Preacher – 1×07 – He Gone

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Preacher, Preacher, Preacher… brincar com a paciência do telespectador por tanto tempo é um blefe arriscado, mais ainda quando não se tem realmente um flush decente à mão.

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“He Gone” é muitas coisas, e bom nem sempre é uma delas. Começou mal, com uma única gota de bom, depois desceu muito, mesmo com méritos para a construção do mistério sobre Eugene, mas no fim do dia, Preacher não está bem, não está essa coisa toda, não está nem passável; Preacher está errada.

Mas vamos começar pelo que podemos defender na série, já que não há muito que possamos mudar. Gostei muito que tenha sido construído um mistério – previsível, mas bem feito – sobre o destino de Cara-de-Cu. Mostra que, mesmo que não pareça, a série está pensando em construir algo num futuro que não pode ser distante, já que o fim da temporada se aproxima rapidamente.

É claro que, na primeira metade do episódio, se desconsiderarmos esta pequena traquinagem narrativa sobre Eugene, é difícil crer que seja realmente pensado naquilo que está sendo exibido antes de se exibir. Não sou dos mais radicais entre os fãs, e embora adore Preacher – assim como os outros títulos da Vertigo – não sou tolo ao ponto de desconsiderar a necessidade de se adaptar todo o trash que a HQ nos entrega para fazê-la viável ao telespectador, mas a lentidão, o tédio, os erros grosseiros e toda a sensação de “whatever” que define a série até aqui fazem com que seja difícil acreditar que isso tenha assegurado uma segunda temporada.

Tulipa e Cassidy foram DESPERDIÇADOS em grande parte do que tivemos até aqui. Primeiro separadamente, já que, mesmo que Ruth Negga tenha feito o possível, se você rever os episódios anteriores, o charme desaparece a grotesquice do roteiro fica mais evidente. Cassidy teve seus momentos, como um verdadeiro fdp que apresenta bons alívios cômicos e mortes deliciosas, mas que não vai além disso. E quando colocados em conjunto, eles foram uma coisa ainda pior. A dinâmica que os fãs dos quadrinhos… na verdade, me corrijo, para não soar como os fanboys mais bocós; a dinâmica que eles poderiam construir de antagonismo moral entre eles é deixada de lado por esta infantilidade ridícula que temos visto. E pior, estas cenas fazem com que momentos como aquele em que Tulipa toma conta do tio – uma cena perfeita pelo bucolismo distópico e pela atuação de Ruth Negga – ou o verdadeiro showdown moral entre Cassidy e Jesse (mais a frente no episódio) deixam de realmente impressionar quando sabemos que teremos mais do resto na maioria do tempo.

A magnitude do argumento do meu parágrafo gigante fica ainda mais evidente quando, reparecendo depois de sua última traquinagem, Odin Quincannon dá as caras na igreja e ele não é a pior coisa do episódio. Na verdade, foi a pessoa perfeita inserida no melhor momento para questionar o poder da palavra de Genesis. Até mesmo a historinha tediosa dele sobre o gado no (acreditem ou não) Brasil passam com incômodo médio quando ele mostra a que veio: cobrar a aposta que, passado o efeito do poder de Genesis, ele venceu.

Imagem: Banco de Séries

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A história de Eugene e Tracy, essa sim foi a pior escolha. Mesmo sendo defensor da inserção do máximo possível do lore da série, não consigo concordar com a maneira que isso foi feito. Adorei sim que levou a um dos melhores confrontos entre Jesse e Cassidy, com a possível morte do vampiro, mas não acredito que, com Genesis ou sem Genesis ele fosse realmente esperar que isso fosse passar em branco, que a “O’Hare”, com todo o tom de insulto dado por ele, ou que até mesmo Emily pudessem apoiá-lo.

É claro, toda a construção do episódio, os confrontos, a declaração de guerra de Odin Quincannon, que pretende sim enfiar aquele trator na igreja deixam a pergunta de como eu ou qualquer outro que critique a série não estamos contentes com o resultado. E a série fornece a resposta para que não seja preciso um argumento maior. Tão pouca pressa para tratar dos personagens e suas ameaças antes – afinal, levaram seis, não um, não dois, seis episódios para que os já desaparecidos Fiore e Deblanc (e os outros problemas angelicais) confrontassem Jesse diretamente – e agora não leva nem meio episódio para Quincannon bater na mesa e chamar os capangas? Inconsistência é uma coisa que, mesmo que já seja o que esperamos da série, não é algo para ser usado assim, a torto e a direito. Foi um blefe muito alto, e não tenho certeza de que Preacher realmente tenha saído vitorioso dessa.

Tags Preacher
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

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