Os bastidores de Lost: curiosidades por trás das câmeras

Imagem: ABC/Divulgação

Há 74 anos atrás o empresário do ramo de chocolates, Edward John Noble conseguia uma autorização da FCC (Federal Communications Commission) para fundar a American Broadcasting Company, mais conhecida como ABC. Muita história foi feita durante essas mais de sete décadas na televisão – Sucessos, fracassos, grandes momentos e crises de audiência.

Desde The Flintstones, quando a televisão americana ficou de joelhos para as séries-família, até mostrar a ousadia de colocar futebol na sua grade de programação com o Monday Night Football, que hoje faz parte do conteúdo oferecido pela ESPN. Poderíamos ficar aqui escrevendo páginas e páginas da importância da ABC para a televisão mundial e ao povo americano, mas não é a nossa intenção.

Pensei em comentar uma das principais séries da ABC que representa esse espírito de pioneirismo, ousadia e sucesso. Qual seria? Grey’s Anatomy, sem sombra de dúvida, por ter redefinido a maneira de fazer série médica na televisão. O problema? Já falamos dela anteriormente. Sobrou para Lost, uma das produções mais comentadas, reverenciadas e polêmicas que o canal já lançou.

Mudança

Imagem: ABC/Divulgação

O personagem de Sawyer foi originalmente concebido para ser mais velho, esperto e um vigarista engravatado da cidade de Buffalo, estado de Nova York. Entretanto, quando Josh Holloway esqueceu uma linha do texto durante a audiência ele chutou uma cadeira e gritou como resultado da sua frustração, os roteiristas gostaram tanto daquela espontaneidade e explosão que ele trouxe ao personagem, que eles reescreveram e redefiniram as características para que Sawyer fosse mais sulista, obscuro e explosivo. Josh, logicamente, ficou com o personagem.

MoneyMoney

Imagem: Allied States/Divulgação

O piloto de duas horas de duração foi o mais caro para se produzir da história da ABC. Ele custou entre 10 e 14 milhões de dólares para ser feito, bem diferente da média dos 04 milhões de dólares que custam um episódio piloto comum.

As gravações começaram em março de 2004, com os testes de som e as cenas do interior do avião feitos em Los Angeles, sendo a locação primária numa das ilhas do Havaí, Oahu. A carcaça do avião 815 foi feita numa Lockheed L-1011 em 1972, usado pela Delta até 1998, onde a ABC comprou tal equipamento e o transportou ao Havaí.

Vale lembrar que a distância de um estado para outro é de 3.9 mil quilômetros.

Anatomia de um desastre

A série começou em desenvolvimento na Summer Season de 2003 quando Lloyd Braun, então chefe de programação da ABC, comentou com os executivos ideias primárias da série e descreveu o projeto como um cruzamento entre o filme Náufrago e o reality show popular Survivor, da CBS.

Semanas depois, o veterano produtor Aaron Spelling disse que queria fazer um piloto de Lost e a ABC não pensou duas vezes e encomendou um episódio para avaliação, sem sequer ter um roteiro em mãos. Quando o texto ficou pronto em dezembro de 2003, Braun odiou e pediu que tudo fosse reescrito.

Outra versão do roteiro ficou pronta em janeiro, que ficou ainda pior. Lloyd resolveu contatar J.J. Abrams, cuja Alias foi um grande sucesso para a ABC, em busca de conselhos. À primeira vista, o produtor ficou hesitante, mas aceitou quando soube que trabalharia com Damon Lindelof. A terceira versão do piloto foi aprovada e o canal adorou.

O problema é que a demora para ter um roteiro fez com que os prazos ficassem extremamente apertados para que Lost entrasse no ar na data prevista. Apesar da exibição bem sucedida, a Disney, que comanda a ABC, pediu a cabeça de Braun pelo alto custo do piloto de Lost e o risco que impôs à empresa.

Culpe o Canadá

Imagem: ABC/Divulgação

Evangeline Lilly foi uma das últimas atrizes a serem escaladas no elenco da série, mas o fato dela ser uma cidadã canadense gerou preocupação nos produtores de que ela não conseguiria obter o visto de trabalhador americano, que ela precisava para gravar a série durante o tempo que a produção tivesse.

A produção atrasou todas as cenas de Kate quando estava gravando o piloto, para ter certeza que ela conseguiria aplicar e receber o visto a tempo. O problema é que quando ela foi escalada, ela não tinha uma experiência muito grande como atriz, o que gerou uma enorme dificuldade para provar ao governo americano que Lilly merecia uma classificação “artista com uma habilidade extraordinária”.

Quando eles gravaram todas as cenas sem Kate, ela finalmente conseguiu o visto obrigatório para trabalhar nos Estados Unidos. No mesmo dia, ela foi colocada num avião do Canadá e voou diretamente para gravar.

Segundo a ciência

Imagem (da esquerda para direita): Michael Faraday (Encyclopedia Britannica/Divulgação) e Hermann Minkowski (Hippo Wallpapers/Divulgação)

Os showrunners Damon Lindelof e Carton Cuse deram uma entrevista a revista Entertainment Weekly em que revelaram que os nomes dos personagens Daniel Faraday e George Minkowski foram alusões aos cientistas Michael Faraday e Hermann Minkowski, respectivamente.

Michael Faraday foi um físico e químico que contribuiu para o entendimento de como o eletromagnetismo funciona, enquanto o personagem da série também era um físico cujo trabalho experimental envolvia magnetismo.

Hermann Minkowski foi um matemático e físico experimental cujo trabalho ajudou a explicar a teoria especial de Einstein da relatividade no contexto do tempo espacial de quatro dimensões.

Rapidinhas

Partes do avião usado na gravação do episódio piloto também serviram como instrumentos de percussão que podem ser escutados na trilha sonora.

Mais de cinquenta bebês foram trazidos para interpretar Aaron.

O Voo 815 (de Sidnei a Los Angeles), decolou no dia 22 de setembro de 2004. Mesmo dia que o piloto foi exibido nos Estados Unidos.

Quando a série foi exibida pela primeira vez no Reino Unido pelo Channel 4, o episódio foi visto por mais de seis milhões de telespectadores. Tal número fez com que Lost se tornasse a série americana mais assistida da história do canal.

Jorge Garcia, o primeiro ator a ser escalado, perdeu o casamento da irmã para gravar a série no Havaí.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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