Parenthood – 6×13 – May God Bless and Keep You Always [SERIES FINALE]

Parenthood

Estava com muito receio de fazer essa review porque não acho que eu, ou qualquer um, seja capaz de arcar com a responsabilidade que é escrever a despedida de séries como essa. Gostaria de poder usufruir da capacidade de síntese de Roberta Miranda e me sair apenas com um “não sei o que dizer, só sentir”, que é justamente o meu caso, mas não posso. Parenthood apareceu a mim como uma mera casualidade, resultado da minha saudade de Gilmore Girls combinada com a minha empolgação com Six Feet Under e agora é seguro dizer que ela me marcou quase tanto quanto as duas. Contrariando a minha recém adquirida, à época, impaciência com dramas do gênero, eu me apeguei a Parenthood logo de cara, porque ela era diferente dos dramas familiares que eu conhecia e principalmente de tudo que eu estava preferindo evitar. Eu não entendo coisa alguma de técnica, mas não me importo de estar falando sem o mínimo conhecimento quando afirmo que a direção e o roteiro dessa série foram dos mais admiráveis. Acho que disse isso em quase todas as reviews, mas é necessário: parece que estávamos acompanhando a vida dessas famílias com uma câmera escondida, tamanha foi a veracidade que nos passou.

Devo comentar um pouco sobre o episódio em si, apesar de achar que não seja exatamente algo passível de um julgamento “racional”. Eu poderia apontar que aquele monte de bebê que apareceu de repente e o confuso avanço de tempo que parece ter atingido só uma parcela dos personagens foi um problema, mas acho que é muita insensibilidade da minha parte fazer isso. Nas reviews anteriores eu deixei claro que o meu maior receio era que a série acabasse com um final digno da menos criativa novela das nove que conseguimos pensar. E foi exatamente o que aconteceu. Teve até um casamento. Teve aquela sequência de cenas com uma música bonitinha mostrando o final feliz de cada núcleo. Teve um grande e clichê “felizes para sempre” de dar inveja a qualquer conto de fadas. Até a morte do Zeek foi feliz. Mas querem saber? Foi ótimo. Não tinha outra saída, afinal, acredito que a intenção seja mesmo mostrar que no fim tudo fica bem e precisamos mesmo de um pouco de otimismo em nossas vidas, porque de pessimismo a realidade nos basta.

Parenthood 2O que nos resta agora são as lembranças do que a série nos ensinou, com cada problema distinto que ela nos mostrou que podem ser superados e a importância de termos pessoas em nossa vida com as quais sempre podemos contar. Por sorte ela estará sempre disponível para quando quisermos rever, porque ao longo de nossas vidas, tenho certeza que vamos nos deparar com vários dilemas retratados ali e que agora ainda não conseguimos nos identificar.

A perda de Zeek serviu para suprir a cota de realismo para um final respeitável e fico feliz que a série tenha se lembrado disso e desenvolvido de forma tão sensível, principalmente ao mostrar Camille finalmente realizando seus desejos, provando que nenhuma tragédia é definitiva e sempre há algo de bom a ser tirado mesmo dos acontecimentos mais tristes. Parenthood se tratou de conseguir enxergar as oportunidades nos obstáculos, de perceber “o lado bom da vida”, em seu sentido mais verdadeiro. Se trata de escolhas, de encarar os problemas como uma chance de fazer diferente, de crescer. Não quero aqui fazer parecer que a série seja uma pretensiosa lição de moral, mas que ela retrata a vida como ela é, com a diferença que acabou de forma muito mais perfeita do que a nossa jamais fará. Mas para quê serve a ficção senão como uma fuga? Parenthood nos mostrou que não importa a dimensão do problema, sempre há uma esperança e sempre há alguma coisa boa a ser tirada disso. E isso nada mais é que a realidade, por menos que consigamos atesta-la.

O que importa em um episódio final é o efeito que ele exerce sobre nós, o que sentimos enquanto víamos a série nos deixando por definitivo. Portanto, eu não vi defeito nenhum, porque ri, chorei, e acreditem: não mais lamentei o seu fim, porque ficou só aquela tristeza contida que sentimos ao ver uma pessoa que viveu uma vida longa e feliz partir sem nenhum sofrimento. Algo semelhante à partida do próprio Zeek. É apenas um desfecho natural, quase perfeito. Só nos resta agradecer a ela por tamanha sensibilidade, por ter antecipado algumas de nossas angústias, escancarado de forma até invasiva nossos próprios problemas. Não quero me alongar ou soar ainda mais piegas e exageradamente dramática, se tratando de uma mera série de TV, então como não estou conseguindo evitar, encerrarei por aqui.

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Equipe Mix

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