Os treze porquês: a relação do livro com a série

Imagem: Mix de Séries

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A nova sensação da Netflix, 13 Reasons Why, já é um velho conhecido dos amantes de livros. Conhecido como Os 13 porquês no Brasil, o livro de Jay Asher consegue nos comover com a história da estudante Hannah Baker de tal maneira que é impossível não sentir os motivos que levaram a garota a se suicidar. Por mais que o livro seja um sucesso, ainda faltava a cereja do sorvete: uma adaptação cinematográfica. Infelizmente (ou seria felizmente?), o livro não ganhou uma versão no cinema, mas acabou conquistando a atriz e cantora norte americana Selena Gomez de tal maneira que acabou virando uma série.

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Quando foi anunciado que 13 Reasons Why ganharia uma adaptação pela TV fiquei um pouco preocupada com o que sairia. Talvez tenha sido um trauma pós Pretty Little Liars, mas algo me dizia que não veríamos um novo Harry Potter. Ainda bem que eu estava errada e só tenho a agradecer pelo livro ter virado uma série. O único problema é que nem sempre a adaptação segue o original e isso pode trazer algumas decepções para os fãs. É claro que os roteiristas precisam trazer a realidade para obra e isso pode, muitas vezes, soar estranho para quem leu.

Quem leu o livro percebeu algumas diferenças na série da Netflix, diferenças estas que deixaram a história mais atual e próxima de uma continuação. Não sei vocês, mas acredito que teremos uma nova temporada e espero que tragam um elemento novo para o próximo ano. Às vezes, é difícil superar o original, mas quando se tem elementos bons suficientes para dar continuidade na história, os resultados poderão ser gratificantes. Meu maior medo é dos roteiristas se perderem por conta do sucesso repentino. Mas vamos falar sobre as principais semelhanças e diferenças entre o livro e a série.

“Você não pode interromper o futuro, nem modificar o passado. O único jeito de descobrir este segredo é apertando play.”

O livro é praticamente visto do ponto de vista de Clay Jensen e ele acaba sendo o protagonista masculino da história. A grande diferença é que Clay escuta as fitas praticamente de uma vez, no que resulta numa participação maior da narração de Hannah Baker. Nós não sabemos porquê Clay recebeu as fitas e nem os motivos que levaram Hannah a se matar, mas sabemos que a garota morreu pelos motivos que estavam nas fitas que gravou e que Clay foi um dos motivos. Quando você lê o livro, sente-se parte da história e isso não acontece quando você assiste aos episódios, apesar de que eles conseguem nos deixar ansiosos para saber o que a Hannah Baker gravou.

Ao contrário da série, o Clay do livro é mais ágil e esperto. Ele é um nerd apaixonado pela Hannah que nunca declarou seu amor para ela. Isso também acontece no seriado, porém de forma mais declarada. No livro, só vamos descobrir o motivo dele ter recebido as fitas quando ele escuta a fita de número 9, o que foi modifica no show (fita número 11). Acredito que os roteiristas mudaram isso para deixar um ar de suspense e transformar Clay num mocinho que cometeu um erro e não como um vilão como Bryce.

Imagem: Arquivo Pessoal

Além da série ter alterado a ordem em que Clay aparece, também modificaram alguns acontecimentos, como o fato dos “culpados” terem diálogos entre si e Clay ser mais justiceiro. Quem leu o livro sabe muito bem que pouco vemos os citados da fita no dia a dia, pois o livro é narrado em primeira pessoa, intercalando as falas de Clay com a da Hannah. Além disso, vimos que o estupro só foi falado depois que Hannah contou o que Clay fez para ela. Assim, no show, a ordem que aparece é Estupro, Placa e Clay, enquanto que no livro, a ordem é Clay, Estupro e Placa.

A identidade do guardião da fita só aparece no decorrer da leitura, o que não acontece na série, já que vimos no piloto que é o Tony. Isso pode ter sido uma jogada de marketing, haja vista que cortando esse mistério, os fãs ficariam curiosos para saber se Tony tem algum segredo. Infelizmente, tanto no livro quanto na série não descobrimos muito sobre Tony e nem como ele e Hannah ficaram amigos (e aliados). A participação dos pais da Hannah no livro é bem menor o que acabou sendo um fator negativo. Na série pudemos sentir um pouco da dor dos pais e isso foi bastante gratificante, pois o livro deixou a desejar nesse quesito.

Essa participação maior dos pais e o fato de termos conhecido um pouco mais sobre os citados nas fitas no show fez com que a história de Os treze porquês pudesse ser mais realista e próxima dos telespectadores. É claro que o livro é importante e deixa a sua marca, mas a série consegue ir além disso. Num momento em que o bullying é muito forte e presente no mundo, é importante levar este assunto aos jovens e aos pais. Não sei se a série conseguirá modificar alguma coisa, mas ela trás uma mensagem importante como o livro. Infelizmente, os motivos não salvaram Hannah, mas poderão salvar outras Hannahs do mundo. Uma das coisas que aprendi com o livro e com o show é que nós todos temos um pouco de Hannah Baker e dos personagens citados nas fitas. Todos nós já praticamos e sofremos bullying. 

“Ninguém sabe quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito.”

Agora é só torcermos para que tenha uma segunda temporada para descobrirmos o que acontecerá com Clay e os alunos da escola depois que as fitas da Hannh foram escutadas e chegaram até seus pais. Será que veremos e escutaremos novas fitas? Bom, mesmo que não 13 Reasons Why não ganhe uma nova temporada, a série conseguiu o seu propósito assim como o livro.

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Gabriella Siggia

Quem eu sou? Eu sou uma em um milhão: escritora nas horas vagas, seriadora de coração, cinemática de plantão e amante da literatura. Divertida, alto astral e bastante bem humorada. Só não achei ainda minha outra pessoa. Ah, música faz parte da minha vida.

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