Os melhores filmes de 2021

Além da TV, temos um amor incondicional pelo Cinema. Por isso, listamos os dez melhores filmes de 2021.

melhores filmes de 2021
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Ah, o Cinema. Este parceiro constante que, ao lado da TV, nos ajudou a passar pelos últimos meses. Depois de 2020, a Sétima Arte buscou se reerguer de todas as formas. Aos poucos, filmes chegavam às salas e pessoas compravam ingressos. As plataformas de streaming tiveram papel importante neste momento de crise. A prova disso são os vários filmes que aparecerão nesta e em tantas outras listas de melhores filmes de 2021.

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Neste sentido, 2021 foi um excelente ano para o Cinema. Apesar de todas as dificuldades, tivemos uma porção considerável de grandes obras lançadas. A lista de melhores filmes de 2021, por exemplo, é muito melhor que a de 2020. Há filmes melhores e mais diversos. Foi difícil, aliás, selecionar apenas 10. Uns cinco ou seis filmes poderiam entrar na lista com honras. Além disso, muitos destes finalistas poderiam ocupar a primeira posição, tamanho o nível de todos os selecionados.

O ano se finda e, sem mais delongas, listamos abaixo, em ordem decrescente, os melhores filmes de 2021.

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10 – A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino

A Mão de Deus

Tem sido comum, na última década, ver grandes diretores se voltarem às suas lembranças para criar histórias. Alfonso Cuarón revisitou a infância em Roma enquanto Kenneth Branagh chega à corrida do próximo Oscar com o nostálgico Belfast. Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar por A Grande Beleza, faz uma viagem no tempo e volta a Nápoles, sua terra natal. Lá, conta a história de um jovem sem muitas perspectivas, mas com uma adorável família. Sorrentino usa todas as suas armas costumeiras, desde o realismo fantástico até a devoção absoluta à beleza feminina. No fim, mistura futebol, amor e dor em uma belíssima fábula. De fazer rir e se emocionar na mesma medida.

9 – Relatos do Mundo, de Paul Greengrass

Relatos do Mundo

Enquanto jornalista, Relatos do Mundo em muito me emociona. Mostra, de forma clara, o poder da notícia e a curiosidade intrínseca da humanidade em saber, conhecer e discutir. Em um universo completamente distinto do de hoje, as notícias vagavam por meses até chegar aos ouvidos atentos da população que desbravava os cantos inóspitos dos Estados Unidos. Assim, o Capitão de Tom Hanks viaja pelo país levando os principais jornais consigo e lendo as notícias para quem quiser ouvir. Em sua odisseia solitária, mas recompensadora, encontra uma menina cuja família foi inteiramente assassinada. Como Hanks é o bom moço do Cinema, ele coloca a garota sob sua asa e a leva em sua jornada. Com direção precisa de Paul Greengrass (United 93, O Ultimato Bourne) e trilha sonora impecável, Relatos do Mundo é de beleza ímpar.

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8 – The Killing of Two Lovers, de Robert Machoian

The Killing of Two Lovers

Ao término de The Killing of Two Lovers cheguei à constatação de que o longa independente de Robert Machoian não tinha nenhum frame ou diálogo fora do lugar. Enxuto em seus 85 minutos, o drama carrega uma atmosfera claustrofóbica enquanto acompanha David, um homem que luta contra o fim iminente de seu casamento. O grande acerto do filme, além da atuação irretocável de Clayne Crawford e da fotografia, é o roteiro que constrói personagens sensatos.

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Aqui, as pessoas conversam e se ouvem na medida do possível, tentando encontrar alternativas coesas para seus problemas. Ao ouvir a filha criticar a mãe, por exemplo, David repreende a menina, evitando que a jovem crie uma imagem negativa da mulher. The Killing of Two Lovers é sincero e dolorido, mas também amoroso e belo. Além disso, é um dos mais articulados ao discutir ansiedade e masculinidade tóxica. Marca, assim, um dos melhores filmes de 2021.

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7 – Nomadland, de Chloe Zhao

Nomadland

Alguns anos no futuro, quando precisarmos recorrer a um filme que exprima a sociedade dos anos 2010, chegaremos a Nomadland. Dirigido com um naturalismo tocante por Chloe Zhao, Nomadland conta o que veio depois das crises econômicas e sociais que tanto já ganharam as telas de Cinema e TV. De trabalhos irregulares à condições insalubres, os nômades carregam vidas inteiras em seus carros e trailers. Frances McDormand, com seu rosto expressivo, faz muito dizendo pouco. Enquanto a câmera passeia com leveza pelas belas locações, vemos um sonho americano que já se foi, e que existe apenas em sonhos e teoria. Um país que seguiu em frente, mas esqueceu de levar os seus consigo.

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6 – Não Olhe para Cima, de Adam McKay

Não Olhe para Cima

Depois de construir a primeira parte de sua carreira ancorada em comédias tradicionais, Adam McKay enveredou para um campo mais sério. Embora não tenha abandonado o humor, fica clara a intenção do roteirista e diretor em tornar seu discurso relevante e atual. Esta nova abordagem rendeu os excelentes A Grande Aposta e Vice, além de Succession, série da HBO da qual é parte fundamental. Não Olhe para Cima, então, é o longa que melhor sintetiza essas duas faces de McKay e mistura, com brilhantismo, o humor escrachado de antes com o texto crítico de agora. Apesar dos duros paralelos com a realidade, Não Olhe para Cima é um dos melhores filmes de 2021 e o retrato mais fiel dos últimos – loucos – anos.

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5 – O Último Duelo, de Ridley Scott

O Último Duelo

Ridley Scott, quando quer, entrega grandes filmes. Entregue a ele um roteiro cirúrgico e um elenco talentoso e o sujeito faz bela arte. O Último Duelo é um de seus filmes mais coesos, e traz a escala épica de Gladiador com o texto bem amarrado de O Gângster. Em sua versão de Rashomon, Scott traz a história do último duelo “legal” da França. Isso porque, à época, duelos até a morte eram permitidos ou não pelo rei, caso este julgasse que o confronto fosse a única e última alternativa. O roteiro analisa os fatos através de três perspectivas diferentes que enriquecem cada momento. Aqui, Scott demonstra estar em sua melhor fase, no ápice de seu talento. As cenas de ação são calibradas de impacto e o drama toca fundo, principalmente através de Jodie Comer, impecável.

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4 – A Lenda do Cavaleiro Verde, de David Lowery

A Lenda do Cavaleiro Verde

David Lowery é um dos diretores mais interessantes da nova geração. Depois de comandar A Ghost Story e Um Ladrão com Estilo, o cineasta já teria créditos suficientes. Com A Lenda do Cavaleiro Verde, entretanto, o diretor reforça o seu talento enquanto escritor e o seu olhar apurado para a construção de belos quadros e sequências. Voltando ao campo da fábula, que ensaiou em Meu Amigo o Dragão e A Ghost Story, Lowery adapta um poema clássico com robustez narrativa e visual aterrador. Dev Patel está em seu melhor como Sir Gawain e a produção encanta em cada aspecto técnico: da direção de arte até a fantástica trilha sonora. Se houvesse justiça no mundo, o longa já teria garantido uma porção de Oscar.

3 – Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg

Amor Sublime Amor

Permita-me afirmar: Steven Spielberg é o melhor diretor vivo. Não há ninguém, em nenhum país, que domine o Cinema como ele. O cineasta sabe como contar uma história, seja ela simples ou complexa, e sabe como usar uma câmera. Estes dois talentos somados formam um artista completo. Amor, Sublime Amor é o primeiro musical do diretor e é como se ele tivesse nascido para comandar musicais. Assim como ele dominou a ficção, o filme de guerra, a aventura e mesmo o horror. Assista à sequência do baile ou à dança na ruas ao som de America e testemunhe um cineasta em total domínio de suas faculdades. Com dois Oscar de Melhor Direção no bolso, merecia o terceiro, com as honras que só um mestre alcança.

2 – Ataque dos Cães, de Jane Campion

Ataque dos Cães

Ataque dos Cães é uma obra de detalhes, um filme que só poderia ser concebido com a sensibilidade da Jane Campion. A cineasta, aliás, passeia pela história sem jamais cair em chavões. Ataque é um faroeste, uma narrativa sobre um tempo perdido, um limbo monstruoso entre o tempo de ontem e o de agora. É um filme, portanto, que parece convulsionar, sem jamais transparecer, sobre a batalha de gerações e de costumes. Ataque dos Cães é, em pequena e larga escala, sobre a virada de chave, sobre assumir um novo mundo e deixar elos ultrapassados para trás. Para proteger nós mesmos e quem amamos. O final, digno dos grandes suspenses, funciona perfeitamente porque investimos tudo o que tínhamos em personagens e relações multifacetadas. Benedict Cumberbatch é um assombro ao som da excelente trilha de Jonny Greenwood.

1 – Meu Pai, de Florian Zeller

Meu Pai

À primeira vista, Meu Pai é um filme difícil. Como toda obra-prima, entretanto, o longa cresce em uma segunda visita. Aqui e ali é possível notar a destreza de Florian Zeller enquanto diretor e roteirista. Ao entrarmos na mente de Anthony, Zeller usa todas as ferramentas ao seu dispor para causar o mesmo desconforto que o protagonista. Assim, é sublime o modo que o filme encontra para materializar e exemplificar a turbulência pela qual Anthony passa. Da direção de arte que transforma o apartamento em uma representação física de sua mente abalada até os personagens que mudam de rosto, Meu Pai é de uma sensibilidade pouco vista. A joia absoluta, entretanto, é Anthony Hopkins. Um dos maiores atores da história entrega uma de suas melhores performances. Certeira, dilacerante, única. Como o filme em que estrela.