Precisamos falar sobre… a instabilidade de The Walking Dead

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The Walking Dead retornou no último domingo (14) com a segunda parte de sua sexta temporada. Foi lindo, foi f#[email protected], assustador, fiquei aflito do início ao fim. Isso faz dela a melhor série do momento? Nem de perto.

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A série possui um sério problema de instabilidade em sua trama, e isso é algo que os fãs já vem notando desde a segunda temporada – que foi a primeira a ter mais que dez episódios. E antes que venham me chamar de hater ou algo parecido, já afirmo: eu adoro a série, assisto sempre, procuro me manter informado sobre os arcos dos quadrinhos e acho fantástico os efeitos visuais. Mas há algo que não vem funcionando na série, e precisamos falar sobre isso…

 

Todo começo de temporada é maravilhoso…

Robert Kirkman começa toda temporada de The Walking Dead de maneira genial. Talvez seja porque, como você verá ao final deste texto, os finais de temporada costumam ser bem angustiantes – no bom sentido. O engavetamento no segundo ano e a chegada à prisão no terceiro são só alguns exemplos de como os produtores sabem contar bem uma história.

O ápice talvez tenha sido neste último ano, quando TWD iniciou sua sexta temporada magistralmente em um jogo de cenas preto e branco que mostrava o futuro da trama. Saber trabalhar bem com o espectador é algo fundamental, e é sempre isso que faz a série angariar recordes e recordes em suas estreias… Episódios como esse mostram que o drama de Robert Kirkman possui grandes roteiristas e produtores que, quando querem, sabem contar uma boa história.

 

Aí vem os episódios seguintes, e algo sai errado!

Se você é fã de The Walking Dead – pelo menos um com uma bagagem de boas séries no currículo – sabe que a série tem um pequeno probleminha. Ela não consegue manter o pique nos episódios seguintes. O pior de tudo é que isso é um fato que acabou se generalizando há um bom tempo. Desde que a AMC resolveu encomendar sempre 16 episódios por temporada, os produtores precisam contar, recontar e, até por vezes, estender certas tramas para que a série alcance tal número. O que é uma pena.

Espera, você discorda? Ou nunca tinha notado? Vai me dizer que você nunca parou para se perguntar “não vai acontecer nada neste episódio”? Pois é, esse é um exemplo clássico de filler – episódios que servem apenas para dar barriga e que não acrescentam em nada para a série. Nesta temporada mesmo tivemos um episódio “chatíssimo” do Morgan que quebrou completamente uma tentativa de manter o ritmo com o eletrizante começo de temporada. Meio desnecessário, não acham?

“Mas Anderson, não são todos os episódios assim, você está exagerando!”. Sim, meu caro walker, não são todos os episódios. Até porque, se fosse, eu não estaria cá assistindo à série. Mas concordem comigo, o excesso deste tipo de episódios, em toda santa temporada, às vezes cansa… Certeza que, quando alguém diz que largou TWD, a justificativa que a pessoa dá é “não acontecia nada naquela série” e, provavelmente, essa opinião é por conta destes episódios “vazios e parados” no meio da temporada.

 

Os problemas param por aí? Ainda não…

Se não bastasse este problema das “barrigas” que alguns episódios de The Walking Dead apresentam, existe um fato ainda mais chato: as histórias que são introduzidas na série para preencherem tais episódios. Muitas vezes os produtores tem recorrido ao recurso do “mistério” sobre o destino de alguns personagens. Tudo começou lá com a Sofia, lembram? Tá, aquilo até que valeu a pena esperar, uma vez que o seu destino acabou sendo fatídico e relevante para a história. No entanto, outros simplesmente foram como tiro no escuro, apenas para brincarem com o espectador (ou vulgo, fazê-los de idiota) para depois revelar que não foi bem assim… Tá de brincation with me, né?

 

 

Você não se sentiu um tolo enganado quando revelaram que Glenn não estava morto? Vai me dizer que não? Talvez o pior de tudo nem tenha sido o fato dele estar vivo, afinal adoro o Glenn, mas sim como a série ficou brincando com essa questão durante três ou quatro episódios, fazendo todo final de episódio você pensar “tá vivo”, “tá morto”, “tá vivo”… Para quê?

 

Calma, nem tudo está perdido!

Você, fã fervoroso de The Walking Dead, que provavelmente discorda destes argumentos, deve estar pensando “cara, para quê você assiste essa série, então?”, e eu provavelmente te responderia, “para poder falar mal”… Não, brincadeira! The Walking Dead tem, sim, suas qualidades e, uma delas, é que possui excelentes personagens a serem explorados. É interessante notarmos a evolução de certos nomes como o de Carl, Carol e até mesmo o de Rick.

 

 

Além disso, a série também sabe criar cenas de suspense como nenhuma outra. Alguns ataques de zumbis são realmente de nos deixar em pânico (lembra quando o Daryl ficou preso dentro do carro cheio de zumbis lá fora? A chegada dos zumbis na fazenda, ou o ataque do Governador à prisão).

Fora que, após a calmaria, vem a tempestade. A reta final, seja da fall season ou da mid season, sempre engrena e apresenta episódios bem chamativos, que culminam sempre em season finales épicas!

 

Gosto e acompanho The Walking Dead, mas meu ponto com este texto é justamente ressaltar que este problema das barrigas que a série apresenta durante suas temporadas é grave e seria justo ser corrigido. Uma solução seria diminuir os episódios por temporada – 13, ou até mesmo 10, seriam números excelentes para contarem a história diretamente, sem qualquer enrolação.

Outra solução seria deixar de explorar histórias sem graças, paradas, ou brincarem com mistérios que não adicionarão nada a trama e gastarem mais tempo explorando problemas e conflitos que faça a série evoluir. A dica está dada.

Você quer apostar que semana que vem teremos um episódio mais paradinho? É o círculo da vida em The Walking Dead.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

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