Os bastidores de Six Feet Under: curiosidades por trás das câmeras

Imagem: Rolling Stone

Foram poucos àqueles que conseguiram fazer o telespectador rir e chorar ao mesmo tempo abordando um tema tão complexo como a morte. Felizmente, a televisão sempre nos brindou com mentes à frente do seu tempo, muitas vezes incompreendidas como os idealizadores de The Comeback com Lisa Kudrow, mas outros referenciados como Alan Ball e a sua vontade por explorar o novo, o temido e o complicado. Tais qualidades que todo homem do entretenimento deveria ter, nos trouxe Six Feet Under

Com o devido reconhecimento de ter lançado Michael C. Hall ao estrelato, onde posteriormente seria chamado para o principal trabalho da sua carreira em DexterSix Feet Under foi mais do que uma oficina de bons atores. Reafirmou a HBO como lar de dramas de qualidade e de uma proposta diferente, como também mostrou aos roteiristas iniciantes que ousadia, apesar de perversa para quem pretende seguir os caminhos da TV aberta, é sempre a escolha certa.

Premiada nas mais diversas categorias, a série conseguiu seu lugar ao sol e na lista das produções mais memoráveis e de maior qualidade que a televisão mundial já viu. Sabendo disso, nós resolvemos homenagea-la e descobrir um pouquinho mais o que aconteceu nos bastidores de um dos dramas mais importantes da década passada.

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Entrando no papel

Quando Rachel Griffiths (intérprete de Brenda Chenowith) leu o roteiro e indicou aos produtores que ela tinha interesse na personagem, os integrantes da equipe de produção ficaram preocupados de que seu sotaque americano que a atriz traria não seria bom o suficiente para compor o papel corretamente, visto sua descendência australiana. Ela foi comunicada de tal apreensão e quando chegou aos Estados Unidos, estava falando com uma pronúncia tão perfeita que conseguiu o papel sem a menor hesitação.

Inspiração

A inspiração incial para a série veio de Carloyn Strauss, a então Presidente da Divisão de Entretenimento da HBO, que antes mesmo de reunir-se com Alan Ball, o criador e showrunner de Alan Ball, assistiu o filme O Ente Querido (de 1965) que foi baseado no livro de The Loved One (de 1945), que mostrava uma versão satírica da indústria de funerais. Ball, entretanto, inspirou-se no livro de Jessica Mitford chamado de The American Way of Death e o ensaio de Thomas Lynch –  The Undertaking: Life Studies.

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Contagem de corpos

Imagem: SFGate

Durante o curso de todas as séries muitas pessoas, logicamente, morreram e o número e o motivo foram a seguinte – 13 pessoas morreram de causas naturais; 10 relacionados a acidentes de carros; 11 foram assassinadas; 08 cometaram suicídio; 09 acabaram falecendo em virtude de ferimentos na cabeça; 05 morreram de câncera e 22 pessoas de outras complicações. O total foi de 78 cadáveres, que para efeitos de curiosidade é o mesmo número de pessoas que morreram no trânsito da região metropolitana de São Luís em 2016, segundo dados da Secretaria de Segurança do Maranhão.

Quanto mais tragédia melhor

Imagem: HBO

Depois de ler um rascunho do episódio piloto escrito por Alan Ball, o então Presidente de Programação da HBO, disse ao produtor – “Quer saber de uma coisa? Eu gosto muito disso aqui, é realmente muito bom. Eu gosto dos personagens, eu amo essas situações, mas parece que você jogou um pouco na zona de conforto. Será que dá para ferrar a vida deles um pouco mais?” Para seguir tais intruções, no terceiro episódio da primeira temporada, Ball colocou Claire furtando uma perna do necrotério e colocando no armário do seu namorado.

Pioneirismo 

Imagem: Smosh

Six Feet Under foi a primeira série de televisão, ou pelo menos a primeira grande e de um canal importante, a trazer relacionamentos homossexuais de uma forma casual, assim como um casal formado por um homem e uma mulher. É verdade que Queer as Folk foi lançada mais ou menos à mesma época pela Showtime, mas de acordo com estudiosos da área, o drama criado por Ron Cowen e Daniel Lipman tinha como tema a rotina da comunidade LGBTQ, diferentemente de Six Feet Under que não trouxe a diversidade como uma novidade, mas sim como algo corriqueiro.

Vida real

No sétimo episódio da quinta temporada, chamado de The Silence, um homem tem um ataque cardíaco no momento que assistia uma peça. Tal cena foi algo presenciado na vida real por Alan Ball. O mais irônico de tudo é que o ator que interpretou o personagem falecido na série, morreu de um ataque cardíaco na vida real um mês após o episódio ser exibido.

Engraçadinha demais

Na audição para interpretar Claire, Anna Faris tentou interpretar a cena onde a adolescente, que está completamente chapada, descobre que seu pai morreu. Sabe-se que Alan Ball não conseguia parar de rir durante o teste para a personagem, mas o problema é que a atriz não estava se esforçando, nem um pouquinho, ser engraçada. Lauren Ambrose, eventualmente, conseguiu o papel por conseguir entregar o tom dramático exato que a personagem precisava.

Uma nota, por favor

O lendário compositor Thomas Newman, indicado a 14, repito 14 prêmios Oscar, foi o responsável por escrever primeiramente a música antes da música, imagens e vídeos serem criados ou até mesmo pensado pelos envolvidos. A árvore foi filmada posteriormente perto do Lago Washington, mas após ter sido comprada por 400 dólares de um residente de Seattle, maior cidade do estado de Washington, onde foi arrancada e realocada na área desejada.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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