Os bastidores de Arquivo X: curiosidades por trás das câmeras

Arquivo X

Imagem: JoBlo

 

Quando a televisão ainda não era a pompa que é hoje, acredite, pois esse tempo realmente existiu, mentes que pensavam além estavam trabalhando em projetos que, muitas vezes, não eram bem vistos ou aceitos à época, seja pelos telespectadores, pelos executivos das emissoras e até mesmo pelos eleitores de premiações importantes – como o Globo de Ouro e o Emmy.

Entretanto, por incrível que possa parecer, isso nunca fora um problema para Arquivo X (ou The X Files, como preferir). A partir de 1994, o primeiro ano que o drama pôde competir no Emmy, a série recebeu sua primeira indicação pela qualidade da sua vinheta, chegando ao máximo, com uma nomeação a Melhor Drama, já em 1995. Além disso, sempre foi um grande sucesso de público e de crítica, apesar do tema um tanto difícil aos olhares da época.

O legado de Arquivo X é imenso e, ainda, mais interessante de se analisar pois, sem o shownão seria possível ter assistido à espetacular Fringe, a duradoura Supernatural ou a controversa Lost. Com dez temporadas exibidas, que inclui o revival levado ao ar no início de 2016, a série ainda é um promissor projeto a ser estudado, mas não por monografias, e sim por àqueles que mais gostam de televisão – você.

Tão bom, mas tão bom…

Imagem: HeadStuff

Imagem: HeadStuff

Lançado em 1991, O Silêncio dos Inocentes não serviu apenas para apresentar ao mundo o exótico e interessante Hannibal Lecter mas, também, para inspirar alguns pontos de Arquivo X. Um dos principais foi a construção de Dana Scully, personagem de Gillian Anderson, que foi inteiramente baseada na performance de Jodie Foster no longa que lhe rendeu um Oscar.

A interpretação de Gillian foi tão elogiada, mas tão elogiada, que os executivos da Fox à época incorporaram uma cláusula no seu contrato que não permitiria que a atriz interpretasse outra agente do FBI ao mesmo tempo. Foi aí que, no final dos anos 1990, surgiu a informação de que o filme Hannibal finalmente iria acontecer, fazendo que Gillian se tornasse uma forte candidata ao papel, caso Jodie Foster recusasse de participar da sequência.

Ela foi descartada, porém, em razão do seu contrato com a Fox.

Contatos de 3º Grau

Imagem: Netflix

Imagem: Netflix

Com todo o sucesso que Arquivo X fez durante sua exibição, é comum que, num determinado momento, o telespectador se pegue com o pensamento – “Porque diabos alguém pensou nisso?”. A resposta para a pergunta é, obviamente, muito interessante. De acordo com o BuzzFeed, o criador Chris Carter teve a ideia da série quando leu um relatório de que mais de 3.7 milhões de pessoas afirmaram terem sido abduzidas por alienígenas.

Entretanto, a pesquisa não foi a única fonte de inspiração. Exibida pela ABC de 1974 a 1975, Kolchak: The Night Stalker foi cancelada por ser “estranha demais” para época, está na lista dos materiais que Chris Carter usou para colocar sua ideia inusitada em prática

Reação Inesperada

Rupert Murdoch

Imagem: Wikipedia

Descrito como um dos homens mais sérios, sisudos e difíceis de agradar da indústria, Rupert Murdoch, um dos donos da News Corporation, que controla a Fox, teve uma reação bastante inesperada após assistir à sessão teste de Arquivo X. De acordo com Chris Carter, o executivo recebeu o projeto com um aplauso “espontâneo” e “contínuo”.

Apesar da boa recepção, a Fox não foi sempre camarada. Alguns quadros da emissora queriam substituir Anderson por uma atriz mais “glamourosa” e “chamativa” para o papel. Felizmente, tal “sugestão” nunca foi levada a diante.

Fora dos Padrões

Um dos primeiros roteiros escritos para o início da segunda temporada, batizado de Irresistible, focava num personagem com necrofilia, que nada mais é do que pessoas que sentem prazer por transar com cadáveres. Entretanto, o canal avaliou que a ideia era “inaceitável para os padrões da TV aberta.”

Para fazer com que o roteiro fosse produzido, os roteiristas mudaram um pouco as coisas. Ao invés de necrofilia, o episódio traria um homem com fetiche por morte. Após a mudança, a Fox aprovou a ideia e enfim as gravações começaram.

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Peça de Museu

Chris Carter na abertura da exibição de Arquivo X no Museu Imagem: Smithsonian Magazine

Chris Carter na abertura da exibição de Arquivo X no Museu Imagem: Smithsonian Magazine

Para os recém chegados ao universo televisivo terem uma ideia do tamanho do impacto que Arquivo X teve à época em que foi exibido, assim que a série terminou, o National Museum of American History (Museu Nacional da História dos Estados Unidos), administrado pelo governo federal, adquiriu diversos itens do cenário do drama para exibição ao público.

Durante todo o ano de 2016, somente o museu recebeu o segundo maior público daqueles administrados pela união – 2.6 milhões de pessoas.

Direitos Iguais

Mesmo sendo uma época que o feminismo não era muito discutido na indústria do entretenimento, mesmo depois da queima dos sutiãs em 1968, Gillian Anderson aceitou trabalhar em Arquivo X com apenas uma condição – receber o mesmo salário de David Duchovny, até porque, eles teriam a mesma programação de trabalho, diálogos e tempo longe de casa. Surpreendentemente, a Fox cedeu às exigências da atriz.

Imagem: The Huffington Post

Imagem: The Huffington Post

Entretanto, durante as negociações do revival de 2016 todos os esforços da década de 1990 pareciam ter sido em vão. Isso porque a emissora ofereceu a atriz apenas metade da quantia que Duchovny receberia pelo mesmo trabalho. “Eu fico surpresa que muitas entrevistas não tocaram no assunto porque é a verdade,” disse Anderson em entrevista ao The Hollywood Reporter.

“Especialmente nesse clima das mulheres estarem falando sobre pagamento desigualmente nessa indústria, eu penso que é importante ser ouvida e ter uma voz. Foi chocante pra mim, principalmente colocando em perspectiva todo o trabalho que eu passei no passado para que recebêssemos igualmente. Eu passei por muita coisa até que fosse atendida,” completou.

 

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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