Penny Dreadful – 3×06 – No Beast So Fierce

Imagem: Arquivo Pessoal/Richard Gonçalves

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

 

Que começo sensacional! É tudo que eu consigo reunir para descrever os primeiros momentos de “No Beast So Fierce”, sexto episódio desta excelente terceira temporada de Penny Dreadful.

Os leitores regulares das minhas reviews devem se lembrar das minhas ressalvas sobre Rusk e sobre seu real potencial dentro da trama. Felizmente, a produção me provou errado, dando ao inspetor – que, no episódio passado, já havia tido seu momento de transformação, ao deixar de lado seu código de moral em prol da caçada por Ethan – a chance de fazer a coisa mais hilária, estúpida e ousada possível: entrar no território Talbot sem armas ou reforço e achar que pode dar voz de prisão em todos ali.

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Ainda no departamento de opiniões minhas que a série refutou, agora mais do que nunca não só estou convencido como realmente acredito que Christian Camargo fará sim um excelente Drácula. Adorei ele controlando todos os outros vampiros com um movimento mínimo do dedo.

Devo dizer que não gostei muito da saída de Lyle da trama. O personagem serviu tão bem ao enredo nas duas temporadas anteriores, e não podemos esquecer que, a sua maneira, ele entende Vanessa, ao ponto de ter sido ele que a enviou para a Dr.ª Seward. E mesmo que, às vezes, ele seja um personagem um tanto caricato, sentirei falta dele.

Imagem: Arquivo Pessoal/Richard Gonçalves

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

É claro que nem tudo é tristeza. Com a saída de Lyle, até aqui a nossa fonte histórica e o instrumento usado pelo enredo para aprofundar certas áreas da mitologia estabelecida pela série, uma nova personagem surge para preencher este lugar. E, para a minha alegria, Perdita Weeks e sua Catriona Hartdegen, a tanatologista, já chega a trama do melhor jeito possível: com respostas rápidas, certo erotismo e uma boa dose do charme byrônico, perfeito para alguém que ajudará a nossa amada Vanessa em sua luta contra o príncipe dos Vampiros.

Não podemos, também, esquecer da boa Dr.ª Seward. Agora que Catriona a aconselhou a cercar-se daqueles que podem protegê-la, Vanessa vai imediatamente a procura dela e, mesmo que a personagem de Patti LuPonne tenha cumprido seu papel mais central – ajudar Vanessa a trilhar o caminho até a verdade sobre Drácula – a atuação dela continua, mesmo em cenas de transição, a ser espetacular. O que foi aquele momento maravilhoso dela contando como matou o marido e empurrando Vanessa para o Dr. Sweet? Certo, mandar Vanessa procurar Sweet é meio que mandá-la para os braços de Drácula, mas Seward não sabe disso.

Na verdade, a cena de Vanessa e Drácula entre os animais noturnos foi muito peculiar. O Drácula que vimos até agora, seja nas memórias de Vanessa ou comandando o submundo dos vampiros, é alguém muito mais animalesco, como ele mesmo se descreveu. Já o Drácula que vimos justificando a si mesmo – mesmo que velada, alegórica e indiretamente – é muito mais alguém ressentido com o lugar que lhe foi dado na Criação, e não alguém meramente movido por ódio. Talvez seja por isso, e considerando Amunet na equação, que não tenha sido realmente inesperado que Vanessa tenha se entregue a ele.

Noutra parte de Londres, o exército de Lily cresce cada dia mais, o que faz com que os planos de Victor – que já são razoavelmente ridículos e provavelmente fadados a falhar – para transformá-la no anjo que ele acredita existir nela tornem-se cada dia mais utópicos. Mas nem tudo são flores no clube da luluzinha criado pela imortal. A tensão entre Justine e Dorian foi quase tangível na cena, e talvez ela seja o motivo para uma possível separação desses dois. Gostei muito da ideia de Dorian de que Victor agora o deve algo. Uma parceria entre o criador e aquele a quem Lily está explorando – já que Dorian não é mais senhor de sua casa, muito menos “igual” de Lily e seu exército de Justines – pode render ótimos rumos para o fim da temporada.

E falando das atividades do submundo londrino, John Clare, depois de finalmente encontrar a sua família, entrou em cena para confortar seu filho. A cena foi ao mesmo tempo cruel e linda, porque ver a Criatura finalmente encontrar tudo aquilo que perdeu – especialmente depois de sabermos, pelos flashbacks do quarto episódio, o quanto essa família significava para ele – foi sim muito tocante, mas tornou o pavor do filho dele ainda mais doloroso para todos nós.

E bem quando achávamos que os assuntos no Velho Oeste não seriam resolvidos nesse episódio, somos levados de volta ao Rancho Talbot para um dos jantares mais tensos da série. Indiretas de Rusk, cinismo bruto do velho Talbot, lições sobre paternidade de Malcolm, uma Hecate que parece capaz de ladrar, mas não de morder e até o paganismo revoltado de Ethan – que cada dia mais perde o charme do Lupus Dei e mais parece um adolescente na puberdade… – foram só a entrada, um aperitivo pequeno do que o jantar reservava.

ADOREI quando Jared Talbot simplesmente matou o policial americano. Sem aviso, sem cerimônia, sem a mínima hesitação. Finalmente ele parece ser o homem monstruoso que Ethan tanto dizia. É claro que a verdadeira diversão começou quando a matança começou. Seja pela brutalidade de todos a mesa, pelo retorno de Kaetenay – com direito a melhor frase possível de Sir Malcolm: “I knew you were too mean to die.” – ou até mesmo pelos tiros recebidos por Hecate e Rusk e o combate que os sucedeu, Penny Dreadful levou o seu passeio pelas muitas referências ao gênero western a um nível de excelência que precisa ser reconhecido.

Bom, é isso. Malcolm encerra o episódio e o plot – ou pelo menos esse segmento do plot – do Novo Mundo com a bala que ele colocou em Jared Talbot. Não sei vocês, mas confesso que, assim como Ethan, eu não vi essa chegando, e mal posso esperar para descobrir as repercussões que isso terá.

A promo do próximo episódio nos mostra que não só Ethan voltará sua atenção novamente para Vanessa, mas que talvez a guerra contra os Vampiros vá ser maior do que esperávamos, e chegará mais rápido também, isso para não falar de Dorian traindo Lily. See you there!

 

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Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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