Perdido na Montanha: a história real por trás do filme – Donn é resgatado?

Em 1939, no auge da Grande Depressão e às vésperas da Segunda Guerra Mundial, a história real de Perdido na Montanha acontecia.

Em 1939, no auge da Grande Depressão e às vésperas da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se comoveram com a incrível história de Donn Fendler, um garoto de 12 anos que sobreviveu sozinho por nove dias na selva do Maine após se perder durante uma trilha no Monte Katahdin, o ponto mais alto do estado. Agora, mais de 80 anos depois, essa trajetória de coragem ganhou as telas de cinema no emocionante longa Perdido na Montanha (Lost on a Mountain in Maine).

A trama de Perdido na Montanha é baseada no livro homônimo escrito pelo próprio Donn Fendler, que se tornou leitura obrigatória nas escolas do Maine. A história começa com uma simples caminhada entre Donn, seu pai, dois irmãos e um guia. No entanto, uma tempestade repentina os separa, e o garoto fica sozinho em meio à vastidão da floresta. Sem comida, com apenas algumas peças de roupa e com os sapatos em frangalhos, Donn percorre cerca de 130 quilômetros por terrenos inóspitos, enfrentando insetos, frio intenso, animais selvagens e a solidão.

Seu instinto de sobrevivência, fortalecido por lições aprendidas nos escoteiros e com o pai — como seguir o curso de um rio até encontrar civilização — foi crucial. Após dias sem sinal, a busca inicialmente local se transformou em uma operação massiva com cobertura nacional. O país, então carente de boas notícias, viu na luta daquele menino uma metáfora de esperança e perseverança.

Ao final do nono dia, Donn, 16 quilos mais magro, chegou a um acampamento de pesca. Estava exausto, mas vivo — e, para muitos, heróico.

Perdido na Montanha: Uma história que virou tradição

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Imagem: Divulgação

Após sua recuperação, Donn passou 25 anos contando sua história em salas de aula do Maine, inspirando gerações. Entre os jovens impactados estava Ryan Cook, então um aluno da quarta série em Waterville, Maine. Ao ouvir Fendler contar sua história pessoalmente, Cook leu o livro de Perdido na Montanha e até subiu o Monte Katahdin. Desde então, ficou com uma certeza: aquela história merecia um filme.

Décadas depois, já formado em cinema pela Emerson College, Cook decidiu que seria ele quem finalmente levaria a história às telas. Junto ao produtor Derek Desmond, ele procurou Donn Fendler em 2010. Cético, o então idoso Fendler respondeu: “Boa sorte pra vocês, mas não acho que isso vai acontecer.” Cook não desistiu. “Disse a ele que não era o tipo de cara que vai embora.”

Levou 14 anos, mas ele conseguiu.

Uma rede de conexões e perseverança

O projeto de Perdido na Montanha ganhou força com a ajuda de Dick Boyce, cuja família conhecia os Fendlers desde a infância em Rye, Nova York. O apoio de Boyce foi decisivo para garantir financiamento e conexões. Em Hollywood, Cook e Boyce apresentaram o projeto à Balboa Productions, de Sylvester Stallone. A produtora se interessou de imediato. “Eles disseram que Stallone adora histórias de superação. Nunca tinham feito uma com uma criança como protagonista.”

Curiosamente, Stallone tem uma ligação com Rye: foi nomeado membro honorário da polícia local em 1986, e uma das produtoras da Balboa, Heather Grehan, também cresceu na cidade. A rede de coincidências parecia confirmar que a história de Donn estava destinada ao cinema.



As filmagens de Perdido na Montanha ocorreram nos Catskills e no próprio Maine. As cenas de tempestade foram feitas em estúdio, mas o resultado é convincente. A atriz Caitlin FitzGerald, também do Maine, contou que ouviu Donn falar na escola quando criança — outro elo simbólico entre passado e presente.



Perdido na Montanha: a história real por trás do filme – Donn é resgatado?
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.