Orange Is The New Black – 4×06 – Piece of Shit

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Imagem: Banco de Séries

 

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O título do episódio anunciou de cara as desgraças que se assentariam nos perímetros de Litchfield.

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Vejam só, um episódio que se iniciou com Luschek e um amigo dentro de um carro, tendo um diálogo bizarro, já nos faz lembrar porque o eletricista não desce a muitos. Seguiu-se ainda com Luschek passando pela segurança na entrada do presídio e topando com Bailey, que o alertou sobre a caixa de correspondência, recebendo como agradecimento destrato e desprezo. Mas nessa concordemos com Luschek: Baxter Bailey, que nome esquisitinho. Voltando, de tanta insistência e uma imitação zoeira de Piscatella, Luschek resolveu checar sua correspondência. Bem abarrotada estava sua caixa, repleta de recadinhos “amorosos”. O remente não poderia ser outro, Nicky, que lá da máxima expressa todo o ódio e revolta que sente por Luschek.

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Para refrescar a memória, no terceiro episódio da terceira temporada, Nicky achou heroína deixada por Vee, combinou com Luschek de vendê-la, mas Angie e Leanne encontraram e usaram, contaram para Caputo, que investigou e Luschek colocou a culpa em Nicky para se safar, que, por sua vez, foi enviada para a máxima, cheia de marra e descrédito em si.

A porção humana que existe nele ficou abalada com as lembranças de Nichols e, depois de muita comiseração e muita conversa com Judy King, Luschek resolveu visitar Nicky na máxima. Logicamente, nada de bom saiu dessa visita e o que se viu foi uma Nicky furiosa e desesperada com a sua corrente situação. E voltou ele a reclamar ainda mais com Judy, como se o perdão por seus erros fosse vir a galope, como se ouvir de alguém que ele gosta que de fato é um bosta fosse torná-lo menos bosta. Ah tá, querido! Tentou a redenção pelo pedido de demissão e dona King, que não é boba nem nada, interveio. Só que nada é de graça por ali, ? Aprende Luschek, que do mesmo modo que você usa as pessoas, elas também podem te usar. Afinal, como a própria King pregou em sua aula de culinária, dadas as circunstâncias, use o que tiver. E mais, ela cortou a vitimização de Luschek como umas das maiores verdades da história da humanidade: “Você é um homem branco, hétero. Você não é a vítima, meu bem”. Judy, já te disseram que você é muito mais do que as primeiras impressões vêem?

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Enquanto isso tudo se desenrolou na parte “boa” do presídio, lá na máxima vimos uma Nicky orgulhosa de si, não menos sarcástica, ao receber sua ficha de três anos de sobriedade. Uma vitória para ela que ali está sozinha, sem amigos, sem sua família. Para se manter sã, além da ocupação de faxineira, Nichols desenvolveu a técnica de repetir os estados e capitais dos EUA. Durante um turno na SHU, ela se esqueceu de Mississippi. Pode ser uma mente que já está vendo chifre em cabeça de cavalo para tudo quanto é lado, pode ser uma mente que sabe das entrelinhas e dos easter eggs, mas Mississipi é um estado bastante tradicionalista e a bandeira dos Estados Confederados da América, aquela da nuca da detenta do episódio passado, é um dos elementos que compõe a bandeira do estado esquecido. Coincidência?

Viagens à parte, ela se lembrou de Burset e a procurou pelas celas. Lá na 12 encontrou uma Sophia acabada, que tentava se agarrar a um fio de sarcasmo. Burset implorou por ajuda, mas Nichols sabia que poderia mais atrapalhar do que qualquer outra coisa ao levar um cobertor para Sophia. Todavia, num ato de esperteza e compaixão, deu a dica das capitais e dos estados e descolou uma revista para a colega. Foi uma cena bonita, com ritmo e diálogos na medida. Hillary Clinton estampava na capa da revista e talvez tenha sido apenas uma coincidência, talvez alguma mensagem, deixa isso quieto por enquanto. E não diga que a garganta não deu um nó quando Burset perguntou a Nicky como estava o dia lá fora. Minutos antes, a própria Nichols havia tentado curtir um pouquinho o sol.

Nesse mesmo pátio, que faz a prisão comum parecer um parquinho, descobrimos que rolou pelo menos uma pegação entre Nicky e Stella (sim! Aquela lá da Piper) e que Nicky está tentando se manter limpa a todo o custo. A derrocada veio quando ela foi novamente encarregada de limpar a SHU, agora uma cela específica. E encontrou a cela 12 com sangue pelas paredes, pelo chão e uma revista, aquela revista, aos pedaços. Perguntamos juntos “where’s Burset?

Ironia pouca – isso é drama – Nicky ceder ao vício e trocar um punhado de droga por um boquete no exato instante em que sua liberação era assinada por Caputo. “A filha pródiga retorna à casa”.

Lá na área “livre” de Litchfield, Piper tentou se esquivar de sua burrada e não dar papo às brancas extremistas. De pouco adiantou. A Força-Tarefa de Licthfield já começara a agir e interrompeu uma reunião das latinas, expondo a todas a nova política do presídio. Justamente nessa reunião, Ruiz parabenizava Ramos pelo desempenho no esquema das calcinhas e se colocava diante de questionamentos e cobranças das colegas.

Não para menos, em uma posterior reunião da Força-Tarefa o inevitável aconteceu e o negócio das calcinhas foi exposto, e uma luz vermelha se acendeu em Piper. Se Ruiz rodasse, ela também rodaria. Confesse-se que ela até tentou tirar a ideia da cabeça das colegas, mas não rolou e as revistas começaram. Revistas de todas as detentas com traços de descendência não caucasiana, é óbvio.

Hapakuka foi revistada e usava calcinhas normais, para sorte de Chapman. Mais uma alerta aceso, e o que ela fez? Confortou-se nos braços da discriminação. Big Boo a alertou. Outro alerta. Chapman julgou melhor contar com a sorte. Resultado? Acharam as calcinhas no bunk de Ruiz. Sob a política de tolerância zero de Piscatella, foram dados mais anos à sentença dela, que ficou possessa, descobriu a origem da Força-Tarefa, ficou mais raivosa ainda e jurou acabar com a vida de quem? Ai ai, Chapman, segura essa marimba.

Em outro momento do episódio, vimos um Caputo disposto a ajudar a mudar a vida das detentas, tendo a ideia das aulas. E como diz aquele ditado, só ele que não vê que a Linda é furada e mina tudo o que é relacionado ao presídio? Linda é #teamMCC, Joe! Bom, por enquanto, vamos concordar com Dogget e só acreditar vendo.

Interessante destacar que, apesar das intenções, Caputo começou a se mostrar ausente em Litchfield. Ele mal sabe do que tem acontecido. Minutos antes de sua chegada Piscatella e Humphrey promoviam um abuso chutando, empurrando, gritando com as detentas e até provocando briga entre elas para seu deleite (coitada de Dwight). O clamor das detentas em abordá-lo e ao gritar em coro o seu nome, só mostram a necessidade de sua presença ali.

Momento muito bem estruturado foi o plot do plano para tirar uma foto de Judy King e vendê-la para descolar dinheiro e fama, . Foram lançando durante os cincos episódios anteriores pequenos elementos que convergiram aqui: o drone, a inimizade e as religiões de Cindy e Abdullah, o acesso a telefone e internet de Taystee, o celular de Abdullah e, claro, a revista com aquela foto bem mais ou menos de King. Não que as primeiras conversas entre Cindy e Abdullah tenham sido fáceis. Foi preciso Taystee fazer a ONU e intermediar a tentativa de acordo. E como das diferenças podem-se fazer semelhanças, as duas saíram de rivais para parceiras.

Agora dois momentos de incômodo. Um ocorreu na casa dos guardas, quando Gina se corta e o escroto do Luschek se recusa a levá-la a enfermaria. Quem se colocou por Gina foi Coates, com um discurso de humanização e tratamento descente, aquele mesmo Coates que estuprou “por amor” Penssatucky. O outro foi mostrar um Healy ouvinte e paciente. Ok. Ele se dispôs a ajudar Lolly e tem cumprido a sua palavra. Mas é difícil esquecer a tendência de Healy de só ouvir e ver o que lhe convém. De fato, se chega a pensar que Sam está nessa para ajudar mais a si do que a Lolly. Se ambas as cenas foram para incomodar, trabalho realizado com sucesso.

Pelo menos teve quem estivesse bem. Red, que finalmente dormiu, e Poussey e Soso, trocando juras de amor e compreensão. Fora isso, vai dizer que o título não fez jus ao episódio? Arrisco dizer que foi o melhor da temporada até agora e que daqui para a frente parece haver só um caminho, ladeira abaixo.

Menções honrosas:

1) Alex dando um merecido chega para lá em Piper e quase contando tudo o que aconteceu na estufa. Segure-se, Vause!

2) A lista de coisas melhores do que a fama que Suzanne deu quando ela, Cindy e Taystee arquitetavam o plano da foto de Judy King.