Preacher – 1×02 – See

Imagem: IMDb/Divulgação

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Preacher começa seu segundo episódio de maneira estranha. Depois de um piloto com toda a cara de piloto, eu esperava que a série fosse nos levar direto para os detalhes que finalizaram o episódio passado: a chegada dos dois estranhos à cidade (provavelmente são agentes do Graal), as consequências da morte de Ted ou até mesmo mais sobre os planos de Tulipa ou sobre a mudança de comportamento de Jesse. Mas “See” começa indo numa direção completamente diferente.

Numa combinação de elementos do western, perfeitamente apropriados a ambientação da série, Preacher abre o episódio nos mostrando um cavaleiro solitário – nada parecido com aquele feito por Johnny Deep – vagando pelo deserto. E pode ser só o fato de que eu espero muito que o personagem apareça na série, mas acho que este cavaleiro tem todo o potencial para ser revelado como o Santo dos Assassinos.

Mas deixando o começo e seu tour pelo passado de lado, somos introduzidos a um novo Jesse Custer. Antes o homem que pensava em abandonar sua paróquia, agora o homem que faz batismos e que prega vigorosamente a palavra de Deus. Isto é, até Tulipa O’Hare aparecer.

Imagem: Arquivo Pessoal/Richard Gonçalves

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

Ruth Negga decididamente é uma atriz para quem conceitos visuais devem ser criados. Quando ela era a infame Raina, a mulher do vestido de flores, havia toda uma atmosfera envolvendo-a, se propagando do mistério que era a personagem através dessa identidade visual. Agora, como Tulipa, ela faz a mesma coisa. A atmosfera de errado, de “mad, bad and dangerous to know” dela fica cada dia mais intensa, esteja ela vestindo roupas rasgadas e montando bazucas ou vestida provocativamente para implicar com Jesse Custer. Divagações sobre conceitos visuais deixadas de lado, adorei a cena do “batismo” dela, não só pela erotização do contato dela com Jesse, mas pela piadinha do “all wet”, mais um exemplo dos motivos para a AMC ser um lugar realmente apropriado para Preacher.

ADOREI a conversa de Jesse e Cassidy sobre Cara-de-Cu. Um fato importante do canon foi inserido de uma maneira corriqueira na série, dispensando longas explicações e ainda dando uma oportunidade para que essa dupla dinâmica continue a construir a parceria que tanto queremos ver em ação.

A cena da demolição da casa também foi muito boa. Gosto muito da crueza e dos jogos de câmera que a série tem feito, e acho que isso acrescenta todo um outro nível de verossimilhança à trama. É claro que isso não se compara ao que aconteceu na igreja. Cassidy roubar Jesse e pensar em fugir, mas voltar quando percebe que pode ter deixado o Preacher em perigo foi excelente, e quase tão bom quanto a briga em si. Seja por ver o nosso vampiro irlandês derrubando e retalhando duas figuras misteriosas e fazendo referências a “Scarface” no processo foi uma das melhores coisas que o episódio poderia fazer.

No fim do dia, entretanto, Preacher é experimental demais. Não me entendam mal, eu até gosto de algumas das mudanças feitas, e é obviamente mais barato manter todos os acontecimentos numa cidade só em oposição a sair por aí aventurando com o power trio Jesse-Tulipa-Cassidy, mas acho que o ritmo da série está instantâneo demais. Entendo que o frenetismo combina com a criação de Garth Ennis e Steve Dillon, mas acho que não mataria gastar esse segundo episódio, e até parte do terceiro para realmente situar o telespectador. Seja o fã que leu as HQ’s ou aquele que está conhecendo os personagens e seu universo agora, todos poderíamos ser beneficiados com algumas coisas do universo da série sendo melhor estabelecidas diretamente na trama.

Enfim, Preacher pode ser um sucesso, ou pode acabar sendo mais um cancelamento que deturpou mais um de nossos adorados personagens da Vertigo. É claro, para descobrir quais serão os resultados, teremos que continuar assistindo. Então, vejo vocês na próxima review.

Tags Preacher
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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