Mesmo após conquistar o público e se firmar como a série mais assistida da Netflix no Brasil, Os Donos do Jogo não escapou de uma crítica recorrente entre especialistas e parte da audiência: a falta de originalidade em sua narrativa.
Criada por Heitor Dhalia, a produção se tornou um sucesso imediato por seu retrato intenso do submundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro e pela performance magnética de André Lamoglia, Mel Maia e Giullia Buscaccio. Mas, por trás do ritmo acelerado, das tramas de poder e das reviravoltas constantes, há um problema que compromete o impacto da história — a sensação de “já vi isso antes”.
Um roteiro previsível em meio ao caos de Os Donos do Jogo

Assim como destacou a crítica internacional, que analisou a série sob o título original Rulers of Fortune, o grande erro de Os Donos do Jogo é apostar demais em fórmulas repetidas do gênero. O enredo, centrado em disputas familiares e traições dentro de um império criminoso, não traz muitas surpresas — e em vários momentos, parece preso ao próprio melodrama.
A ascensão e queda de Profeta (Lamoglia) seguem um arco já familiar ao público: o jovem ambicioso que se deixa corromper pelo poder, enquanto é cercado por inimigos dentro da própria família. Ainda que o tema continue fascinante, a série carece de momentos de respiro e de aprofundamento emocional, optando por intensificar a ação sem explorar novas camadas de seus personagens.
Personagens planos e poucas inovações
Outro ponto apontado por críticos é o tratamento superficial de parte do elenco secundário. Enquanto Leila (Juliana Paes) se destaca com motivações complexas e presença marcante, os demais personagens parecem reciclados de outras produções do gênero — “planos e sem muito a dizer”, como definiu o texto original.
Os Donos do Jogo é, sem dúvida, uma das séries mais envolventes e bem produzidas da Netflix Brasil, mas também há de se entender que falta inovação na trama. A série entrega espetáculo e tensão, mas evita arriscar — e, nesse jogo, talvez esse seja o seu verdadeiro erro.