Pegando Fogo | Filme é tão ruim que queima mais que a cozinha

Saiba por que o filme Pegando Fogo é bem ruim e não vale muito o seu tempo para assisti-lo.

Exibido hoje, 23 de janeiro, na Sessão da Tarde, Pegando Fogo volta à televisão como aquele tipo de filme que promete intensidade, redenção e paixão pela arte — mas entrega tudo isso de forma mais barulhenta do que profunda.

Estrelado por Bradley Cooper, o longa aposta no universo glamurizado da alta gastronomia para contar uma história de queda e retorno, ainda que tropece em clichês já bem conhecidos.

Um chef genial… e insuportável

Cooper interpreta Adam Jones, um chef talentoso que já esteve no topo da gastronomia parisiense, mas destruiu a própria carreira com abuso de drogas, álcool e um comportamento autodestrutivo. Anos depois, sóbrio e obcecado por redenção, ele reaparece em Londres determinado a conquistar as cobiçadas três estrelas Michelin.

O problema é que o filme confunde intensidade com grosseria. Adam é constantemente agressivo, autoritário e cruel com quem está ao redor, e o roteiro insiste em vender isso como sinal de genialidade. Em vez de um personagem complexo, o que surge é uma figura cansativa, que grita, humilha e explode sem que o longa realmente questione esse comportamento.

A cozinha como campo de batalha

Dirigido por John Wells, Pegando Fogo tenta transformar a cozinha em um palco de tensão quase militar. Panelas batem, pratos voam e ordens são gritadas como se cada serviço fosse uma guerra. Visualmente, o filme funciona: há cuidado com a fotografia, closes nos pratos e um esforço claro para tornar a comida cinematográfica.

Ainda assim, falta autenticidade emocional. O longa fala muito sobre paixão pela gastronomia, mas raramente a faz sentir. Tudo soa ensaiado demais, como se estivéssemos assistindo a uma versão romantizada e superficial do que programas de reality culinário já fizeram com mais verdade.

Personagens desperdiçados

O elenco de apoio é um dos maiores desperdícios do filme. Sienna Miller surge como Helene, uma chef talentosa reduzida ao papel de apoio emocional do protagonista. A relação entre os dois nunca ganha densidade suficiente para justificar seu peso dramático.

Emma Thompson aparece brevemente como uma crítica gastronômica, mas sua participação é tão curta quanto irrelevante. São personagens que entram e saem sem impacto real, servindo mais para conduzir a trama do que para enriquecê-la.

Pegando Fogo é um filme sobre redenção que não se aprofunda

No fim, Pegando Fogo quer ser uma história de redenção, mas não se permite ir fundo o suficiente. O roteiro prefere frases de efeito e situações previsíveis a conflitos genuínos. Até mesmo a obsessão pelas estrelas Michelin soa mais como um artifício dramático do que uma verdadeira reflexão sobre sucesso, ego e fracasso.



Como entretenimento de tarde, o filme cumpre seu papel: é dinâmico, tem ritmo e um protagonista carismático. Mas, ao tentar parecer intenso o tempo todo, acaba deixando um gosto estranho — não exatamente queimado, mas definitivamente raso.



Pegando Fogo | Filme é tão ruim que queima mais que a cozinha
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.