Parasita: sucesso vencedor do Oscar chega à Tela Quente da Globo

Parasita
Imagem: Divulgação

Parasita é um fenômeno absoluto. O longa de Bong Joon Ho não é um estrondo apenas por ser o primeiro filme internacional a vencer o Oscar de Melhor Filme. A obra é, para todos os efeitos, um assombro como raramente se vê. É cult e popular. Amada por críticos e público, a fita venceu a Palma de Ouro em Cannes, mas também é um dos títulos mais badalados de redes sociais como Instagram e Letterboxd. Mesmo depois de meses após o seu lançamento, Parasita segue aquecendo debates e firmando-se como um dos lançamentos mais importantes do novo século.

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A trajetória esmagadora de Parasita começou em Cannes, em 2019, um ano notavelmente forte para o festival. Na edição, concorriam também Retrato de uma Jovem em Chamas, Era uma Vez em Hollywood de Quentin Tarantino, Dor e Glória de Almodóvar e o brasileiro Bacurau. Ainda que diversos títulos arrecadavam fãs e defensores, o drama de Bong Joon Ho se tornou favorito desde a primeira exibição.

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Parasita é a coroação do cinema sul-coreano

Seria a coroação de um Cinema que já vinha se destacando há pelo menos duas décadas: o sul-coreano. O próprio diretor e roteiristas é um dos grandes pilares do Cinema no país. São dele O Hospedeiro, Memórias de um Assassino, Mother, O Expresso do Amanhã e Okja. Em grande parte de sua filmografia, Joon-Ho brincou com gêneros e costurou tramas de pesados comentários sociais com intrigantes conceitos de horror e/ou ficção. Parasita vai na mesma esteira e consegue fazer pensar enquanto provoca o riso e horror absoluto.

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Pois Parasita fez e faz sucesso é porque trata-se de um texto esperto que não é impossível de ser interpretado, mas também trata-se de um roteiro que esconde uma porção de nuances para os mais atentos. Algumas discussões são mais claras: quem são os parasitas, afinal? A família pobre seria a resposta mais simples, já que se infiltram na casa e na dinâmica da família rica como se fossem organismos parasitários. Mas e os ricos? Aí a discussão tende a outra interpretação mais profunda e até mais interessante.

Parasita Globo filme
Imagem: Divulgação.

Visual riquíssimo ajuda a contar história

É fato que Parasita, assim como outros longas do diretor, expõem uma face crua e deprimente da Coréia. No processo, acaba traçando paralelos com inúmeros outros países que sofrem dos mesmos maus. A família Kim vive praticamente no subterrâneo do país, assim como diversas outras famílias em circunstâncias semelhantes. Eles dobram e montam caixas de pizza para sobreviver. É possível julgá-los friamente por querer sair do buraco quase literal?

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Joon-Ho ilustra essa distância abissal entre as famílias de forma precisa através de movimentos de câmera, edição, fotografia e até mesmo pela direção de arte, que constantemente divide as famílias em dois espectros opostos. Note, por exemplo, como a família Kim, pobre, encontra-se sempre em ambientes mais escuros, com enquadramentos mais fechados. Os Park, por outro lado, são vistos em cores quentes e planos abertos, confortáveis. A movimentação da câmera também dá pistas sobre a posição dos dois grupos: enquanto a câmera desce para focar os Kim, ela sobe para achar os Park. Além disso, fique atento aos quadros: membros de famílias distintas raramente são vistos no mesmo plano. Caso estejam, estão divididos por algum elemento.

Filme chega à TV aberta e merece ser conferido

Inicialmente planejado como uma peça de teatro, Parasita logo tornou-se algo maior, já que Joon-ho rapidamente começou a maquinar os detalhes de câmera, edição e atuações. A precisão de cada detalhe pode ser vista em diversos vídeo-ensaios espalhados pela internet. Uma graphic novel especial também foi lançada, contendo storyboards, anotações, fotos e diversos outros elementos que destrincham e tornam Parasita ainda mais encantador.

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Parasita chega à TV aberta nesta segunda-feira, na Tela Quente da Globo. É a chance de mais pessoas darem uma espiada em um dos longas mais importantes e elogiados dos últimos anos. Para aqueles que já assistiram, é a oportunidade de encontrar na prática todos os mínimos detalhes discutidos aqui e em outros artigos. Em tempos como os atuais, e em países como o nosso, um pouco de autocrítica e consciência de classe caem como uma luva – ou uma bomba.

E então, vai assistir Parasita na Tela Quente? Deixe nos comentários!