Orange Is The New Black – 5×07 – Full Bush, Half Snickers

Imagem: Netflix/Reprodução

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“Você está em Putafield. Outro nome, hora diferente de visita.”

Eis que em meio à rebelião, uma prática que já era comum em Litchfield ganha maiores proporções: o escambo. Elevado a grandes proporções, agora que elas estão vivendo sob as próprias leis e comida é elemento escasso, tudo vale guloseimas. Salgadinhos, barras de chocolate, bala, tudo pode ser trocado por algo ou virar algo. O que torna o modelo de auto-gestão estabelecido relativamente bem produtivo. Vejam só, até uma cafeteria com direito a sarau as detentas organizaram. Tudo bem que a traquinagem em causa própria de Leanne e Angie fez o passo desandar e terminamos o episódio com uma porradaria generalizada, mas foi, ao modo de Litchfield, importante ver que as detentas haviam retomado na prática uma das considerações lá do começo da temporada: a de que, muito ao contrário do que a sociedade e o sistema prisional defende, elas podem sim ser civilizadas.

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Para além das práticas comerciais, o episódio deu muito destaque às relações amorosas que há por entres os muros, um ponto que sempre esteve presente na narrativa de Orange mas que, por ora e por motivos de uma importância da rebelião, estavam mais para escanteio. E aqui temos um aprofundamento da relação conturbada entre Nicky e Morello, deixando exposto o lado mais frágil de Lorna. Vejam bem, quando a série aborda as condições psicológicas das detentas, as atenções são sempre voltada para Suzanne (de quem falaremos mais a frente), quando temos Kukudio, Lolly e Morello. Esta última, Lorna, a louca, apontada com mais um dos apelidos pejorativos.

Lorna se junta definitivamente a Suzanne e a Lolly, encarceradas num sistema prisional que não tem o mínimo de preparo para lidar com pessoas que apresentam algum tipo de transtorno mental. Uma vez que não há locais apropriados para lidar com essas condições, e quando há as vagas são reduzidíssimas, restam a essas mulheres serem jogadas sem qualquer cuidado para o convívio coletivo. Lorna está começando a enfrentar um cenário que Suzanne enfrenta há muito e mais intensamente depois da morte de Poussey. Tampouco as amigas sabem muito bem como lidar com ela. Temos falado tanto do que todas as detentas querem e preicsam, mas e Lorna? e Suzanne? O jogo inventado por Abdullah  e Cindy até que ajudou Suzanne a lidar com tantas mudanças, mas Lorna está completamente sozinha e desamparada. Para além de qualquer condição da população carcerária, a situação de Suzanne e das outras é sempre algo que me impacta muito mais. Está aí um dos pontos que são garantias de acerto na abordagem do roteiro e da direção.

Imagem: Netflix/Reprodução

No âmbito das outras relações amorosas, Piper e Vause seguiram trocando alfinetadas por conta da nova onda de engajamento de Piper. E eu vou ter que concordar com Chapman: se Alex pode jogar o jogo e brincar de líder do grupo de detentas defensoras do fim da rebelião – com direito a apoio de Ruiz, uma das ex-líderes do levante -, Piper também pode fazer o que acha melhor pelas companheiras e pela condições da penitenciária. Chapman se juntou ao núcleo formado por Taystee e companhia e felizmente não o fez na condição de branca da classe média que tudo sabe. É muito importante que ela não ocupe esse papel, não deslegitimando todo esforço do grupo até agora.

E no meio de tudo, foi muito bonito e significativo ver a homenagem a Poussey e a “construção” de uma biblioteca livre, com a contribuição de todas, como de ver ser. Afinal, o acesso ao conhecimento é uma das demandas. O que deixou tudo muito massa e bem construído, mas foi um episódio difícil justamente por tudo o que resolveram abordar e pela forma como tivemos suas sequências finais. Deixou um sinal de que a barbárie imperará no fim das contas, como se não houvesse redenção nem reabilitação, não por se tratarem de detentas, mas porque do lado de fora é assim. Entretanto eu prefiro acreditar na cena da capela.

P.S.: Esse conselho de “anciãs” está muito maravilhoso!

P.S. 2: Adorei o Extreme Makeover Lichtfield Edition! Flores é maravilhosa!

P.S. 3: Que dó de Gloria sem saber nada sobre o filho.

P.S. 4: Flored continua sendo a melhor amizade da temporada e que cena maravilhosa foi Flores tentando seduzir o médico.

1 comentário

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    Bruno D Rangel 7 agosto, 2017 at 14:49 Responder

    Achei esse episódio bem ruim. Tirando a cena da nova biblioteca, todo o resto não levou a lugar algum praticamente.

    Preferia ver a Red como uma das líderes da rebelião, mas ela também está bem nesse papel meio ensandecido de tentar destruir Piscatella e entendo seus motivos.

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