Preço da fama? Elenco mirim de Stranger Things sofre com assédio e sexualização

Imagem: Interview Magazine/The New York Times/Divulgação
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Stranger Things é um fenômeno indiscutível.

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A série, exibida pela Netflix desde 2016, voltou a dominar a internet após a estreia da segunda temporada, lançada no final de outubro pela plataforma de streaming. Afinal, cerca de 16 milhões de pessoas – apenas nos Estados Unidos – assistiram os novos episódios no primeiro fim de semana após o lançamento. Com tamanho sucesso, é natural que o elenco da série receba muita atenção da indústria do entretenimento, da imprensa e, principalmente, dos fãs. Mas parece que parte dessa atenção tem afetado negativamente o elenco mirim da série, formado por crianças com idades entre 11 e 15 anos.

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Millie Bobby Brown, que interpreta Eleven (Onze, em português) e Finn Wolfhard, que vive Mike, viraram notícia nas últimas semanas ao viverem situações envolvendo assédio de fãs, adultização e sexualização. Na série, os dois personagens vivem a experiência do primeiro amor. Isso foi suficiente para a criação da hashtag “#Mileven”, palavra que combina o nome dos dois personagens para destacar a relação. Mas alguns fãs parecem ter dificuldade de separar a ficção da realidade e insistem em criar situações onde Millie e Finn estariam juntos na vida real. Lembrando que os dois são apenas crianças. O ator já demonstrou publicamente não gostar da “brincadeira”.

A aparência de Millie, hoje com apenas 13 anos, na festa de lançamento da nova temporada da série gerou inúmeros comentários na internet e levantou a discussão sobre a “adultização” da garota. O termo “adultização” refere-se ao fim da infância de forma antecipada. Nas imagens, Millie aparece usando um vestido de couro preto acima dos joelhos, cabelos alisados e maquiagem, algo que contrastou com as fotos feitas no evento do ano passado, onde a atriz aparece com cabelos curtos, tiara, vestido de cor clara, tênis e quase sem maquiagem e uma aparência bem mais infantil. A discussão ganhou força após o nome da atriz mirim ser listado em uma matéria de uma revista de moda como um dos motivos que “fazem a televisão estar mais sexy do que nunca”, ao lado de nomes de artistas adultos como Nicole Kidman e James Franco. A intérprete da misteriosa Eleven também vem estrelando inúmeras campanhas publicitárias e estampando capas de revistas de moda e comportamento ao redor do mundo, o que aquece ainda mais o debate.

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Imagem: Reprodução/Variety/ABC

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Não é de hoje que esse processo de “sexualização” de atrizes menores de idade acontece. Emma Watson, a Hermione dos filmes de Harry Potter, e Mara Wilson, a pequena Matilda do clássico da Sessão da Tarde, também sofreram a pressão de se tornarem mulheres antes do tempo diante da mídia e do público.

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Mara Wilson, que tinha 9 anos quando gravou “Matilda”, usou seu twitter para defender Millie Bobby Brown e ressaltar o quão prejudicial é um adulto sexualizar meninas adolescentes. “Não é bom ter homens estranhos comentando sobre seu corpo quando você tem 13 anos, seja de forma ‘positiva’ ou ‘negativa’.”, disse.

A abordagem do tema de forma crítica se faz necessária quando em uma rápida análise dos comentários das fotos postadas por Millie Bobby Brown em suas redes sociais, é possível encontrar comentários inapropriados de homens adultos chamando-a de “gostosa” e “sexy”. Um desses comentários, em uma foto onde Millie aparece ao lado do colega Noah Schnapp, o Will, foi feito por um homem de 25 anos, que disse: “13 anos e totalmente por dentro da moda. Você é uma jovem mulher muito bonita. Eu amo mulheres do signo de Aquário”.

Já o ator Finn Wolfhard, de 14 anos, foi alvo de críticas na internet após ser acusado de mal-educado por não parar para falar com alguns fãs que o esperavam na frente de um hotel. O incidente fez que vários artistas se manifestassem em defesa do garoto. A atriz Shannon Purser, a Barb da série, tuitou que “nenhum ator tem a obrigação de parar para ninguém” e que “Finn é um ser humano incrível, mas como todo ser humano precisa de um tempo às vezes”.

Imagem: The New York Times

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Quem também saiu em defesa de Finn foi Sophie Turner, a Sansa em Game of Thrones, que disse “Que droga ver adultos esperando as crianças de Stranger Things em seu hotel e depois se tornando abusadores porque não pararam para cumprimentá-los…”. Em outro tweet ela ressalta “Não importa se eles são atores, eles são crianças primeiro. Deem a eles o espaço que eles precisam para crescer sem se sentir como se devessem algo”.

https://twitter.com/SophieT/status/927652819083153410

https://twitter.com/SophieT/status/927653919773294604

O próprio ator se manifestou sobre o ocorrido e pediu aos “fãs de verdade” que parassem de assediá-lo e assediar seus amigos (parece que um fã conseguiu o número de um amigo de Wolfhard e o assediou para poder conhecer o ator). “Ei, pessoal! Eu não quero excluir ninguém dessa legião de fãs, mas se você for um de verdade, você não vai assediar meus amigos ou colegas de trabalho“, publicou.

https://twitter.com/FinnSkata/status/928406893986422784

Por que ainda tenho de tuitar isso, eu não sei. Qualquer pessoa que se diz ‘fã’ e vai atrás de alguém por atuar e fazer o seu trabalho é ridículo. Pense antes de escrever“, completou.

https://twitter.com/FinnSkata/status/928408960993968128

Esse não foi o único problema causado por “fãs” que Finn enfrentou esse ano. No início de 2017, após sua participação no filme It – A Coisa, surgiram comentários insinuando que ele estaria se relacionando com seu colega de trabalho, também de 14 anos, Jack Grazer.

Seria esse o “preço da fama” que muitos costumam dizer existir? Ou algumas pessoas estão realmente ignorando os limites entre ficção e realidade e a diferença entre uma criança e um adulto? Vale a reflexão, pois estamos falando de crianças com personalidades em formação e toda essa pressão pode ter efeitos sérios em suas vidas.