Orange Is The New Black – 5×01 – Riot FOMO

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

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“Nós queremos justiça.”

FOMO. “Fear of missing out” é uma sigla na língua inglesa que significa algo como “medo de ficar de fora” e que indica no mundo contemporâneo um fenômeno sobre essa sensação que temos de estamos sendo deixados de lado em alguma situação. É o que nos leva a checar a caixa de entrada de mensagens durante um filme, é que nos faz ir a lugares mesmo sem vontade só por imaginar o que você poderia perder se ficasse em casa, etc. Não pense que descrevo situações pessoais – ainda que tenham de fato ocorrido mais vezes do que gostaria de admitir -, essa é um fenômeno mundial agravado pelas tecnologias e pela velocidade com a qual trocamos informações e nos comunicamos. Mas o que isso tem a ver com a premiere da nova temporada Orange Is The New Black?

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Tem tudo a ver não só por estar no título desse primeiro episódio, “Riot FOMO” (5×01), mas também porque o receio de não participar da rebelião e, dessa forma, não lutar contra os abusos e desmandos que a equipe de Piscatella vinha cometendo, nem se posicionar contra o descaso de Caputo, tomou conta de quase 100% das detentas. Pensando assim, por alto, talvez apenas Soso e Judy King tenham ficado de fora do levante. Até Vause, de início receosa, se entregou à conjuntura. E por mais que Mendoza estivesse ali só pela proteção de Daya, por uma promessa feita a Aleida, levar Humphrey para os cuidados de Sofia também foi um ato que ajudou o movimento – seja lá o que ele for nesse momento inicial.

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Falando em Daya, gente, ela atirou! E não atirou para matar, atirou para ferir e atingiu o pênis de Humphrey e como isso teve um poder muito maior do que se o disparou tivesse tirado do guarda. Pensar que o membro sexual masculino é um dos símbolos de poder e dominação, começar o levante por um ataque direto a esse símbolo, ainda que acidentalmente, tem uma força metafórica descomunal dentro da dinâmica de uma penitenciária feminina, onde detentas acumulam episódios de abuso e violência física, sexual e psicológica. Não à toa, Maritza foi às forras querendo descontar com chutes toda agressão desferida por Humphrey, afinal, na temporada passada, ele a fez engolir um rato vivo. E antes que alguém venha dizer algo sobre não tratar violência com violência, sou time Mendoza e realmente acho que sair matando pessoas por aí não seja a solução, entretanto eu não tenho condições de dizer o que faria no lugar de Ramos.

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Imagem: Netflix/Reprodução

Essa sequência do corredor é toda muito importante porque, como indiquei anteriormente, acreditava que ela estabeleceria o tom desse início de  temporada e o ainda que estejamos no primeiro episódio, aqui ela deu. Durante os quase cinquenta minutos seguintes muita, mas muita coisa aconteceu ao mesmo, gerando, inclusive, em dados momentos, certa dificuldade de conseguir acompanhar as tramas que estão se inciando. Foi como se, no meio de toda a confusão e todo o caos, nos tivesse sido apresentado um panorama sobre a situação de casa detenta, com destaque para umas mais dos que as outras, a exemplo de Daya, Piper, Alex e Red.

Mas sem dúvidas,  o grupo formado por Taystee, Cindy, Abdullah e Watson teve o  maior e mais necessário destaque, porque enquanto todas as outras detentas estavam tentando se proteger de alguma forma ou tentando entender o que estava acontecendo, as quatro se juntaram para cobrar de Caputo um posicionamento sobre a morte de Poussey. Cenas de grande impacto, pontuaram bem o abismo que existe entre os muros na arrogância do funcionário da MCC menosprezando as tentativas das meninas de se fazerem ouvidas, zombando da cara delas por não serem profundas conhecedoras de tecnologia, depois vindo com o cara que tudo sabe, cheio de jargões e contas em redes sociais.

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Como disse, o ritmo proposto pede que a velocidade do desenvolvimento das tramas seja mais ágil. Era piscar que você poderia perder algo. Porém não desanime se foi muita informação ao mesmo tempo porque foi. Tome como uma proposta de narrativa (apresentar as estórias todas atravessadas) e de direção (enquadramentos e movimentos de câmera que brincam com nossos sentidos), que nos jogaram para dentro daquela realidade, nos inserindo naquela confusão sobre a qual ainda não se sabe muito para onde vai, mas que tem muita bem estabelecida suas origens: justiça e dignidade. Partindo daí, as apostas se mantêm numa construção de consciência coletiva, ainda que os ânimos indiquem permanecerem exaltados por uns bons episódios.

No todo foi um bom episódio, com o equilíbrio entre o drama pesado e a comédia que tanto caracterizam OITNB, tendo sido adicionada à equação uma violência muito mais latente e urgente, para tudo terminar com um cliffhanger agoniante. A quem pertencem aquelas botas? Vou arriscar e descartar Piscatella, mesmo que tenha havido uma indicação para tal.

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P.S.: Humphrey posto na maca entre Suzanne e Kukudio. Acho que alguém preferiu a morte naquele instante.

P.S. 2: Nunca um par de sapatos alto teve tanta ambivalência.