Preacher – 1×08 – El Valero

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

Continua após as recomendações

Finalmente, finalmente um episódio de Preacher consegue prender a atenção nos segundos iniciais. A tragédia que se abateu sobre a família Quincannon, o momento perturbadoramente epifanico de Odin com os restos mortais da filha, a presença do pai de Jesse… tudo tão perfeitamente conectado… nem se quer parecer ser tudo parte da mesma série tão problemática que já conhecemos.

Continua após a publicidade

Na verdade, “El Valero” é talvez o episódio com mais cara do que esperávamos de Preacher até aqui. O não uso – pelo menos inicialmente – da palavra por Jesse, a promessa dele a Deus para trazer Cara-de-Cu de volta, o pânico legítimo (no primeiro bom exemplo de atuação decente de Ian Colleti)… foi tudo excelente. A narrativa do rapaz convenceu até os mais céticos, até mesmo no “It’s not that far” ao se referir a distância até o inferno. É claro, gostei mais ainda da ideia de que aquele não era realmente Eugene. Pela primeira vez a série sobre usar o fator “que [email protected] é essa” a favor da trama.

E embora as coisas boas – como o dinamismo imprimido ao episódio – não se resumam a estes detalhes, há algumas notas não tão positivas assim que precisam ser feitas.

Por exemplo, o pequeno showdown de Emily, que finalmente deu uma resposta mais bruta ao prefeito Miles foi ótimo – porque ninguém suporta mais o prefeito pushover – mas isso foi inserido numa hora em que estávamos mais preocupados com Tulipa alimentando Cassidy com um cachorro ou, você sabe, com a guerra aberta Quincannon-Custer pela igreja do que com a obsessão bizarra do prefeito. E isso só é piorado posteriormente. Todo o discurso “trumpiano” sobre sacrifícios e fazer da cidade algo “grande” enojaram e entediaram.

A cena meio western meio sniper de Jesse atirando da igreja talvez tenha sido uma das mais bizarras num episódio cheio de uma bizarrice meio positiva. Gostei muito da postura de Jesse, mas ao mesmo tempo, não posso negar que a infantilidade de quotes como “Not only can Preacher fight, he can shoot…” meio que estragaram o todo da sequência. É claro, a parte com Clive foi um dos melhores alívios cômicos que poderiam ser inseridos, mas mesmo assim… há espaço para fazer mais, e claro, melhor.

Uma coisa não pode ser tirada dos méritos da série: o cinismo de Quincannon quanto ao caráter sagrado – não estou afirmando nem negando que haja algum – do solo e da Igreja como um todo refletiu perfeitamente a quebra de que tomou conta de Odin depois da perda de sua família.

Entretanto, o fim do dia traz algum desconforto com a série. No fim, Preacher volta para o mesmo erro e encerra o episódio voltando a usar seu fator wtf para tentar instigar o telespectador a voltar para mais dois episódios, por querermos saber o que Jesse fará, qual será o resultado de tudo isso. Mas não sentimos realmente essa vontade. Não queremos realmente ter que voltar e não acho que as coisas possam ser melhoradas. Mas, já que chegamos até aqui, a série deveria se empenhar em fazer algo bom, sem joguetes. Afinal, se sobrevivemos até aqui, é meio óbvio que não vamos abandonar a série nos segundos que nos separam da finale.

Tags Preacher
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

2 comments

Add yours
    • Richard Gonçalves
      Richard Gonçalves 2 agosto, 2016 at 07:30 Responder

      Ah, eu queria dar zero, mas é preciso achar o meio termo… vai que existe fandom (eu desconheço) e eles se chateiam?

Post a new comment