Preacher – 1×07 – He Gone

Imagem: Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
Imagem: Captura de Tela/Reprodução

[spacer height=”20px”]

Continua após publicidade

Preacher, Preacher, Preacher… brincar com a paciência do telespectador por tanto tempo é um blefe arriscado, mais ainda quando não se tem realmente um flush decente à mão.

Continua após a publicidade

“He Gone” é muitas coisas, e bom nem sempre é uma delas. Começou mal, com uma única gota de bom, depois desceu muito, mesmo com méritos para a construção do mistério sobre Eugene, mas no fim do dia, Preacher não está bem, não está essa coisa toda, não está nem passável; Preacher está errada.

Continua após publicidade

Mas vamos começar pelo que podemos defender na série, já que não há muito que possamos mudar. Gostei muito que tenha sido construído um mistério – previsível, mas bem feito – sobre o destino de Cara-de-Cu. Mostra que, mesmo que não pareça, a série está pensando em construir algo num futuro que não pode ser distante, já que o fim da temporada se aproxima rapidamente.

É claro que, na primeira metade do episódio, se desconsiderarmos esta pequena traquinagem narrativa sobre Eugene, é difícil crer que seja realmente pensado naquilo que está sendo exibido antes de se exibir. Não sou dos mais radicais entre os fãs, e embora adore Preacher – assim como os outros títulos da Vertigo – não sou tolo ao ponto de desconsiderar a necessidade de se adaptar todo o trash que a HQ nos entrega para fazê-la viável ao telespectador, mas a lentidão, o tédio, os erros grosseiros e toda a sensação de “whatever” que define a série até aqui fazem com que seja difícil acreditar que isso tenha assegurado uma segunda temporada.

Continua após publicidade

Tulipa e Cassidy foram DESPERDIÇADOS em grande parte do que tivemos até aqui. Primeiro separadamente, já que, mesmo que Ruth Negga tenha feito o possível, se você rever os episódios anteriores, o charme desaparece a grotesquice do roteiro fica mais evidente. Cassidy teve seus momentos, como um verdadeiro fdp que apresenta bons alívios cômicos e mortes deliciosas, mas que não vai além disso. E quando colocados em conjunto, eles foram uma coisa ainda pior. A dinâmica que os fãs dos quadrinhos… na verdade, me corrijo, para não soar como os fanboys mais bocós; a dinâmica que eles poderiam construir de antagonismo moral entre eles é deixada de lado por esta infantilidade ridícula que temos visto. E pior, estas cenas fazem com que momentos como aquele em que Tulipa toma conta do tio – uma cena perfeita pelo bucolismo distópico e pela atuação de Ruth Negga – ou o verdadeiro showdown moral entre Cassidy e Jesse (mais a frente no episódio) deixam de realmente impressionar quando sabemos que teremos mais do resto na maioria do tempo.

A magnitude do argumento do meu parágrafo gigante fica ainda mais evidente quando, reparecendo depois de sua última traquinagem, Odin Quincannon dá as caras na igreja e ele não é a pior coisa do episódio. Na verdade, foi a pessoa perfeita inserida no melhor momento para questionar o poder da palavra de Genesis. Até mesmo a historinha tediosa dele sobre o gado no (acreditem ou não) Brasil passam com incômodo médio quando ele mostra a que veio: cobrar a aposta que, passado o efeito do poder de Genesis, ele venceu.

Imagem: Banco de Séries
Imagem: Captura de Tela/Reprodução

A história de Eugene e Tracy, essa sim foi a pior escolha. Mesmo sendo defensor da inserção do máximo possível do lore da série, não consigo concordar com a maneira que isso foi feito. Adorei sim que levou a um dos melhores confrontos entre Jesse e Cassidy, com a possível morte do vampiro, mas não acredito que, com Genesis ou sem Genesis ele fosse realmente esperar que isso fosse passar em branco, que a “O’Hare”, com todo o tom de insulto dado por ele, ou que até mesmo Emily pudessem apoiá-lo.

É claro, toda a construção do episódio, os confrontos, a declaração de guerra de Odin Quincannon, que pretende sim enfiar aquele trator na igreja deixam a pergunta de como eu ou qualquer outro que critique a série não estamos contentes com o resultado. E a série fornece a resposta para que não seja preciso um argumento maior. Tão pouca pressa para tratar dos personagens e suas ameaças antes – afinal, levaram seis, não um, não dois, seis episódios para que os já desaparecidos Fiore e Deblanc (e os outros problemas angelicais) confrontassem Jesse diretamente – e agora não leva nem meio episódio para Quincannon bater na mesa e chamar os capangas? Inconsistência é uma coisa que, mesmo que já seja o que esperamos da série, não é algo para ser usado assim, a torto e a direito. Foi um blefe muito alto, e não tenho certeza de que Preacher realmente tenha saído vitorioso dessa.