Parenthood – 6×07 – These Are the Times We Live In

Parenthood

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Já sentiram a carga dramática na foto acima, certo?

Um episódio disposto a dar um rumo ao casal, cujo drama permeou tanto a temporada anterior, quanto boa parte dos episódios desta, não poderia ser diferente. O futuro incerto de Julia e Joel foi motivo de aflição com a possibilidade da NBC não renovar a série para esta sexta temporada e até então a situação permanece indefinida. No entanto, é a incerteza que nos mantém mais ansiosos a cada semana, por isso a enrolação é pertinente ao propósito de qualquer série. Acontece que, se optarem por definir a situação para o lado oposto ao que clamam os fãs, não acho que poderão contar com tal compreensão. Em certo momento da temporada, a presença de Chris, novo namorado de Julia, passou a ser tolerada por parte do público. Mas isso quando tudo o que queríamos era apenas que definissem a situação do casal. E eis que surge esse episódio, no qual sentimos com a habitual veracidade de Parenthood, todo o drama que concretizar a separação representou para ambos. Vimos que eles, estando diante da oficialização do fim do casamento, finalmente foram atingidos pela representatividade da situação, quando a incerteza os era mais confortável, justamente por ser menos conclusiva. Nesse momento, Julia, que parecia a mais certa da decisão, vê toda sua certeza completamente abalada durante o processo. Enquanto isso, Joel tentava convencer a si mesmo que estava pronto para se despedir, ao finalmente mobiliar seu apartamento e em sua conversa com Zeek, onde ele afirmou estar ciente de que precisava deixar Julia ir. E Zeek resolveu lembrar o genro do que ele estava abrindo mão em sua desistência. E foi aí que Joel (nós esperamos que Julia também) percebe que não tem outro caminho. Por mais final de novela das nove que possa parecer, queremos o mais clichê dos felizes para sempre no que diz respeito a esse casal. Convenhamos que não é plausível qualquer reação por parte de Julia, que não voltar para Joel depois disso: “A year ago you asked me to fight for you, and I was too stupid to listen. So I’m here. I don’t wanna live another day without you. Julia, I’m fighting for you, for our marriage. I want you back”.

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E precisamos falar novamente sobre Drew e sua inesperada representatividade nessa temporada. Para quem (eu!) achou que a série não gastaria o seu pouco tempo com membros da família de, até então, menor significância, foi um equívoco mais do que bem-vindo. Se bem que, para quem está com tempo de sobra para desperdiçar com Hank e sua família, seria até um insulto economizar com Drew. Já estou até esperando a volta da Haddie e o resto da temporada dedicado só a ela, porque do jeito que estão negligenciando o que deveria ser prioridade pra favorecer personagens que pouco nos importaria se não existissem, não é tão improvável que coisa do tipo aconteça. Enfim, voltando ao Drew, novamente pudemos constatar seu amadurecimento em relação às temporadas anteriores. Nem acredito que seja apenas questão de ter ficado mais velho, mas por demonstrar uma consciência e sensatez que poucos da sua idade possuem. Primeiro foi com Amber, a quem ele aconselhou mais do que acertadamente e demonstrou genuína preocupação e necessidade de ajudar, com a provável dificuldade da irmã arcar sozinha com as despesas do futuro filho. E agora, ele demonstra a mesma consciência ao lidar com o avô. Mesmo que não o tenha feito logo a princípio, justificadamente, o fato dele saber reconhecer o erro e escutar outro ponto de vista sobre a situação, é mais uma prova de seu crescimento. Tudo isso fez com que a relação do avô com o neto, sobretudo nas cenas finais, tenha sido a mais sutil e, ao mesmo tempo, significativa demonstração de família, como a série costuma retratar.

Amber e o caos que Adam e Kristina a deixaram, com Max de volta à sua essência compreensivamente irritante, foi um plot ofuscado, pela maior densidade dos demais, mas serviu ao menos para nos lembrar do quão convincente e realista é cada cena dessa série, tecla na qual eu nunca deixarei de bater. Diferente da passividade das demais séries, Parenthood apresenta uma veracidade até agoniante, fato mais do que representado pela cena em que Amber procura as chaves e, posteriormente, tenta encaixar a cadeirinha de Nora no banco de trás do seu carro, enquanto Max falava sem parar. Se tem situação mais vivenciada e fielmente retratada que essa, eu desconheço.

E só o que fica a ser questionado é ainda a exagerada atenção sendo dada a Hank, sua filha e até ex-esposa, quando o momento não poderia ser mais inoportuno para introduzir tal situação, desprendida do núcleo dos Braverman. E, ainda, continuo sentindo falta de maior participação de Sarah na vida dos filhos. Mas não é isso que vai tirar os méritos de um episódio tão equilibradamente denso e cativante. Só fica também a se lamentar a falta de maior interação entre toda a família, ou mesmo um grupo maior dela. Mas quanto a isso, é ainda admirável a forma como a série está contornando esses problemas da melhor forma possível. E, considerando apenas o episódio e o efeito causado por ele, deixando de lado os problemas mais abrangentes, só posso dizer que foi lindo e digno de cinco estrelas.

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