Orange Is The New Black – 5×12 – Tattoo You

Imagem: Netflix/Reprodução

“Sem decepção, eu e ela não somos nada.”

Parecia que ia ser o alcance do sonho, as últimas braçadas, os últimos passos. O gosto da conquista estava na boca. Afinal, as demandas foram atendidas! Sim! Numa virada potencializada pela politicagem, as demandas das detentas da Penitenciária de Litchfield foram atendidas. Melhores tratamentos, educação, saúde. Um pouco mais de dignidade e de respeito aos direitos básicos. Um respiro depois de tanto sofrimento e de tanta luta, um movimento que marcaria o antes e o depois. No entanto, estava bom demais para ser verdade poderia ter sido o nome do episódio.

E quem diria que logo Taystee, a oradora, a representante, a debatedora real oficial colocaria tudo a perder. Não me entendam mal. Não estou dizendo que a culpa é de A ou B. Aliás, minto. A culpa disso tudo é do sistema prisional opressor e capitalista e do governo frouxo e omisso. Se tudo deu/dará errado, se tudo foi/for em vão, a culpa não é de Jefferson, nem de Daya, nem de nenhuma detenta. Mas Taystee de fato meteu os pés pelas mão e não soube racionaliza e sopesar tudo o que ela e toda as outras detentas haviam conquistados com a justiça por Poussey. Não sei o que faria no lugar de Taystee, tampouco sei se teria a força que ela teve para levar as negociações nas costas, todavia penso que não era a hora de botar tudo a perder. Conquistar 90% das demandas já era um passo alcançado inimaginável. Era isso o que deveria ter sido alcançando. Tal qual como Red, que não consegue ver um palmo além de sua justiça pelas atrocidades de Piscatella, Taystee também mergulhou fundo demais na justiça por Poussey.

Enquanto isso, a memória de Poussey ainda rondava a trama além dos muros, visto que numa atitude sem pé nem cabeça, ainda que desesperadora, vimos Bayley indo atrás do pai de Washington buscando migalhas de perdão. E ainda que o rapaz tenha dado com a cara na porta por não conseguir a redenção imediata que gostaria, e destaco que em termos de uma proposta de enredo essa opção muito coerente foi, ele rumou para um ostracismo por conta própria. O que tem um tom extremamente dúbio, pois ao mesmo tempo que é um ato de auto-comiseração, é também a chance de recomeçar. Por essa perspectiva, esse viés do recomeço é um ponto que sempre pairou pela série. Resta-nos um episódio mais para saber o destino de de Baxter.

Surpresa para alguns ou para todos, ninguém mais nem menos do que Maria Ruiz foi quem soltou os reféns. Num ato de desespero, ela pôs em prática o que pregou para Gloria no episódio anterior, fazendo o que achava que tinha ser feito. Ela só não contava que seria tão difícil assim dar a  volta em quem representava o governo. E aqui entra mais uma vez esse sentimento dúbio, tão costumeiramente provocado por essas personagens, pois ao passo que a condenamos pela traição, entendemos seus motivos. A história só não ficou boa para Gloria que, além ver se esvair pelo ralo a chance de estar com seu filho, ainda teve que ficar presa com Luschek.

Imagem: Netflix/Reprodução

Quem também se pegou em maus lençóis foi Linda, ao ter sua identidade realmente descoberta e logo por Big Boo, quem tanto apoio lhe estava dando. Só que por ela não houve pena, ainda que não quisesse que algo acontecesse a ela, é claro. Ela é personificação de uma tentativa de altruísmo e empatia que veio tarde demais por parte dos que comandam e detêm o poder. Por mais que Caputo a tenha enxotado da sala de negociações, ela podia ter tido a decência de se colocar e, quem sabe, dar um rumo diferente às coisas. Linda perdeu chances e agora, muito provavelmente, sofrerá duplamente as consequências por ser quem é ao mesmo tempo que é “mais uma” no balaio.

Enquanto isso, o embate entre Red e Piscatella se acentuou, e a cada hora que passava, Desi se tornava um ser mais desprezível, superando todos limites da condição humana. É insolente o distanciamento que ele estipula entre ele e as detentas de Litchfield, colocando-se como um agente de uma causa qualquer, pela qual se escusa de qualquer tipo de atrocidade cometida num passado longínquo ou recente. Difícil para ele enxergar a condição de seres humanos em igual patamar de direitos e deveres, porém mais difícil ainda para ele entender, estabelecendo para tanto uma escala de gravidade de delitos e de infrações, que foi ele quem deliberadamente cometeu um crime gravíssimo.

Paralelamente, Dogget extrapolava os muros da penitenciária, tendo alcançado o complexo de casas que servem de moradia para os guardas. E ali ela foi explorando o ambiente e aquele universo daquelas pessoas que ali habitam, primeiro usufruindo de suas benesses, até esbarrar nos pertences de quem? Sim. Coates. Então, como num estalo, todos os meus questionamentos sobre o propósito dessa trama se fizeram esclarecidos, especificamente quando ela vestiu a farda de Coates e se deitou em sua cama: Tiffany tem dado sinais de estar passando por uma espécie de síndrome de Estocolmo, um estado psicológico segundo o qual a vítima, exposta ao longo período de intimidação passa a se afeiçoar pelo agressor. Uma ótima opção de roteiro e abordagem, agora que as coisas ficaram mais claras.

Para não dizer que tudo só foi pedrada, o triângulo meio capenga formado por Nicky, Lorna e Vince nos encheu os olhos de lágrimas. Nicky deu uma aula de amor incondicional e isso resume essa trama. Além disso, expandindo o amor por Litchfield e numa explanação romântica de que ele supera o tempo e barreiras, Piper e Alex vão se casar!

No todo, “Tatto You” (5×12) seguiu bonitinho a cartilha de Orange, com direito a flashback e ainda tendo conseguido carregar bem a miscelânea de tramas propostas lá no início da trama, chegando até a concluir algumas; além de ter sido, é claro, um excelente abre-alas para a season finale.

P.S.: O que foi esse contato entre a mãe de Piper e a mãe de Suzanne? Uma super volta lá na primeira temporada, quando Suzanne só tinha olhos para seu dente-de-leão.

P.S. 2: E o que foi Ouija e Pidge passando mal? Suei frio por elas!

Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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    Bruno D Rangel 16 agosto, 2017 at 17:20 Responder

    Um ótimo episódio preparando terreno para a invasão. Tenho muito MEDO do que pode acontecer. Acredito que alguma das presas vai acabar morrendo por algum tiro “acidental”.

    Sinto falta de alguns personagens, como Lolly, Sam e Burset. Sei que eles estão deslocados do centro da prisão, mas acho que poderiam pelo menos mostrar um pouquinho deles hehehe.

    Vai sair a review do último episódio, ou vai terminar por aqui?

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