tentando estabelecer os rumos do caso, sem muito sucesso, levando Red à mesma solução de Frieda. É a família pensando junta!

OITNB completou, assim, o primeiro terço da quarta temporada e segue mantendo um ótimo desenvolvimento.

Menções honrosas:

1) Taystee tentando ter acesso à internet por terceiros e fazendo Caputo parecer ocupado. Genial!

2) Hapakuka: umas das melhores (e mais contraditórias) pessoas de Litchfield.

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Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.