Os Testamentos Episódios 1 e 2 | A história de The Handmaid’s Tale continua

Entenda a história de Os Testamentos: o que aconteceu nos episódios 1 e 2 e como The Handmaid’s Tale continua.

Os episódios 1 e 2 de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, continuação do universo de The Handmaid’s Tale, começam de forma muito diferente do que vimos na série original. Em vez de acompanhar alguém tentando escapar de Gilead, a nova história mergulha justamente no oposto: a vida de quem nasceu e cresceu dentro desse sistema.

E é isso que torna o início tão perturbador. A narrativa acompanha Agnes, uma jovem criada para acreditar que tudo aquilo é normal, enquanto, em paralelo, apresenta Daisy, uma garota que vem de fora e ainda enxerga o mundo como ele realmente é. A partir dessas duas perspectivas, a série constrói um começo que não depende de ação, mas de desconforto crescente.

Os Testamentos episódios 1 e 2 mostram Gilead pelos olhos de quem acredita no sistema

Logo no início, a série deixa claro que Agnes não questiona Gilead da forma como o público espera. Ela cresceu vendo punições, execuções e regras extremas, mas aprendeu a aceitar tudo isso como parte natural da vida.

Essa construção é essencial. Porque, ao mostrar uma personagem que acredita naquele sistema, a série revela como Gilead se sustenta. Não apenas pela força, mas pela doutrinação. Agnes foi ensinada a obedecer, a não questionar e, principalmente, a entender que seu valor está ligado à sua capacidade de gerar filhos .

E isso define completamente sua jornada.

A transformação de Agnes muda o rumo da história

O primeiro grande ponto de virada acontece quando Agnes descobre que entrou na puberdade. Dentro de Gilead, isso não é apenas uma mudança biológica, mas social.

Ela agora está pronta para o casamento. A série constrói esse momento com um misto de celebração e inquietação. Por um lado, Agnes sempre esperou por isso, acreditando que esse era o caminho natural. Por outro, existe algo estranho, um desconforto que ela ainda não consegue explicar.

Quando ela recebe o símbolo de “mulher” na escola, cercada por outras meninas que celebram aquele momento, fica claro o quanto aquele sistema transforma limitações em conquistas. E isso é assustador.

Daisy entra como contraste, e quebra a ilusão

Enquanto Agnes representa quem acredita, Daisy representa quem ainda questiona. Introduzida como uma das chamadas “Pearl Girls”, Daisy vem de fora de Gilead e tenta se adaptar ao ambiente. No entanto, essa adaptação nunca é completa, e isso fica evidente em uma das cenas mais fortes dos episódios iniciais.



Durante uma punição pública, onde um homem é julgado diante das estudantes, Daisy reage com choque e repulsa. Enquanto as outras meninas incentivam a violência, ela não consegue aceitar o que está vendo.

E é nesse momento que a série estabelece seu conflito central. Porque Daisy não pertence àquele mundo.

Por que Daisy confessa e piora tudo

O ponto mais tenso dos episódios 1 e 2 acontece quando Daisy, após reagir de forma “inadequada”, decide confessar seu comportamento.

A decisão não vem de culpa, mas de medo. Ela entende que está sendo observada e que qualquer erro pode ser usado contra ela. Ao se antecipar e confessar, Daisy tenta se proteger, mas acaba envolvendo Agnes no processo, revelando que ela sabia do ocorrido e não denunciou .

Essa cena é importante porque mostra como Gilead destrói relações. A confiança não existe. Tudo pode ser usado como arma.

O segredo de Daisy sugere algo maior

Mesmo tentando se encaixar, Daisy claramente esconde algo. A série deixa pistas disso ao mostrar que ela mantém objetos proibidos, como um rádio, e ainda lembra com carinho de sua vida fora de Gilead.

Além disso, sua atitude estratégica sugere que ela pode estar ligada à resistência. A forma como ela observa o ambiente, registra informações e se posiciona indica que sua presença ali não é acidental. E isso abre espaço para um dos grandes mistérios da série: qual é o verdadeiro objetivo de Daisy dentro de Gilead?

Agnes começa a enxergar a verdade, mesmo sem perceber

Enquanto Daisy representa o questionamento direto, Agnes começa a mudar de forma mais sutil. Ao longo dos episódios, pequenas situações fazem com que ela sinta desconforto com aquilo que antes parecia normal.

O momento mais marcante envolve uma experiência traumática que ela não consegue compreender completamente, mas que altera sua visão sobre casamento e sobre o papel que será obrigada a assumir.

A partir daí, Agnes passa a perceber que a vida que sempre idealizou pode não ser exatamente o que parece. E essa mudança, ainda silenciosa, é o que deve guiar o restante da temporada.

Os Testamentos começa com desconforto e isso é o maior acerto

Os episódios 1 e 2 de Os Testamentos não apostam em grandes acontecimentos ou reviravoltas imediatas. Em vez disso, a série constrói um início mais psicológico, focado em mostrar como Gilead funciona por dentro.

E isso funciona muito bem. Porque, ao colocar o público dentro da mente de quem vive naquele sistema, a série consegue ser ainda mais impactante do que apenas mostrar a opressão de fora.

No fim, o começo deixa claro que a história não será apenas sobre fugir de Gilead. Mas sobre entender como ele continua existindo. E quem está disposto a derrubá-lo.



Os Testamentos Episódios 1 e 2 | A história de The Handmaid’s Tale continua
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.