Os Pesadelos e Paisagens de Stephen King

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Sou fã de Stephen King. Ponto. De todos os autores de ficção no mundo, o que mais me agrada é King. Não tenho receio, por exemplo, de clamá-lo como Mestre do horror/terror e do suspense. King tem domínio total de suas tramas. Sua escrita, certeira, parece planejada letra a letra, palavra a palavra. Parece que nada está fora do lugar. Tudo tem um propósito, uma razão de ser. Poucos são os escritores que, hoje, tem tal domínio sob sua arte. A mente de King é uma fábrica de ideias que não para de funcionar. É praticamente um romance novo a cada ano. Quando não sai um romance, sai uma coletânea de contos. Caso um livro não seja lançado em um ano, dois saem no ano seguinte.

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Contos, aliás, são especialidades de King. Em uma de suas coletâneas, aliás, Stephen fala sobre a difícil arte de escrever contos. Histórias curtas, segundo ele, podem ser muito mais difíceis e complexas de serem construídas do que romances. O autor ainda comenta que, caso pare de escrever neste formato, perde a prática, tamanha a complexidade que permeia a construção de um conto. King, por exemplo, é considerado por muitos um autor prolixo, o que pode ser um grande problema para um autor que deseja escrever contos, que são obviamente curtos. O próprio Stephen King assume que sofre de “elefantíase literária”. Foi essa elefantíase, por exemplo, que deu origem a contos maiores como Outono da Inocência (que deu origem a Conta Comigo, filme de Rob Reiner) e A Primavera Eterna (que deu origem a Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont), ambos da antologia Quatro Estações.

Além de extremamente prolífico, as histórias de King são muito gráficas e originais, o que é um prato cheio para o Cinema e a TV. São várias as adaptações de suas histórias para as telas grandes e pequenas do mundo todo. Nosso foco aqui, porém, é em apenas uma adaptação (ou oito pequenas adaptações dentro de um projeto maior): Nightmares & Dreamscapes. Minissérie especial lançada pela TNT em 2006, Nightmares & Dreamscapes leva o mesmo nome de uma antologia de contos que no Brasil foi batizada de Pesadelos e Paisagens Noturnas. Na minissérie, cada episódio é adaptado de um conto escrito por King. Os contos que deram origem aos episódios, porém, não derivam de apenas um livro. Três deles vêem de outras duas coletâneas de King: um vem de Sombras da Noite e dois de Tudo é Eventual.

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Os pesadelos, as paisagens, as sombras e as eventualidades

battlegroundBattleground – Baseado em um conto da coletânea Sombras da Noite (a melhor de King), Battleground é interessante por dois motivos: primeiro porque o episódio não tem diálogos, apenas sons e trilha sonora. Segundo porque a trama acompanha um assassino profissional (William Hurt, excelente) que, após matar o presidente de uma companhia de brinquedos, recebe um pacote misterioso. Dentro do pacote existem pequenos soldadinhos de brinquedo que ganham vida e tentam matar o sujeito. A história é insana, mas muito divertida. Bem feito, o episódio é dinâmico e muito fiel ao conto original. É um dos melhores momentos da minissérie.

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Crouch End – Baseado em conto de Pesadelos e Paisagens Noturnas, Crouch End acompanha um casal que se perde em uma cidade misteriosa e aparentemente deserta. Depois de entrarem, não conseguem sair. A atmosfera do episódio é fantástica. O suspense é bem estruturado e a fotografia chama atenção. O que decepciona um pouco são os efeitos especiais. De resto, é uma clássica história de Stephen King: primeiro te seduz, depois te abraça e enfim te faz refém.Crouch End

Umney’s Last Case – Também oriundo de Pesadelos e Paisagens Noturnas, Umney’s Last Case talvez seja a adaptação mais elaborada de todas. Estrelado por William H. Macy, o episódio acompanha um escritor que troca de lugar com o personagem principal de seu livro. Realidade e ficção se misturam e tudo sai do controle. É outra história que sintetiza muito do que King já fez; o autor várias vezes coloca escritores no centro de suas histórias, como se ele mesmo se colocasse em suas tramas. Umney’s Last Case, portanto, é um interessante exercício de metalinguagem.

The End of the Whole Mess – Adaptação caprichada, The End of the Whole Mess poderia render um bom filme. Não aconteceu, mas ao menos originou um excelente episódio. Descobriu-se um meio de acabar com a violência no mundo. O título, porém, pode fazer referência ao fim da violência ou fim de todo o problema gerado pela invenção que norteia essa história incrível. Não é uma trama de terror, de sangue e vísceras. É um drama familiar com toques de ficção científica. Outro grande momento da minissérie.

virusroadThe Road Virus Heads North – Ainda que muito boa, essa adaptação de um dos contos de Tudo é Eventual fica abaixo do nível de qualidade dos outros episódio da minissérie. Estralado por Tom Berenger, a trama acompanha uma escritor (olha aí, escritor de novo) de histórias de terror que compra uma pintura. Até aqui, tudo bem. O problema é que coisas sinistras acontecem e o sujeito da ilustração parece se movimentar e querer sair do quadro para pegar – e matar – o escritor. O equilíbrio do episódio não é tão bom e a coletânea Tudo é Eventual tem vários outros contos melhores que poderiam ser adaptador.

The Fifth Quarter – Outro conto sem elementos sobrenaturais, The Fifth Quarter acompanha um homem recém liberado da prisão (Jeremy Sisto) que sai em busca de um tesouro. A pedra em seu caminho é o mapa que o levará a esse tesouro: o tal mapa foi dividido em partes e cada segmento está em diferentes lugares sob a posse de diferentes pessoas. É um excelente episódio, com bom ritmo e bom elenco. De todos, é o que menos chama atenção, ainda que mereça a mesma chance que os demais episódios.

Autopsy Room Four – King afirma em Tudo é Eventual que todo escritor de horror/terror deve escrever uma história sobre um quarto de hotel assombrado e uma história de uma “falsa-morte”, ou seja, alguém que é dado como morto, mas não está realmente morto. Pois é o que acontece com este sujeito que é picado por uma cobra cujo veneno imobiliza a vítima e enfraquece seus sinais vitais. Dado como morto, ele vai para a sala de autópsia. É daquelas histórias geniais que só alguém como Stephen King poderia criar. Excelente!thehave

You Know They Got a Hell of a Band – Novamente acompanhamos um casal que se perde e vai parar em uma cidadezinha muito estranha. Na tal cidade, que parece parada no tempo, habitam lendas do rock. O problema é que todos já estão mortos. A direção de arte é o que mais chama atenção nesse episódio divertido e colorido que encerra de maneira modesta a minissérie.

Ao fim, só posso recomendar enfaticamente que você dê uma chance a Nightmares & Dreamscapes. A minissérie é um prato cheio para fãs de Stephen King pois traduz com fidelidade as suas ideias para a tela. Para quem não conhece King, a minissérie é ainda melhor, pois pode apresentar o estilo do autor adequadamente. Aproveite e faça uma maratona da minissérie. É curta e dá pra assistir fora de ordem. Caso não queria assistir tudo, escolha um ou dois e seja feliz. King é mestre e merece uma chance.