Penny Dreadful – 3×08/09 – Perpetual Night/The Blessed Dark [SERIES FINALE]

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Um começo do fim. Quer dizer, na verdade, um fim do fim. Sempre surpreendente e cheia de plot twists inesgotáveis, Penny Dreadful nos surpreendeu a todos, quando disse um adeus definitivo nos últimos dois episódios da terceira (e última) temporada. Mas antes de me lamentar – não se preocupem, farei isso mais para o fim do texto –, não posso não celebrar. Para o bem ou para o mal, Penny Dreadful viveu seus dias em glória, e seu final fez jus a este legado.

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Todas as criaturas da noite finalmente saíram para brincar, e enquanto Coppola vê mais referências a seu trabalho por frame do que era esperado, todos nós somos chocados pela crueza da cena. Comendo sapos, entregando todas as cartas do jogo e admitindo, do começo ao fim, seus serviços para o Mestre, o primeiro acerto de contas do dia foi entre Seward e Reinfield, e devo dizer, a doutora não decepciona. Seja esmagando e prendendo o vampiro, ou seja andando pelo subconsciente dele, a Dr.ª Seward mais uma vez nos surpreendeu. É claro, também há o lamento de Reinfield. Encaramos o vampiro como “mais um” por toda a jornada, mas sua caminhada com a doutora, sua caminhada de arrependimento, não deixa margem para nada além de tristeza. Não há decepção.

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Na verdade, não há muita decepção em parte alguma da finale. A iconografia da série seguiu perfeita até seus momentos finais. Primeiro os sapos, depois os ratos… cada vez que uma maré de novas criaturas da noite surge, que mais pânico, mais das brumas em que Neil Gaiman envolveu um dos arcos mais celebres de seu Sandman, mais de tudo o mais simplesmente passa a existir, e a magnitude do medo, e o gosto desse medo, causado pela comunhão do Mestre e Amunet, passa a estar conosco.

É claro que tais reflexões só se formam depois de ver e rever os episódios algumas vezes. Afinal, enquanto pensamos nas consequências da névoa e das criaturas da noite, Malcolm, Kaetenay e Ethan estão sendo atacados na mansão, e mais uma vez, Catriona Hartdegen aparece para salvar o dia. E embora agora já não seja mais uma possibilidade, ouvir a danada Srt.ª Hartdegen pronunciar aquele “Mr. Chandler”, tão similar ao de Vanessa, lá no primeiro episódio da série, só nos deixa com mais certeza de que uma Liga liderada por Catriona, assim como uma vez foi por Vanessa, certamente renderia algo singular para a TV.

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Até mesmo o contato dela com Sir Malcolm, dando ordens a ele como se isso fosse cotidiano, só mostra que ela poderia trazer toda uma nova gama de experiências à trama. Na verdade, sejamos honestos, quem de nós não adoraria uma série dessa mulher caçando vampiros? Primeiro, como o Matheus bem sugeriu, ela poderia muito bem ser a filha de Van Helsing. Segundo, quem de nós não sentiu temor e excitação quando ela jogou “I whistle away haunts like you before breakfast, love.”? E terceiro… bom, acho que Perdita Weeks é um terceiro mais que suficiente.

Minha primeira queixa começa junto com a retomada do plot familiar de John Clare. Certo, no fim ele acaba por ir ter com a sua amiga e confidente, mesmo que para dizer adeus, mas muito me incomodou que a Criatura não tenha lutado ao lado dos outros para salvar Vanessa. Mesmo que ele tenha sofrido tanto para se reunir a esta família e quisesse passar os momentos finais do filho com o filho, acho que seria mais poético que ele tivesse estado ausente neste momento final… daria todo um tom mais soturno, e de maior arrependimento ao personagem, sem falar que maximizaria em muito o significado dessa perda para ele.

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Em compensação, adorei a maneira com que Dorian destruiu o clubinho de Lily. Rápido, eficiente e poético. Seja pela banalização de sua imortalidade – I love it when he does that – ou pelo simples fato de que, mesmo odiando Justine, ele a concedeu certa misericórdia… quer dizer, depois de ter destruído a idealização de realidade a qual ela se apegava. Sentirei sempre falta de um episódio, ou até mais, dedicado somente a ele, porque esses últimos momentos dele nos provaram que ele merecia.

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E talvez não tenhamos este episódio, mas Dorian nos deixa com o melhor de si. Seja pelo seu “Passion will undo the best of us and lead only to tragedy.” ou pela lição sobre a real natureza da imortalidade involuntária – “Do you not yet comprehend the wicked secret of the immortal? All age and die, save you. All rot and fall to dust, save you. Any child you bear becomes a crone and perishes before your eyes. Any lover withers and shrinks into incontinence and bent, toothless senility. While you… only you… never age. Never tire. Never fade. Alone.” – Dorian Gray, como todo o resto, viu sua trama chegar ao fim. E pior, sem Lily.

E falando em Lily, confesso que não duvidava que ela fosse usar a história da filha morta, mas não imaginei jamais que Victor realmente fosse deixá-la ir. Eu sabia que ele era facilmente manipulável por ela, mas achei que, se a ideia dele era livrá-la do sofrimento, qual seria o significado de deixar tais memórias existirem? No fim, talvez tenha sido melhor.

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“Perpetual Darkness” nos deixa num de seus melhores momentos: colados ao sofá para saber mais. Seja pela busca por Vanessa, pelo showdown final entre as Liga e Drácula, seja pela cenas à la “An American Werewolf in London” – revelação de que Kaetenay também é um lobisomem inclusa – ou simplesmente pelo fato de que deveria haver mais… algo nos obriga a continuar.

É talvez por isso que “The Blessed Dark” seja tão singular. Não por ser a Season, Series ou qualquer outro tipo de Finale. Mas sim porque Penny Dreadful nunca deixou de surpreender, de poetizar, de encontrar uma maneira de atribuir sempre um significado maior, de criar uma reflexão maior. Um exemplo disso é que nunca, em 27 episódios, uma abertura tinha nos cantado o desespero de forma tão lírica. Um desespero para o qual não se sabia se haveria final. Não me entendam mal! A abertura de John Logan, cheia de simbolismo e cenas impactantes é perfeita para a série. Mas quando, como uma lullaby, versos como “’Cause once this land / Was heaven on Earth / Green hills were all / You could see / But now it’s soot / And steel and brick / So it looks more / Like hell to me” são reproduzidos, é como se, assim como uma mãe, a série nos colocasse para dormir, nos confortando por aquilo que acontecerá.

É claro, há um ou dois pontos soltos que acabam por não ser sanados. Tome o mau Dr. Jekhyll, digo, Lord Hyde como exemplo. John Logan, se já tinha mesmo a ideia de encerrar a série aqui, poderia muito bem ter moldado o personagem de maneira mais cuidadosa. Como Lily bem descreve, ele acaba sendo só o ajudante – faltou a corcunda, mas tudo bem – louco retirado quase que inteiramente dos moldes dos filmes de terror dos anos 30. Vá lá, foi uma sacada brilhante toda aquela coisa de título, aristocracia e “Lord Hyde”, mas no fim, o personagem significou pouco para a trama e terminou seu tempo mais como uma incógnita do que qualquer outra coisa.

Outro pequeno detalhe deixado para os terrenos da imaginação é se, além de habilidosa com uma arma, Seward tinha algum dos poderes de sua ancestral. Misturando ciência e imaginário como sempre, Penny Dreadful não deixa claro como ela descobriu o esconderijo de Drácula. Faria sentido se ela já tivesse visto o lugar antes, mas quando ela olhou para placa e alegou saber, mais pareceu que ela estava olhando dentro do imaginário do próprio Reinfield.

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É claro, comparados aos confrontos finais, esses detalhes logo são esquecidos. Há primeiro a batalha inicial, a distração mais épica desde que Leeroy Jenkins causou a morte de toda a sua raide em World of Warcraft. Que Sir Malcolm nunca pretendeu recuar, que ele não deixaria a besta que lhe custou a filha sair ilesa daquele matadouro, disso nunca duvidei. Mas fiquei gloriosamente surpreso com o momento que antecedeu os tiros. Nunca essa equipe esteve tão alinhada, tão harmoniosa, cheia de um humor mordaz – com direito ao “Makes a change for a Tuesday, though.” de Catriona e o “Fuck him” de Seward – e mais letal para os vampiros do que nunca.

E cada um deles fez a sua parte. Victor lutou no melhor de sua forma. Sir Malcolm enfrentou dezenas, e mais dezenas tivesse, ele teria as enfrentado… Até Seward deu o seu melhor; E Catriona… ah, Catriona foi tão inusitada que é difícil de descrever. E olhe que o decoy não tinha nem acabado. Depois de lutar pelos esgotos, Ethan e Kaetenay surgem como mais fôlego para os já cansados combatentes.

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Mas há uma segunda batalha a ser lutada; aquela pela sobrevivência da humanidade. Aquela para salvar Vanessa. Uma batalha que somente o Lupus Dei poderia lutar. E quando Ethan caminha por aquele corredor branco, enquanto os outros enfrentam Drácula, o maior medo de todos nós era que Amunet, e não Vanessa Ives estivesse lá o aguardando. Seja como for, a jornada de Vanessa Ives chegou ao fim. Pelas mãos do Lupus Dei, a escuridão foi detida, e com um beijo e uma oração, os amantes foram separados para sempre… e a nossa amada Srt.ª Ives finalmente encontrou a paz de sua fé, de seu Deus.

E é aqui que as inúmeras queixas que poderia haver, aquelas poucas que eu pensei em fazer… é aqui que elas geralmente são feitas. É aqui em que agradeço a todos vocês por navegarem pelas milhares de palavras e pela prolixidade deste que vos escreve por toda uma temporada (muito obrigado pela companhia). É aqui também que recomendo que vocês confiram a nossa Autópsia da série (confiram, é um texto muito bem escrito, e acho que agora, todos nós precisamos de um pouquinho mais para conseguir dizer adeus). É aqui, com lágrimas – sim, me julguem – que toda e qualquer coisa precisa ser dita. Mas não farei queixas. Não direi nada. Assim como Vanessa disse a Ethan e a todos nós, precisamos deixar que acabe. Sim, como Sir Malcolm, nós sentiremos a falta dela e de Penny Dreadful – pois, em muitas partes e em quase todo o tempo, elas eram um só – em nossos ossos por muito tempo, mas devemos deixar que ela parta mesmo assim. Porque a conclusão que nos foi entregue honrou cada segundo que dedicamos a série. Até mesmo em sua cena final há uma poesia inigualável. Primeiro partem os companheiros mais recentes, Seward, Kaetenay e Catriona. Depois o bom doutor, segunda aquisição do time. E por fim, quando o pai e o amor de Vanessa se vão, a última Criatura da noite, o último não-amado, o companheiro mais inusitado de nossa adorada Srt.ª Ives também dá o seu adeus. Uma imagem tão poderosa, narrada pela poesia lida por este companheiro… tal momentum jamais deve ser profanado. Let it end.