Os Donos do Jogo prova que o Brasil também saber fazer máfia | Review

Mesmo com clichês, série brasileira Os Donos do Jogo prova sua força na Netflix.

A nova série brasileira Os Donos do Jogo, da Netflix, chegou com a promessa de ser o primeiro grande drama de “máfia tropical” do streaming — e, apesar dos clichês, cumpre o que promete: é uma produção envolvente, visualmente marcante e recheada de atuações intensas.

Criada por Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Bruno Passeri, a trama mergulha no submundo do Rio de Janeiro e mistura política, crime, jogos ilegais e poder, com uma ambição que lembra os grandes épicos mafiosos da TV.

A ascensão (e queda) de Profeta

O protagonista Profeta (André Lamoglia) é o coração da série — e também o espelho de um país movido por ambição e corrupção. Vindo do interior, ele chega à capital com a missão de expandir os negócios da família e acaba mergulhando em um universo dominado por clãs de bicheiros, interesses internacionais e traições familiares.

A trajetória de Profeta segue a clássica linha de ascensão e queda: o jovem idealista que se torna parte do mesmo sistema que jurou desafiar. É uma fórmula já conhecida, mas que aqui ganha ritmo e intensidade. A cada episódio, o personagem afunda mais no jogo do poder, até descobrir que, em um mundo governado por dinheiro e sangue, ninguém realmente vence.

Apesar do roteiro previsível em certos momentos, Os Donos do Jogo compensa com uma direção energética e uma atmosfera cinematográfica que lembra produções como Narcos e Peaky Blinders, mas com identidade brasileira.

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Imagem: Divulgação/Netflix.

Clichês com estilo — e propósito

A série Os Donos do Jogo é repleta de olhares tensos, reviravoltas explosivas e dilemas morais que, embora familiares, funcionam bem dentro da narrativa melodramática. O roteiro pode ser “óbvio e repetitivo”, como pontuou o Leisurebyte, mas o exagero é parte do charme. Cada confronto, cada negociação e cada traição são filmados com o peso de uma tragédia moderna, onde todos buscam o trono, mas poucos sobrevivem para sentar nele.

O maior mérito está na maneira como a série transforma o óbvio em espetáculo. A direção aposta em uma fotografia quente e urbana, com enquadramentos que destacam o contraste entre luxo e violência, entre os salões de apostas e as vielas do submundo carioca.

Mulheres poderosas, mas à sombra dos homens em Os Donos do Jogo

Um dos temas mais interessantes de Os Donos do Jogo é a forma como as mulheres ocupam — e desafiam — os espaços dominados pelos homens. Leila (Juliana Paes), Mirna (Mel Maia) e Suzana (Giullia Buscacio) representam figuras que pensam e agem estrategicamente, mesmo quando são subestimadas.

A crítica internacional destacou justamente essa camada: as mulheres são frequentemente as verdadeiras articuladoras do poder, mas continuam sendo empurradas para o segundo plano. Ainda assim, a série reconhece essa injustiça e transforma essa tensão em motor dramático.



Leila, em especial, surge como uma das personagens mais complexas. Juliana Paes entrega uma performance intensa, equilibrando frieza e vulnerabilidade, enquanto Leila tenta conciliar ambição e sobrevivência em um mundo que não perdoa fraquezas.

Os Donos do Jogo Xavier
Imagem: Divulgação/Netflix.

Elenco afiado e química em cena

Além de André Lamoglia e Juliana Paes, o elenco é um dos grandes trunfos da série. Xamã, em sua estreia em um papel de destaque, surpreende como Búfalo, o líder carismático e violento que domina o império familiar com punhos de ferro.

A química entre Lamoglia e Mel Maia é outro ponto forte. A relação entre Profeta e Mirna passa de pura rivalidade para uma tensão emocional que mantém o público atento — e o jogo entre os dois é um dos eixos centrais da narrativa.

Mesmo quando o roteiro escorrega para o previsível, o elenco consegue sustentar o drama com intensidade e presença.

Os Donos do Jogo virou um sucesso global com DNA brasileiro

Apesar das críticas aos clichês, Os Donos do Jogo rapidamente conquistou o público. Segundo dados do FlixPatrol, a série estreou entre as 10 produções mais assistidas da Netflix no mundo, alcançando a 6ª posição poucos dias após o lançamento.

Apresentada como “a primeira série de máfia brasileira”, a produção equilibra o ritmo frenético dos thrillers internacionais com o retrato social do Brasil. A legalização dos cassinos, a influência estrangeira no crime organizado e as disputas políticas formam o pano de fundo de um enredo que é, ao mesmo tempo, ficção e espelho da realidade.

Veredito: um drama que sabe jogar

Mesmo com suas repetições, Os Donos do Jogo prova que o audiovisual brasileiro tem fôlego para disputar espaço no cenário global. O roteiro não reinventa a roda, mas entrega ritmo, emoção e uma estética de alto nível que prende o público até o último episódio.

É o tipo de série feita para ser maratonada: cheia de excessos, intrigas e personagens que brilham justamente por serem imperfeitos.

Nota final: 7,5/10 —
Um melodrama de poder e ambição que não teme o exagero. Mesmo quando joga com cartas marcadas, Os Donos do Jogo mostra que o Brasil finalmente entrou para valer na mesa dos grandes thrillers da Netflix.



Os Donos do Jogo prova que o Brasil também saber fazer máfia | Review
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.