Os Assassinatos de Åre Crítica: Série tem suspense que prende, mas tropeça no drama

Se tem uma coisa que os escandinavos sabem fazer bem, é criar thrillers policiais com uma ambientação gelada e um clima de mistério sufocante. Os Assassinatos de Åre, nova aposta da Netflix no gênero Nordic noir, entrega exatamente isso: uma cidade isolada, um crime brutal e uma detetive determinada a desvendar a verdade, mesmo quando tudo parece estar contra ela.

A série acompanha Hanna Ahlander (Carla Sehn), uma investigadora que chega a Åre tentando escapar do caos de sua própria vida. Ela perdeu o emprego na polícia de Estocolmo, terminou um relacionamento e vê na cidadezinha um refúgio.

Mas logo percebe que a paz não vai durar muito tempo: uma jovem desaparece e Hanna se envolve no caso ao lado do detetive local, Daniel Lindskog (Richard Forsgren).

O que começa como uma investigação de pessoa desaparecida logo se transforma em algo muito mais sombrio, e a série não economiza em tensão e reviravoltas.

Os Assassinatos de Åre é um suspense que te prende do começo ao fim

Se tem uma coisa que Os Assassinatos de Åre faz bem, é segurar o espectador. A narrativa é bem amarrada, revelando pistas no momento certo, sem deixar tudo mastigado.

A investigação flui de maneira natural, e cada detalhe novo faz a história crescer ainda mais. Isso sem falar no visual: a paisagem nevada de Åre dá um clima quase claustrofóbico, deixando tudo mais intenso.

Outro ponto positivo é a estrutura da temporada. Os primeiros três episódios resolvem um caso inicial, mas em vez de encerrar a série ali, Os Assassinatos de Åre dá um passo além e nos apresenta um segundo mistério – um corpo congelado que traz novas perguntas e novas tensões. Isso impede que o ritmo caia, mantendo o interesse até o final.

O problema de Os Assassinatos de Åre está nos dramas paralelos

Enquanto a trama policial é bem conduzida, a série escorrega um pouco ao tentar desenvolver a relação entre Hanna e Daniel. Existe uma insinuação de romance entre eles, mas que, sinceramente, não faz muito sentido.

Daniel é casado e acabou de se tornar pai, então essa aproximação meio emocional, meio romântica, soa deslocada e desnecessária. Não é que os dois não tenham química, mas a história simplesmente não precisava disso.



Além disso, o roteiro poderia ter explorado mais o passado de Hanna e seu afastamento da polícia de Estocolmo. Sabemos que ela tem problemas, mas tudo é tratado de forma superficial, sem grande impacto no desenvolvimento da personagem.

Veredito: um ótimo Nordic noir, apesar dos tropeços

No fim das contas, Os Assassinatos de Åre é um prato cheio para quem gosta de mistérios e investigações policiais com um clima tenso e sombrio. A ambientação é incrível, a trama te prende, e o elenco manda bem.

Se tivesse focado apenas no suspense e deixado de lado algumas tentativas de inserir drama desnecessário, seria ainda melhor.

Vale a pena assistir? Com certeza. Mas vá preparado para ignorar algumas subtramas que não levam a lugar nenhum e aproveite o que a série tem de melhor: uma boa história de crime, mistério e segredos enterrados sob a neve.



Os Assassinatos de Åre Crítica: Série tem suspense que prende, mas tropeça no drama
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.