O tão aguardado Peaky Blinders: O Homem Imortal finalmente chegou, mas a recepção não está sendo nada calorosa. Depois de seis temporadas construindo um dos universos mais marcantes da TV, o filme era tratado como um evento. Só que, para parte da crítica, o resultado ficou bem abaixo do esperado.
E o principal problema parece estar justamente no que fez a série ser tão amada.
Um filme que parece não saber o que quer ser
A história segue um caminho clássico: Tommy Shelby retorna para um “último trabalho”, motivado por questões familiares envolvendo seu filho, Duke. É uma fórmula conhecida, quase um clichê dentro do gênero.
O problema é que, segundo críticas, o filme segue essa estrutura sem conseguir dar a ela peso emocional suficiente. Em vez de soar épico, o resultado muitas vezes parece mecânico, como se estivesse apenas cumprindo etapas. E isso pesa ainda mais quando falamos de um personagem como Tommy Shelby.
Tommy Shelby virou um símbolo — e isso atrapalha
Interpretado novamente por Cillian Murphy, Tommy continua sendo o grande destaque. Mas há uma sensação clara de que o personagem deixou de evoluir. Ao longo da série, Tommy era complexo, imprevisível e profundamente humano. No filme, ele surge quase como um “monumento”, uma figura já pronta, difícil de transformar ou surpreender.
E isso faz com que a história perca força.

Os poucos momentos que realmente funcionam
Curiosamente, o filme acerta justamente quando não se leva tão a sério.
Duas cenas específicas têm sido apontadas como os grandes destaques: uma sequência explosiva em um bar, com o estilo clássico de Tommy, e um confronto físico brutal entre ele e Duke.
Nesses momentos, o longa reencontra a essência de Peaky Blinders: violência, tensão e até um certo humor sombrio que sempre fez parte da identidade da série.
O problema é que esses momentos são exceções, não a regra.
Falta alma e sobra pretensão
Um dos pontos mais criticados é o tom do filme. Quando tenta ser grandioso demais, o longa acaba escorregando para algo artificial. A comparação com clássicos do gênero, como O Poderoso Chefão, só reforça isso: falta profundidade, falta impacto, falta alma.
Até novos personagens, que poderiam renovar a história, acabam pouco desenvolvidos. A sensação é de que o roteiro não dá espaço suficiente para eles brilharem.
Um filme que parece mais um “episódio estendido”
Outro ponto que incomoda é a estrutura. Em vez de funcionar como um grande encerramento cinematográfico, O Homem Imortal passa a impressão de ser um episódio alongado. Uma ponte entre o que foi a série e o que ainda pode vir.
E isso pode frustrar quem esperava algo mais definitivo.

Ainda assim, há um propósito
Mesmo com as críticas, o filme cumpre uma função importante: relembrar por que Tommy Shelby se tornou um dos personagens mais icônicos da televisão. A relação com a família, a violência crua e o peso das escolhas continuam ali. Só que, desta vez, tudo parece menos intenso do que deveria.
No fim das contas, Peaky Blinders: O Homem Imortal não é um desastre. Mas também está longe de ser o grande final que muitos imaginavam. Se a ideia era construir uma ponte para o futuro da franquia, ela existe.
Só que, para muitos, parece mais uma corda bamba do que uma obra sólida.