Precisamos falar sobre… A Batalha dos Bastardos

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De tempos em tempos, a TV tem momentos que entram para a história, momentos que prendem a atenção e que garantem que multidões estarão assistindo. Seja uma series finale de uma grande produção – como foi com Lost, House, The Good Wife e tantas outras – ou simplesmente por um evento singular, que transforma para sempre a trama e divide permanentemente o fandom. Na verdade, parcialmente graças X-Files e a Shonda Rhimes, um horizonte de expectativa de que as temporadas sejam encerradas ou divididas por grandes eventos, tragédias em sua maioria.

Mas não são só as produções da ShondaLand que grudam os fãs à TV e brincam com nossas emoções. Game of Thrones, que será o tema da nossa traquinagem de hoje, tradicionalizou que o seu nono episódio será sempre algo memorável, desde a decapitação de Ned Stark em “Baelor” até os eventos que agitaram o último domingo da HBO, em “Battle of the Bastards”. E embora num texto anterior eu já tenha discutido um pouco sobre os rumos da série, decidi, desta vez, analisar essa obra de arte televisiva/cinematográfica que nos foi entregue.

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Ah, embora não seja intencional, é bem óbvio que o post será dominado por spoilers, então, fica aqui o meu aviso:

SPOILERS

Flocos de neve numa nevasca

Como vocês podem – e devem – conferir na nossa review do episódio, “Battle of the Bastards” superou expectativas, nos sobrecarregou com emoções e conseguiu causar katharsis incríveis nos telespectadores. E mesmo que o episódio tenha tido uma ponta de Daenerys – já shippando ela com Yara Greyjoy – o que realmente queríamos ver era o banho de sangue pelo domínio do Norte.

Prometida desde o início da temporada, a Batalha foi executada com maestria, além de contar com uma quantidade de recursos gigante – quatro equipes completas de filmagem (mais ou menos umas 600 pessoas), 500 extras que compuseram os exércitos, 160 toneladas de cascalho, 70 cavalos (acreditem ou não, eles só não são mais caros que o CGI em si), 25 dublês, 25 dias de gravações e é claro, no mínimo os 10 milhões de dólares já habituais.

Como um todo, não existem reais críticas que possam ser levantadas, embora muito possa ser dito. É aquela coisa, não dá realmente para criticar, mas tem muito que dá para se torcer o nariz para. Entretanto, não há como negar que todo o trabalho da série produziu um bom resultado. E mais, como eu e outros fãs mais radicais publicamos, redes sociais a fora, a série finalmente pagou a longa conta que vinha criando conosco por certos erros e saiu com saldo suficiente para fazer o que quiser. Podem até matar Tyrion, como a internet está sugerindo, que eu não vou me importar. Afinal, se a Batalha dos Bastardos foi assim, a verdadeira Guerra não poderá nos decepcionar.

Referências… e um padrão estético

A habilidade de se auto-consumir, de aproveitar e evidenciar características pré-definidas no corpo da série é um dos muitos diferenciais de Game of Thrones. Um padrão existe, visual e narrativamente falando, e a série mais uma vez foi felicita em aproveitar ao máximo isso.

HelmOfThronesPor exemplo, nenhum de nós duvidava que Ramsay Bolton fosse matar Rickon Stark. Na verdade, tenho que admitir, que até a cena final, em que eles finalmente aparecem, fiquei até desapontado que Ramsey não tenha soltado seus famigerados cães para perseguir o mais novo dos Stark – embora tenha sido divertido vê-lo brincar de Merida.

A ambientação da batalha em si também foi brilhante. Miguel Sapochnik, que já havia nos presenteado com “Hardhome” na temporada passada, soube construir um Norte que realmente parece pronto para ser acometido pelo Inverno, com uma paleta de cores noturna e invernal, e onde o massacre rolou solto, tudo isso sem faltar certa poesia. Cenas como a que Jon Snow luta para respirar enquanto é pisoteado pelas centenas de seus selvagens, tudo isso enquanto eles estão sendo pressionados pelo cerco Bolton, ou até mesmo Tormund quase morre são espetaculares. Toda a cena do avanço do cerco, da pressão, com um ângulo mais alto da câmera inicialmente, e depois somos levados ao nível do chão, lembrando muito o cerco ao Abismo de Helm ou com o avanço de Aragorn contra o Portão Negro – ambos eventos de O Senhor dos Anéis.

gotbatalhadosbastardos3Sapochnik provou que não deixa nada a desejar, até mesmo para os padrões Hollywoodianos, e a HBO cravou 19 de junho de 2016 como um dia que será sempre lembrado na história da TV. A história foi narrada com um ritmo sufocante, mas sem distanciar o telespectador em nenhum momento. O gosto do pó e do sangue estava em nossa boca enquanto Ramsey ordenava seus arqueiros que atirassem e sua cavalaria que marchasse sobre os inimigos. E assim como Jon, nós também ficamos sufocados até o último segundo, quando num clichê que nem se quer soou clichê, Sansa e Littlefinger chegaram para salvar o dia.  E quem entre nós não se surpreendeu quando Wun Wun, o último dos gigantes, resolveu o que teria sido um cerco de dois anos – se considerarmos a descrição de Winterfell pós-Theon feita nos livros – em cinco empurrões bem dados, morrendo uma morte de herói (que não escapou aos memes da internet) e dando a chance de Jon quebrar a cara de Ramsey, numa cena que representou cada um de nós, que há muito queríamos espancar o vilão, que encontrou seu fim, como prometido pela produção, numa das mortes mais inusitadas e icônicas da série.

Para onde ir agora

É claro que, depois de assistir e reassistir o episódio algumas vezes, todos nós temos muitas perguntas que precisam ser respondidas sobre os rumos que a série vai tomar, e sobre o quanto a vitória de Jon no Norte afetará o conjunto da trama – livros e série.

Depois de dar uma aula sobre como se fazer uma batalha num universo de ficção medieval, Game of Thrones não pretende diminuir o ritmo. Com episódios contados até o fim da série, todos os arcos devem ser fechados, todas as tramas finalizadas, e agora que o Norte foi expurgado dos Bolton, guerras muito mais importantes, e difíceis, precisarão ser lutadas. Como Davos nos lembrou anteriormente, os mortos estão vindo, e ainda há toda a política para se resolver.

clipboard0-tileSerá Jon Snow coroado Rei do Norte? Será que ele, depois de tudo o que a Feiticeira Vermelha fez por ele, terá a coragem de conceder a justiça de ferro a Davos pela morte de Shireen Baratheon? E falando em justiça de Ferro, estará Daenerys se preparando para deixar a Baía dos Escravos com sua nova bff, Yara Greyjoy? E quanto a Sansa? Tão eficiente neste episódio, o que será que a moça prometeu a Littlefinger pela ajuda?

Mais do que nunca, a estrada a nossa frente é cheia de névoas de mistério, envoltas num inverno que está para ser confirmado pelo corvo branco de Oldtown. Entretanto, todos esses mistérios e os muitos outros – especialmente os de King’s Landing – já estavam aqui antes da matança no Norte. O que mudou, é que nenhum deles será novamente o mesmo depois desta que foi, sem dúvida, uma das melhores batalhas já feitas na TV.

Bom, é isso. Alguns episódios nos separam da finale, e embora eu pudesse continuar escrevendo por mais algumas mil palavras, não acho que possa dizer mais nada sem entediar vocês com detalhes excessivos ou sem soar mais fanboy do que acima. Então, deixo vocês com a certeza de que Game of Thrones elevou, permanentemente, o nível do que consideramos qualidade televisiva. E enquanto a luta pelo Trono de Ferro não chega, fiquem com o trailer da finale. Au revoir!

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Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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