Orange Is The New Black – 4×11 – People Persons

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Imagem: Banco de Séries

 

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People Persons” veio com uma premissa: há pessoas e pessoas, sejam elas influencidas por contextos ou conjunturas.

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No refeitório, Flores e Piper continuavam em cima da mesa, resistindo. Mais para lá do que para cá. E sem se lembrar que as duas estão ali juntas, uma Piper egoísta não dividiu a água. Que feio, Chapman. Esperava-se mais de você. Cindy também esperava mais de Judy, sua namoradinha, e foi logo dando uma chamada por sua saída de fininho da Movie Night. Pela tangente King saiu.

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E o alarme tocou. Acabou protesto, acabou DR, acabou o jantar. Todas de volta aos dormitórios. Confinamento. Aquela seria uma longa noite. A dica para o despreparo dos guardas para aquela situação estava estampada na cara de Stratman que não sabia o que fazer com Flores e Chapman. Na dúvida, seguiu ordens do alto-falante. Pelo menos isso.

Não bastou muito para notícia de que haviam encontrado um corpo esquartejado enterrado no jardim chegar a Healy que ligou os pontos e correu para as colinas extremamente desconsertado. Ficou turvo saber ao certo quais motivos levaram Sam a tentar suicídio, se a projeção de que algo do tipo viesse a acontecer a ele algum dia, se a culpa por não ter investigado os relatos de Lolly ou se uma súbita motivação de protegê-la, ou até mesmo escapar daquilo tudo. Também não se sabe seu destino caso o celular não tivesse tocado. Mas falemos dessa cena mais a frente.

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Enquanto o encaminhamento em massa para os dormitórios acontecia, Piper procurou saber com Alex como ela estava, sendo rapidamente interrompidas por Red, com um esquema já todo armado. No cubículo de Frieda, as duas experientes davam as instruções de como agir diante do provável interrogatório. Por suposto, a preocupação recaía sobre Lolly. Porém a imprevisibilidade do plano ficou por conta da convocação de Red e não de Frieda, como esperado, rendendo uma cena maravilhosa dela indignadíssima por não a terem intimado. Chamaram até Kukudio. Kukudio.

Diga-se uma convocação para interrogatório extremamente arbitrária e contrária às determinações de Caputo. Se havia dúvidas sobre o complexo de manda-chuva do Capitão Piscatella, depois do que se passou neste episódio todas elas foram sanadas. Ele não só passou por cima de ordens, se pensarmos na hierarquia do sistema e da jurisdição, como pisou nos direitos fundamentais garantidos às detentas e foi omisso a tudo o que presenciou.

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Piscatella e sua corja só fizeram trazer mais pânico e mais irracionalidade a uma situação já confusa. Soltou sua equipe desajustada para cima das internas. Foi até patético ver o desespero dos ex-veteranos diante do assassinato de um “colega” quando a gente bem sabia quem era esse guarda. Coates, que ousou questionar Piscatella, mas que logo baixou a guarda, foi encarregado de cuidar da cena do crime. Luschek, quem lhe causa repulsa, foi mandado para vigiar Judy King. Bailey, o único que parecia incomodado com tudo aquilo ali, sobrou e ficou zanzando por Litchfield testemunhando as atrocidades daquela noite em especial.

Seguidas as chamadas para o interrogatório, uma em especial foi encorpada por uma backstory que há tempos se esperava, a de Suzanne Warren. Na segunda temporada rolou um flashback de sua infância, mostrando sua dificuldade em se relacionar com as crianças de sua idade. Desta vez, nos foi mostrado uma Suzanne adulta. O gatilho para o flashback da vez foi um conselho dado por Taystee a Suzanne em relação a Kukudio: dê espaço as pessoas. Fomos transportados a um tempo não muito distante, mostrando uma mega simpática, atenciosa e falante Warren, nada muito distante da Warren de Litchfield, talvez mais alegre, escolhida a funcionária do mês do Super Emporium, um loja de departamentos que vende de tudo, de tubo de pasta de dente a armas.

Pausa para apontar a sutilmente colocada crítica à política de armamento nos EUA na cena em Suzanne confere o recibo de compras e o cliente sai tranquilamente com sua arma de todo o tamanho. Inclusive há uma troca de plano para mostrar a dimensão do rifle.

Voltando ao flashback de Suzanne, também foi abordada a dinâmica entre ela e Grace, sua irmã mais nova, destacando a dependência e a insegurança da relação. Vimos o namorado de Grace, que parecia bastante presente na família e ciente da condição de Suzanne. Foi ele quem disse “You’re a people person”, incentivando a cunhada.

Na ausência da irmã, Suzanne foi tentar se integrar com o mundo, como se o parque fosse o atacadão, escancarando que os medos dela são muitos fortes. Lá viu Dylan, um garotinho que conhecia do Super Emporium. O desfecho do encontro a gente viu e deduziu.

Nunca foi dito explicitamente o diagnóstico de Warren, sabe-se que ela tem alguma dificuldade de estabelecer conexões sociais e limites, possui baixo discernimento entre o que é e não é apropriado dadas as circunstâncias, além de protagonizar episódios de acesso de raiva. Todavia, ela tem consciência de suas debilidades e sabe do que precisa para se manter estável, como uma boa noite de sono ou evitar se envolver em confusões. Suzanne, em seu âmago, é genuína e bondosa, só precisa dos estímulos certos.

E aí que vamos para a sala onde as detentas chamadas estavam reunidas. Representantes dos grupos étnicos estavam ali, sob tensão, sem saber muito por naquele 3×3 e, inevitavelmente, provocações são trocadas. E foi ali também que o trem descarrilhou de vez, sem chance de retorno. Humphrey agride Sankey (que apesar do chilique “depois de tudo o que fiz por este lugar” não merecia tamanha truculência), depois, com o apoio de Stratman, nega uma ida ao banheiro a Ouija, e ainda puxa a cadeira que Sankey dormia. Quase todos riram. Parece que é da natureza humana rir da desgraça alheia antes de se compadecer. Mas não parou por aí. O que se seguiu, a incentivo de Humphrey e Stratman e da conivência de todos os guardas que ali ou não estavam (Piscatella, isso também foi para a sua conta), foi uma verdadeira rinha humana.

Sankey teve um acesso de razoabilidade e não caiu nas provocações. O mesmo não serviu para Kukudio que, mal resolvida com Suzanne, viu na briga uma tentativa de contato. Ela não esperava que o lado mais incontrolável de Warren fosse posto para fora e a surrasse. Warren foi posta em seu limite. Não fossem Ruiz e Ouija sabe-se lá o que teria acontecido a Kukudio. Foi um revival daquela finale da primeira temporada, só que com uma plateia, parte chocada, parte excitada.

Para o lado dos dormitórios, Taystee parecia sentir que algo estava errado com Suzanne. Como consequência do zelo, teve seu relógio estraçalhado por Dixon. Bota na conta dos abusos.

Em uma salinha qualquer, um embate há certo tempo esperado se desenrolou. Red era interrogada por Piscatella. A mãe de todas versus o ogro opressor. E Reznikov foi brilhante ao desviar de todas as investidas disparadas. Foi firme até quando teve seu passado revirado. Red não foi nada menos do se espera dela. Piscatella foi o intolerante, escroto e afetado que sabido era.

Durante toda essa movimentação, muita coisa aconteceu em outras partes do presídio. Dogget ajudava Nicky durante a abstinência, formando uma parceria improvável; o Trio Parada Dura formado por King, Jones e Luschek, alucinados protagonizava um ménage; e Vauseman se apoiava. Ainda teve uma Lolly impressionada com tudo o que acontecia, em busca da dura verdade. Alex foi complacente com Whitehill. Há pessoas e pessoas.

Enquanto isso Caputo perdia o resto do pouco cabelo que ainda tem lidando com hipocrisia e com o descaso movido a capital da MCC, incluindo nesse montante sua namorada, é claro. A vingança pelos mal feitos da MCC veio na virada de Danny ao por frente a frente o pai e Crystal Burset. Pelo menos balançado o homem ficou.

Voltemos, assim, à cena de Healey telefonando para Katya, instantes antes de entrar na água. Um telefonema epifânio, meio desabafo, meio perdão que embalou uma cortina de cenas que se sucederam naquela noite. As palavras de Sam fizeram muito sentido para tudo o que tem sido a quarta temporada, sintetizando muitas das escolhas feitas por personagens-chave.

Algo dizia que Vause não deixaria passar assim e fez o que sua índole pedia. Mas já era tarde. Healy já havia voltado a Litchfield e contado a Piscatella o que sabia.  Chamem isso de timing dramático ou de recurso de roteiro ou de narrativa. Funcionou muito bem para aquele momento.

No frigir de tudo, deparamo-nos com uma Lolly desamparada em sua máquina-tempo e, logo em seguida, inconsolável ao ser levada para a ala psiquiátrica, ao passo que Healy assistia àquilo tudo perplexo, sua causa e sua consequência. Red voltou da surra psicológica e Vause ficou a segurar batatas. Mas  o que foi de Suzanne?

Fica o palpite para a manhã seguinte: haverá pessoas e pessoas em Litchfield.