Por que Supergirl pode dar certo na TV?

Supergirl

Na sequência de um grande renascimento dos super-heróis na última década, em que personagens da DC e da Marvel estão ganhando recomeços na telona, as redes de TV não perderam tempo na tentativa de adequar os quadrinhos para seu o público.

No entanto, os heróis não são estranhos na TV, como por exemplo Batman, que teve três temporadas e 120 episódios na ABC na década de 1960 e, mais recentemente, Smallville, que chegou a dez temporadas e 218 episódios na WB / CW. No entanto, não há como negar que, com mais de dez adaptações de quadrinhos a caminho, os super-heróis são mais populares e rentáveis do que se imagina.

Para cada Constantine – recentemente cancelada pela NBC – há um The Flash, Arrow, ou Agents of SHIELD (para não mencionar Daredevil), que a cada temporada, soma milhões de telespectadores, e garante altas receitas de publicidade para as emissoras. Perspectiva lucrativa ou não – especialmente para redes que procuram diversificar as suas ofertas e seduzir os espectadores da concorrência – à medida que o número de super-herói na TV aumenta, o mesmo acontece com o perigo de saturação do mercado – especialmente com os crossovers e times de heróis numa mesma série.

Para fugir disso, os produtores têm desenvolvido shows sobre heróis notáveis – personagens que não se adequam a adaptações cinematográficas – ao criar uma série capaz de agradar aos fãs e telespectadores casuais. Para manter as suas bases, eles juntam elementos procedurais – que garantiram o sucesso de franquias como CSI, NCIS e outras – com narrativa episódica.

Continua após a publicidade

Mentes pro trás de duas atrações com relativo sucesso, Greg Berlanti e Andrew Kreisberg introduziram uma refrescante mistura de coração, humor e heroísmo no spinoff The Flash. Um ano depois, a dupla entrega mais uma dose de herói para a televisão: Supergirl, além do spinoff Legends of Tomorrow.

 

DC Comics heroes TV

 

Quando foi anunciado pela primeira vez que Berlanti e Kreisberg iriam trazer Kara Zor-El (prima do Homem de Aço) para a telinha, muitos fãs, jornalistas, e membros da indústria rejeitaram a ideia. A Warner Bros. lutou para relançar o Super-Homem (e Man of Steel ainda é um tema polêmico entre os fãs), por que os telespectadores ficariam otimista com a nova série da CBS?

Felizmente, o primeiro trailer de Supergirl, lançado durante a upfront desta semana, mostra que a emissora não está medindo esforços e, apesar do ceticismo inicial, pode entregar uma boa série de TV – que, mais do que qualquer outra, destaca a chance de atrair novos telespectadores e ao mesmo tempo atender aos fãs da personagem.

É impossível julgar toda a qualidade da nova atração com base em um trailer de seis minutos, mas a notícia de que a CBS encomendou uma temporada completa indica que a rede está confiante na mão orientadora de Berlanti, na estrela da série Melissa Benoist, e na concorrência com outros programas do gênero – Supergirl está no mesmo horário de Gotham, da FOX. Desde os uniforme ao chroma key, tudo tem sido objeto de críticas dos fãs, mas as reações iniciais às chamadas na mídia social indicam que uma grande quantidade de espectadores estão interessados ​​e, mais importante, animados para conferir a nova heroína da TV.

 

Supergirl

 

Enquanto os fãs mais xiitas debatem se a série terá ou não ligação com os filmes da DC ou com as séries Arrow / The Flash / Legends of Tomorrow, a Warner Bros. está ocupada adaptando uma propriedade para um público previamente inexplorado, como um caminho para as marcas do universo DC. A Marvel tem desenvolvido o seu formato de TV como uma extensão de um estilo próprio (onde o humor está no DNA de cada filme), mas o mais recente empreendimento da DC poderia ser o primeiro programa de super-heróis que realmente abaterá uma ampla audiência demográfica – trazendo as mulheres e os espectadores mais jovens. O retorno é ainda mais pungente se a série for bem-sucedida em possíveis crossovers (ou em desdobramentos no cinema).

Falando sobre o show – e quem é realmente a heroína, Benoist declarou:

 

“O que é tão maravilhoso sobre ela é que é uma personagem tão relacionável, entre seus poderes… O que eu estou mais animada é contar uma história sobre um ser humano que realmente percebe o seu potencial e sua força, e eu acho que isso é algo que todo mundo vai torcer e querer em suas próprias vidas – estou muito animada com isso “.

 

A nova série coloca a DC Comics um passo a frente da Marvel – que mesmo tendo personagens femininas na telona – não repete o favoritismo na TV, já que Agent Carter não teve o retorno esperado em termos de audiência, e cogitou uma atualização com Emily VanCamp – Sharon Carter nos cinemas – no papel principal. Isso faz de Kara uma heroína bem-vinda na televisão, já que ela começa em tempo atual, com dramas atuais, e se colocando num mundo onde a mulher tem lutado por seu lugar ao sol.

Da mesma forma, assim como Daredevil precisava de um tom sombrio e violento para descrever adequadamente o Homem Sem Medo, e, posteriormente, foi um sucesso na Netflix, o material de Supergirl é, comparativamente, muito mais leve. Isso não quer dizer que a série não deve ser levada a sério, ou não tem sido fundamental nas poderosas (e incrivelmente sombrias) histórias em quadrinhos, mas muito parecido com The Flash, o seriado de Melissa Benoist está no seu melhor quando misturando auto-empoderamento com um senso de admiração lúdica e de aventura, muitas vezes ignorados pelos companheiros da DC Superman, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, e Batman, para citar alguns.

Em uma indústria (e no mundo) que se tornou dominado pela tristeza e melancolia, uma série de TV mais descontraída como Supergirl chega no momento perfeito, com uma mensagem oportuna: não temos de cerrar os dentes e se distanciar dos entes queridos em situações de dificuldade. Ainda falta um pouco para julgarmos, mas o trailer e entrevistas com elenco e produtores indicam que Kara Zor-El não vai ser torturada com a auto-aversão. Ao contrário disso, ela embarca em uma jornada de auto-descoberta.

 

Supergirl

 

O ponto de divergência entre Supergirl e Superman é a inclusão de James Olsen (Mehcad Brooks), que diz a Kara que seu famoso primo esperava que ela se tornasse uma heroína, mas, em última análise, o ideal seria que fosse uma escolha dela. É uma história comum para os telespectadores do gênero, independentemente do sexo, idade ou etnia – nós não escolhemos os nossos desafios, mas podemos escolher como enfrentá-los.

Supergirl tem o potencial para lembrar o público que muito antes do aspecto sombrio ser moda, ter superpoderes e salvar o dia era para ser divertido – e inspirar todos nós a sermos melhor.

 

Tags Supergirl
Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

2 comments

Add yours
  1. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 20 maio, 2015 at 08:05 Responder

    Eu realmente me empolguei com o trailer de Supergirl, que até por conta disso irei resenhar a série quando estrear. Acho bom a DC investir mais mesmo em produções para TV, e fora de sua zona de conforto (CW), que tem transmissão apenas em uma parte dos Estados Unidos. Agora Supergirl é diferente de Arrow e The Flash, sucessos do gênero por lá, pois além do clima mais leve (sendo que a história de Barry Allen tem isso também), o país todo terá acesso ao show durante sua transmissão.
    Será uma disputa de Titãs com Gotham? Com certeza, mas a CBS sabe o que faz, e se a atração flopar bola pra frente, simples assim.

  2. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 20 maio, 2015 at 10:35 Responder

    Léo excelente texto. O trailer realmente empolga, mas estou receoso. Lá no fundo, tem um alerta piscando e apontando pra uma bomba. Entretanto, sim, se souberem trabalhar pode ser um enorme sucesso. É o que desejo…

Post a new comment