A aguardada 2ª temporada de Pacificador estreou na HBO Max mostrando que James Gunn não está para brincadeira.
O primeiro episódio não apenas redefine o lugar do anti-herói de John Cena dentro do novo DCU, como também mergulha em seus traumas mais profundos, ao mesmo tempo em que apresenta um final brutal: Chris mata outro Pacificador.
Adeus Snyderverse, olá DCU
Logo de cara, o episódio estabelece uma mudança fundamental. O final da primeira temporada segue válido, assim como os eventos de O Esquadrão Suicida, incluindo a morte de Rick Flag, o confronto com Auggie e o projeto Borboleta.
Porém, todo o Snyderverse é apagado da cronologia. Agora, quem aparece para fechar a saga Borboleta não é mais a Liga da Justiça, mas sim a chamada Justice Gang, com Mister Terrific, Superman (David Corenswet), Supergirl (Milly Alcock), Guy Gardner e Hawkgirl. Esse ajuste marca oficialmente a transição para o universo de Gunn, deixando claro que não existe mais espaço para ambiguidades.
A incursão de Chris em outra realidade
A trama ganha contornos ainda mais estranhos quando Chris, acompanhado de Eagly, explora o Quantum Unfolding Chamber, um espaço dimensional escondido na casa de seu pai. Lá, ele atravessa um portal e encontra um mundo alternativo onde tudo é diferente: Auggie não é um vilão supremacista, Keith — o irmão que ele matou acidentalmente — está vivo, e juntos eles formam um trio de heróis celebrados. Para Chris, atormentado pela culpa de ter destruído a própria família, o encontro é devastador.
Se por um lado o público percebe que se trata apenas de um universo paralelo sem relação com o extinto DCEU, para Chris é como reviver seus maiores fantasmas.
Rejeições em série
O episódio 1 da 2ª temporada de Pacificador também dedica tempo a mostrar como Chris tenta se reconectar com o mundo real. Adebayo reaparece em sua vida, agora mais independente, e o leva para uma entrevista com Maxwell Lord, Guy Gardner e Hawkgirl.
O objetivo: uma vaga na LordTech Team, que funciona como a fachada corporativa da Justice Gang. O resultado é humilhante. Chris é ridicularizado, tratado como incapaz e exposto emocionalmente diante de seus traumas. A cena mistura humor desconfortável com um peso dramático difícil de ignorar.
Paralelamente, Harcourt passa por situação semelhante em uma entrevista no NSA, onde é rejeitada por causa de seu histórico em ARGUS e seu “temperamento tóxico”. Ao reencontrar Chris, os dois compartilham frustrações, mas o clima muda quando ele tenta aprofundar a relação. Harcourt rejeita a possibilidade de romance, fechando-se emocionalmente, e isso leva Chris a mergulhar em uma espiral de autodestruição marcada por uma festa regada a excessos.
Rick Flag Sr. entra no jogo em Pacificador
Enquanto isso, Rick Flag Sr. (Frank Grillo) acompanha os passos de Chris. Amargurado pela morte do filho em O Esquadrão Suicida, ele transforma o herói em alvo prioritário, ignorando ameaças muito mais relevantes como Lex Luthor. A obsessão de Flag promete ser o eixo da temporada, colocando o Pacificador diante de um inimigo que não é um alienígena ou metahumano, mas um homem disposto a vingança a qualquer custo.
Quem Chris matou no episódio 1 da 2ª temporada de Pacificador?
O grande momento do capítulo acontece quando Chris retorna à realidade paralela. Ali, ele se depara com a versão alternativa do Pacificador — um herói admirado, parte de um grupo lendário e que nunca passou pelos traumas de sua contraparte. O encontro, no entanto, não é amigável. O Pacificador alternativo vê Chris como uma ameaça e parte para cima com violência.
O embate é brutal. Chris tenta explicar sua presença, mas acaba encurralado. Em meio à luta, ele descobre uma falha no traje do adversário e, em um ato desesperado, o mata. O peso dessa morte vai além do choque: Chris acaba de assassinar uma versão de si mesmo, alguém que representa exatamente aquilo que ele sempre quis ser — um herói verdadeiro.

Um novo dilema
O assassinato abre espaço para o dilema central da temporada. Chris, que sempre buscou redenção, agora precisa carregar o fardo de ter matado um outro Pacificador. Além disso, ele terá de assumir a identidade dessa versão em seu universo paralelo, fingindo ser um herói perfeito, enquanto ainda lida com suas culpas e fracassos no mundo real.
O episódio termina com uma pitada de humor ácido, marca registrada da série, em uma cena pós-créditos em que Chris e Harcourt debocham da banda Thirty Seconds to Mars — um recado direto à antiga encarnação do Coringa de Jared Leto.
O episódio 1 da 2ª temporada de Pacificador é uma montanha-russa que mistura retcon narrativo, drama pessoal e violência gráfica. No centro de tudo, a resposta para a pergunta-chave: Chris matou outro Pacificador, sua versão em um universo paralelo. Mais do que um simples choque, essa morte é o motor de um arco que promete explorar identidade, culpa e a eterna busca de Chris por redenção em um mundo que insiste em rejeitá-lo.