Primeiras impressões: The Good Place

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A NBC apostou em algo diferente e acertou. A princípio, ao menos, The Good Place é um acerto. Do terceiro capítulo em diante, contudo, só o tempo nos dirá: seria este um sucesso ou um fracasso do canal. Isso porque percebe-se claramente na NBC e em vários outros canais um ânsia em inovar ou seguir caminhos modernos que têm dado certo. Um formato que tem agradado ultimamente é o adotado pela CW em suas comédias. Ao invés de sitcoms de vinte minutos, com direito a plateia e saco de risadas, o canal tem investido em séries de humor com uma hora de duração por episódio e que não precisam fazer rir a todo instantes.

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Livrando-se das amarras da “graça a qualquer custo”, os produtores e roteiristas puderam criar projetos diferenciados como Jane the Virgin e Crazy Ex-Girlfriend, que brincam com gêneros e formatos (as novelas para Jane e os musicais para Crazy). Em resumo: o pessoal percebeu que a abordagem das velhas sitcoms (como The Big Bang Theory) estava perdendo fôlego. O lance agora é filmar comédias como se filmam dramas, com liberdade estética e narrativa. Assim, The Good Place é mais um passo interessante para a NBC, um canal aberto tradicional. Vale apontar, entretanto, uma curiosidade: depois do capítulo de estreia da série com Kristen Bell, o canal lançou o piloto de Kevin Can Wait, uma sitcom rigorosamente tradicional.

The Good Place acompanha Eleanor, interpretada por Bell, que morre e vai para o Good Place. Não chame de céu, pois não isso. E também não chame o Bad Place de inferno, pois também não é exatamente isso. O “lugar bom” é para onde vão as melhores pessoas. Existem um sistema que calcula cada boa e má ação das pessoas, dos mínimos até os grandes atos, tudo é contabilizado. Se a pessoa tem saldo positivo, ela vai pro lugar bacana; se for negativo, ela vai para o ruim, que é um pesadelo ininterrupto. O problema é que Eleanor bate as botas e vai para a parte boa da morte, sendo apresentada às suas memórias e à nova casa, baseada em seus gostos e pensamentos.

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O problema é que nenhuma das lembranças é dela e a residência é completamente diferente de sua personalidade. Logo, ela percebe que ocorreu algum equívoco no sistema de pontuação e ela foi parar no lugar errado. Mas ela não quer sair de lá, e decide fazer valer sua estadia tentando se transformar em uma pessoa boa, algo que nunca foi em vida. No transcorrer do piloto e do segundo capítulo, exibidos em sequência, os roteiristas apresentam uma leva considerável de boas ideias. Alguns conceitos são interessantíssimos e inventivos. Por exemplo: ninguém pode falar palavrão no good place; assim, quando alguém fala um palavrão, o termo é substituído automaticamente por um parecido. Assim, cada vez que a protagonista desbocada fala shit, ouvimos shirt e fuck vira fork. Podemos considerar isso como um pequeno aceno à rede aberta, rigorosíssima com o linguajar de seus programas.

E as ideias bacanas continuam: o good place é realmente um lugar interessante, cheio de invencionices, permitindo várias sacadas geniais. O sujeito responsável pela comunidade onde Eleanor vai morar logo afirma que nenhuma religião acertou, de fato, o que acontece após a morte. Nenhuma delas conseguiu chegar perto do conceito de paraíso. Segundo ele, cada religião acertou cerca de 5% do todo. Menos um jovem que, há décadas, chapou-se de maconha e, num monólogo filosófico de pura brisa, conjecturou sobre a “vida após a morte”. O sujeito descreveu o good place com 92% de fidelidade, fazendo com que ele se tornasse figura respeitável no paraíso como a única pessoa viva que acertou o que acontece no além.

O que garante o saldo positivo da estreia, além das sacadas espertas, é a atuação de Kristen Bell. Desinibida e dedicada ao papel, a atriz se joga e leva o texto com muito bom humor. Bell não força a barra, e é capaz de levar o programa inteiro sozinha. Resta saber, contudo, se os roteiros acompanharão o talento de Kristen; comédias são complicadas, principalmente com conceitos tão específicos. Caso não se renove com frequência, o show pode cansar a audiência, já que até o paraíso pode incomodar com sua alegria e cores constantes.