Os Pesadelos e Paisagens de Stephen King – Parte 2

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Stephen King volta para o centro do debate. Dessa vez, porém, Da Estante Para a TV destrincha algumas minisséries e telefilmes pouco conhecidas do público. O intuito é levar você, leitor, a conhecer adaptações um tanto ignoradas de histórias criadas por King. Assista e tire suas próprias conclusões. E como o próprio Stephen King gosta de dizer em seus prefácios: dê-me a mão, Leitor Fiel, e me acompanhe enquanto a luz ainda está acessa e a noite calma. A porta está trancada? Certeza? Então vamos.

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big-driver_t107425_jpg_290x478_upscale_q90Big Driver é a mais recente adaptação de uma obra de Stephen King na TV. Telefilme produzido pelo canal Lifetime, Big Driver acompanha uma escritora, Tess, que, após uma palestra, apanha um atalho ao voltar para casa. No caminho, porém, o pneu do carro fura e Tess é socorrida por um motorista que ali passava. Gigantesco, o homem, simpático a princípio, se mostra um monstro ao sequestra-la, estuprá-la e espancá-la quase que até a morte. Ao acordar, jogada em um duto de esgoto, Tess resolve se vingar do “motorista gigante” e nada irá pará-la. Big Driver aborda temas comuns em várias histórias de King: mulher forte, protagonista escritor e vingança. King, como pouco autores do sexo masculino, consegue construir uma personagem feminina forte e independente, daquelas que não precisam de um homem para nada. Se a ajuda de um homem para trocar um pneu no início a coloca em uma posição de mulher frágil, o que vem a seguir a eleva ao papel de guerreira. É quase como se Tess decidisse nunca mais receber ajuda de nenhum homem. Apesar da personagem valente (e da boa atuação de Maria Bello) e da trama de vingança, Big Driver parece funcionar muito mais nas páginas do que na TV. As conversas que a personagem alimenta com cadáveres e com o GPS (sim, ela conversa com a voz do GPS do carro) funcionam no papel, mas soam estranhas e deslocadas na telinha. É um bom filme, mas esvanece da memória com facilidade.

poster 3Assim como Big Driver, Mansão Marsten é dirigida por Mikael Salomon (responsável por várias boas minisséries e telefilmes). A diferença é que Mansão Marsten é uma minissérie de três horas dividida em duas partes e exibida na TNT em 2004. Além disso, Salem’s Lot (título original tirado diretamente do livro homônimo) é uma adaptação bem mais competente que o curto filme do Lifetime. Baseada em um dos clássicos livros de King, Salem’s Lot revela sua força no elenco e na cuidadosa criação do suspense. O mistério percorre a trama e o estilo de King parece impresso na maioria das cenas. A esta altura, todos devem sabem qual o segredo da Mansão Marsten, ainda assim, não revelarei o vilão da história; o bom é assistir sem saber nada sobre os personagens e sobre a trama. Ainda que criticada por muitos, considero esta como uma das melhores adaptações feitas para a TV de uma criação de King. Estrelada por Rob Lowe e Andre Braugher (ambos atuando em comédias hoje em dia), Mansão Marsten tem seus problemas, mas possui um clima bacana, com ótima ambientação e uma história envolvente.

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MOV_3392ef77_bOutra minissérie baseada em um famoso livro de Stephen King é Saco de Ossos. Dirigida por Mick Garris, que já trabalhara várias vezes com King anteriormente, a minissérie estrelada por Pierce Brosnan começa bem, mas derrapa miseravelmente na metade final. Pra começar, Saco de Ossos é um livro menor na carreira do escritor. Além disso, Brosnan não é o melhor dos atores. Além disso, a trama percorre um perigoso caminho entre o real e o fantástico que, às vezes, não funciona. Mais uma vez tento um escritor como protagonista, a história nos apresenta Mike Noonan, um escritor passando por um terrível bloqueio mental após a morte da esposa. Decidido a voltar à ativa, Noonan viaja para sua casa de verão. É aí que o mistério começa: o local está cheio de segredo e até a morte da esposa se mostra um enigma. Tem bons momentos e, como a maioria das minisséries baseadas em King, é fiel ao material original. No final, porém, o resultado não é muito positivo. Uma curiosidade é que Garris queria levar o livro ao Cinema, mas desistiu alegando que o Cinema, hoje em dia, só dá atenção a heróis, remakes, reboots, sequências, etc. Assim, apelou ao celeiro da liberdade criativa: a televisão.

desperation-666709lMick Garris também é o responsável por Desespero, telefilme exibido pela ABC em 2006. Garris foi responsável por Sonâmbulos, A Dança da Morte e a versão televisiva de O Iluminado, todos baseados em histórias de King. Ainda que se esforce, o diretor geralmente falha em suas adaptações. A pior delas talvez seja Desespero. Baseado em um livro pouco conhecido no Brasil, o filme acompanha um policial que para viajantes em uma rodovia e os seqüestra, levando-os para Desespero, uma pequena cidadezinha cheia de mistérios. Desespero é um livro complicado. Para começar, o livro, lançado em 1996, é uma espécie de projeto experimental de King. Lançado juntamente a Os Justiceiros, também escrito por King, mas sob o pseudônimo de Richard Bachman, Desespero foi uma tentativa do escritor em usar os mesmos personagens em livros e universos diferentes. O filme realmente não funciona: o elenco é fraco (apesar de contar com bons atores), os efeitos especiais vergonhosos e a direção problemática. Ainda assim, conta com algumas curiosidades interessantes: o irmão-gêmeo do livro foi escrito com o pseudônimo Richard Bachman; o problema é que Bachman havia “morrido” antes do lançamento dos livros. A desculpa para o lançamento póstumo foi que a esposa de Bachman encontrou manuscritos perdidos entre as coisas do falecido. Assim, a mulher, tão fictícia quanto o próprio Bachman, enviou os manuscritos para o editor que acabou publicando a história. Outra curiosidade é que a ABC exibiria Desespero como uma minissérie em duas partes, mas acabou desistindo e exibindo a adaptação como um telefilme em apenas uma noite. A decisão chateou King que considerou a decisão do canal desrespeitosa principalmente por exibir o filme na mesma noite que o popular American Idol. Segundo King, a concorrência fez com que Desespero fosse um fracasso de audiência. A verdade é que o filme era ruim mesmo e ninguém quis assistir.

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E assim termina mais um Da Estante Para a TV. Mas Stephen King ainda voltará mais vezes. Ele sempre estará por perto, assim como aquela presença que parece te seguir na rua e aqueles olhos que parecem te encarar na escuridão.