Orange Is The New Black – 4×09 – Turn Table Turn

flores
Imagem: Arquivo pessoal

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Lembram-se que há alguns episódios, Orange trouxe a resistência à tela, quando vimos Sophia lutar para ser ouvida? Em “Turn Table Turn”, a prática se espalhou. Ramos, Ingalls e Flores aderiram à prática, cada uma a sua perspectiva e necessidade.

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Maritza, temerosa pela possibilidade de ser pega, resolveu ela mesma se proteger, mesmo sabendo que Ruiz retrucaria. Melhor lidar com Maria do que com a máxima, né? E os argumentos de Ramos foram bastante válidos. De fato, no episódio anterior, ela pediu para sair do esquema e Ruiz pouco se importou. Logo, agir por conta própria pareceu a melhor saída.

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Não bastasse esse confronto, Humphrey está na cola de Ramos há tempos, beirando a obsessão com esse comportamento dele. E para ficar mais doentio ainda, fez Maritza provar de sua própria brincadeira. Que sujeitinho intragável! “Jenga is a game”, o que Humphrey fez chama-se tortura.

Ingalls resolveu acordar a ativista que existe nela e buscou de todas as maneiras ser mandada para a SHU, querendo encontrar provas de que Sophia está viva. A princípio uma boa estratégia, rendendo cenas impagáveis da irmã transgredindo. Os insultos, o cigarro, a bateria, o soco em Mendoza. A despeito da superlotação até na SHU, Ingalls conseguiu o que queria. Mas em dez segundos já descobriu as falhas de seu plano. E essa lotação na SHU é mais uma consequência dessa política de tolerância  zero instaurada por Piscatella. Um descontrole desmedido para as punições para os erros e desacatos cometidos dentro do presídio.

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Flores e sua desobediência civil foram a surpresa – e flashback – da vez. Estratégia muito eficaz para se proteger das revistas abusivas dos guardas, logo se espalhou e ganhou adeptas. Já que as latinas têm sido tratadas como lixo humano que cheirem assim se isso significar sair da fila das revistas e não serem tocadas indevidamente. Uma subversão que parece ter vinda do acaso. Parece por conta da história pregressa de Flores.

Sua backstory foi particularmente intrigante, pois fomos apresentados a uma Bianca (sic) diferente da esquisitona carrancuda que conhecemos. Na real, ao longo das temporadas só se ouviu mais a voz dela agora na quarta – sem contar os telefonemas para Diablo nas cabines do banheiro, lá na primeira temporada –, então não achem que não rolou um estranhamento ver uma Flores arrumadinha, cabelos penteados e sobrancelhas feitas. Foi como se Blanca de Litchfield tivesse nascido na Blanca daquele período da vida retratado. A união de uma vontade de sair da linha e um acúmulo de destratos, porque se os guardas tratam as detentas como pedaços de carne, Millie, a senhorinha, não ficava muito atrás.

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Todo o flashback foi bem construído e abordado. É frutífero à narrativa casos como o de Flores, em que não se revela muito sobre o que de fato levou a detenta a Litchfield, apenas dão indicativos e deixam suspeitas. Certeza foi a carnalidade da cena de sexo entre Flores e Dario no quarto da patroa. E assim nasceu, pelo menos para o público, a encarada de Blanca, fuzilando quem atravessa seu caminho. Poderia jurar que a senhorinha infartaria ali, naquela hora. Porém ela viveu para topar com uma Blanca que ditava as regras agora. Um acerto de roteiro.

Flores foi ferrenha em sua resistência, desafiando Stratman até quando se pensava que ela suburia às pressões. O guarda agiu freestyle, como mandou o chefinho, e se arrependeu. Ao que tudo indica ela tem joelhos fortes.

Por outros corredores e salas, a foto de Judy beijando Cindy causou o esperado bafafá. Consequências? Fomos apresentados às novas Beyonce e Jay-Z de Litchfield e uma caça a aparelhos de telefone se iniciou para descobrir quem havia tirado a foto. Nem precisava de tanto esforço, Piscatella, era só vasculhar os bolsos de Luschek.

Enquanto isso, as meninas de Red se reestruturavam. Alex e Piper estão revivendo o início de uma amizade colorida, sonhando com hambúrguer e uma vida calma e moral, ao passo que Lorna e Nicky protagonizaram bafões. Uma Nichols chapada e ressentida ofendeu uma já desestabilizada Morello que diante da inércia de Red explodiu com a primeira pessoa que viu pela frente, Angie, a Cagona. Não bastou muito para que a própria Red flagrasse Nicky e agisse por outras vias. Red é teimosa, turrona e só faz o que quer, mas ela sabia que punir sua filha pródiga com a exclusão não era mais a melhor estratégia. Apelou, assim, ao amor e ao zelo, ao arrependimento por não ter dado um tratamento diferente a Tricia. Funcionou. Partiu da própria Nicky a vontade de se manter limpa. Veremos no que vai dar.

Mais sobre Alex e Piper, a vontade pelo Shake Shack era tanta que consideraram uma troca de favores sexuais por ele. Afinal, a sociedade nos condicionou a ver sexualidade feminina como moeda. Boa, Piper! Melhor ainda? Não fazê-lo! (Os Vauseman devem ter pirado com este episódio e a cena do hambúrguer improvisado).

Daya continuou pegando no pé de Aleida que, por sua vez, está fazendo de tudo para não dar abertura aos sentimentos. Duas duronas que quando a porta do furgão se fechar não conseguirão se conter. Não. Espera. Já não se contiveram. Diaz-filha ao querer passar um tempo com Aleida e Diaz-mãe ao pedir a Glória que olhe por Daya, passando a tocha de mãe para a amiga.

Quem se cansou de proteger alguém foi Big Boo diante da confissão de Dogget. Nós também não estamos gostando do rumo dessa história, Boo.

Coates e Humphrey merecem o selo de serhumaninhos desprezíveis. E são peças importantes para ilustrar a gama de abusos aos quais as detentas estão submetidas. Mais uma vez, elas não são nem de perto santas imaculadas, algumas ali cometeram crimes graves, e estão pagando suas penas, mas nem por isso merecem qualquer tipo de tratamento desrespeitoso e agressivo. É uma chuva de descumprimento aos direitos e garantias fundamentais.

Os jogos começaram a virar para alguns habitantes em Litchfield e Turn Table Turn introduziu novos andamentos para a temporada, que já alcançou seu segundo terço. E o que ficou foi lascado por lascado, desobedeça!

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Menção honrosa: O diálogo entre as duas detentas, no canteiro de obras, é uma grande alfinetada no sistema educacional tradicional.