Preacher – 1×01 – Pilot – [SEASON PREMIERE]

Imagem: IMDb/Divulgação

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“We are who we are, Jesse Custer!”

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“Mais uma produção da Vertigo será adaptada para a TV”. Taí uma frase que me enche com tanto terror quanto “George Lucas Director’s Cut.”. Ok, deixando as piadas referenciando The Big Bang Theory de lado, é meio impossível, para um fã mais conservador (para não dizer chato) – a.k.a. eu – de quadrinhos, aceitar a ideia de que Preacher pudesse ser adaptado, principalmente quando consideramos que as outras adaptações do material da Vertigo – a saber, Constantine (NBC) e Lucifer (FOX) – foram dois fiascos completos.

E é claro, mesmo sendo na AMC, um canal que teria muito mais possibilidades de inserir algumas das marcas registradas da HQ, era meio complicado não temer, mais ainda quando vimos uma Tulipa e um Cassidy bem diferentes daqueles que conhecemos e amamos nos quadrinhos, isso para não mencionar as “alterações” feitas no lore do próprio Jesse Custer. MAS, como quem acompanha minhas reviews sabe, eu adoro ser provado errado, nem que seja parcialmente, por uma boa produção. Preacher não é o que nós esperávamos, mas é bem melhor do que o que poderia ter sido.

O começo do piloto é promissor, porque mostrar o Genesis explodindo um hospedeiro num banho de sangue que poderia muito bem ter sido dirigido por Tarantino – isso para não mencionar a eficiência d’A Palavra (a habilidade de fazer aqueles que ouvem obedecer) – nos dá a ideia de que nenhuma hipótese é descartada, e que a série não conhece a linha dos limites de moralidade que afetaram as outras produções. Mas, infelizmente, esse ritmo é diluído ao longo do episódio, mesmo que, no fim das contas, o saldo da série seja bem positivo.

Os acertos da série em seus minutos iniciais vão além disso. Introduzir Dominic Cooper – a pessoa mais apropriada para o papel – como Jesse Custer mostrando a cena do assassinato do pai dele, e tudo isso ao som de “Time of the Preacher” foi uma jogada brilhante, e menos não era esperado de um piloto escrito e dirigido por Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin. Nos entregar uma cidadezinha qualquer, num canto do Texas esquecido até por Deus – yes, pun intended – e que deixa o gosto de poeira na nossa boca graças à uma fotografia e paleta de cores muito bem escolhida também é um ponto positivo dos primeiros minutos. Assim como é o texto inicial da placa da congregação de Custer, “Open your ass and holes to Jesus”. Todo o tom de descaso e desengano do Preacher com sua congregação e da congregação com seu Preacher são perfeitamente exemplificados ali.

Noutra parte da história, a introdução de Cassidy também foi muito bem feita. Toda a ironia e frenesi que eu esperava do nosso vampiro irlandês foi entregue ao melhor estilo Rogen, com direito até mesmo a encher uma garrafa do sangue do piloto com a mesma casualidade que ele usou ao matar todos os outros “caçadores” ali.

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

E que surpresa não foi ver Ruth Negga – odiada como Raina em Agents of S.H.I.E.L.D. – começar a sua jornada com Tulipa O’Hare cantando? É claro que ficamos mais surpresos por vê-la numa das melhores brigas de carro possível, com direito a uma orelha arrancada com os dentes e morte por espiga de milho. Confesso que não estava esperando gostar dela no papel como gostei, mas quando ela saiu com “Of course, boy or girl, if you’re lucky enough to fall in love, you have to be even stronger. Fight like a lion to keep it alive. So that… So that on the day your love is… weak enough or… selfish enough or frickin’ stupid enough to run away, you have the strength to track him down… and eat him alive.” eu já não tinha mais como reclamar. Plus, uma mulher que constrói uma bazuca usando cachaça de milho, latas e brinquedos é meio difícil de não admirar.

E depois disso, como não ficar satisfeito com, apesar ter havido alguma enrolação no caminho até esse ponto – da qual não iremos falar por razões de “I don’t want to” ­–, a briga no bar, uma das melhores desde que Jessica Jones e Luke Cage bateram num time de rugby inteiro. Melhor ainda porque Jesse e Cassidy têm a chance de passar um tempo de qualidade virando bros numa cela.

No fim, o episódio termina, mesmo que com marasmos que poderiam ser removidos – afinal, um episódio com mais de uma hora é difícil de manter – exatamente como eu queria. Jesse tem a Palavra, mas não faz ideia disso ou do real poder dela, o que resulta em Ted arrancando o próprio coração – embora eu esperasse pela cena do “vá se foder” dos quadrinhos… quem sabe nos próximos episódios.

Bom, é isso. Não deixem de acompanhar as nossas reviews de Preacher. E, caso você ainda esteja em dúvida sobre acompanhar a série, não deixe de conferir o nosso Mix de Opiniões sobre a série. Até a próxima review!

P.S.: Lucy Griffths, a mesma Lucy Griffths que abandonou Constantine, agora está tentando a sorte em mais uma série adaptada de material da Vertigo. Resta saber se ela pretende ficar.

Tags Preacher
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

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