Os Quatro da Candelária | O que é real e o que mentira na série da Netflix

A série Os Quatro da Candelária, lançada pela Netflix, se propõe a retratar a tragédia do Massacre da Candelária, que aconteceu no Rio de Janeiro em 1993. Esse episódio doloroso marcou a história do Brasil, quando oito jovens em situação de rua, de 11 a 19 anos, foram assassinados a tiros por policiais enquanto dormiam nas escadarias da Igreja da Candelária. Apesar de a série tentar capturar a essência desse evento trágico, ela traz várias adaptações e elementos ficcionais que afastam a narrativa da realidade.

A História Real do Massacre da Candelária

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Imagem: Divulgação.

O massacre ocorreu na madrugada de 23 de julho de 1993, quando um grupo de policiais fortemente armados disparou contra crianças e adolescentes que dormiam nas escadarias da igreja. Naquela noite, cerca de 70 jovens estavam no local; alguns conseguiram escapar, mas oito não tiveram a mesma sorte e perderam suas vidas. Esse ataque brutal causou comoção nacional e internacional, levando a sociedade a refletir sobre o tratamento dado a jovens em situação de vulnerabilidade e sobre a violência policial.

Na série, acompanhamos quatro personagens fictícios — Douglas, Sete, Pipoca e Jesus —, que enfrentam as dificuldades da vida nas ruas nos dias que antecedem o ataque. A ideia é oferecer ao público uma janela para o cotidiano desses jovens, mas as histórias dos personagens são, em grande parte, inventadas e não representam exatamente as experiências das vítimas reais.

Erros de Ambientação que Quebram a Imersão em Os Quatro da Candelária

Um dos pontos que geraram críticas à série foi a falta de cuidado com os detalhes da época. Quem viveu os anos 1990 no Brasil percebe rapidamente alguns deslizes: a série mostra produtos e valores em reais, mas a moeda que circulava na época era o Cruzeiro. Além disso, aparecem carros modernos e até referências a monumentos das Olimpíadas — construídos muitos anos depois dos eventos retratados. Esses pequenos erros acabam tirando a força do cenário, criando uma certa distância entre a série e a realidade que busca representar.

Até mesmo a presença de tecnologias mais recentes, como televisores de LED e iluminação moderna, afasta o espectador daquele contexto histórico e compromete a autenticidade da narrativa.

Ficção e Realidade Misturadas em Os Quatro da Candelária

Embora a série seja inspirada em um evento real, Os Quatro da Candelária faz uso de elementos ficcionais para criar uma narrativa mais dramática. Com personagens e histórias paralelas que, apesar de emocionantes, desviam o foco do impacto coletivo do massacre, a série apresenta um debate importante: até que ponto é válido dramatizar histórias tão duras para fins de entretenimento? A escolha de focar em apenas quatro jovens, detalhando suas trajetórias individuais, cria uma abordagem mais cinematográfica, mas, ao mesmo tempo, dilui o impacto da tragédia que afetou muitas outras vidas.

O Legado Cultural e Social do Massacre

Apesar dos desafios em capturar toda a realidade histórica, o Massacre da Candelária permanece um marco na luta por direitos humanos no Brasil. Esse ataque brutal não só expôs as questões de pobreza e exclusão social, mas também a violência policial contra jovens em situação de vulnerabilidade — problemas que, infelizmente, ainda persistem. Hoje, a Igreja da Candelária conta com um mural em homenagem às vítimas, mas o memorial já foi alvo de vandalismo, o que demonstra como o preconceito e a violência contra jovens desfavorecidos ainda fazem parte do nosso cotidiano.

Para quem assistir à série Os Quatro da Candelária, fica o convite a conhecer mais sobre o que realmente aconteceu naquela noite de julho. A série desperta o interesse pelo assunto, mas com a mistura de ficção e realidade, fica claro que a verdadeira história ainda tem muito a dizer.





Os Quatro da Candelária | O que é real e o que mentira na série da Netflix
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.