Produtores comentam finale e o que esperar do ano 2 de Westworld

A primeira temporada de Westworld chegou ao fim no último domingo (04) com uma Season Finale explosiva, que sanou grandes dúvidas, mas levantou ainda mais perguntas. Para comentar o episódio e sinalizar o que podemos esperar para o segundo ano da série, o Entertainment Weekly entrevistou os showrunners Jonathan Nolan e Lisa Joy. Confiram:

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EW: Minha impressão quando entrevistei Anthony Hopkins foi que ele estava garantido por apenas uma temporada. Entretanto, muitos dos nossos leitores pensam que ele estará de volta. Vocês podem responder se ele voltará? 

Jonathan Nolan: Nós tivemos muita sorte em ter uma temporada maravilhosa com Anthony Hopkins. Nós amamos ter trabalhado com ele. Quanto ao show, onde ele vai, os personagens – nós já estabelecemos que estamos jogando num território muito avançado de morte e ressurreição em relação a todos os outros projetos que já participei. Então eu diria: não tire conclusões.

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Você pode dizer alguém que definitivamente retornará na próxima temporada?

Nolan: Novamente, nessa série nós gostamos muito de surpreender as pessoas. E nós gostamos de brincar com eles. Nós estabelecemos um show que pode ir e voltar no tempo….assim como determinamos que os apresentadores não conseguem distinguir memória de realidade. Há sempre uma oportunidade para revisitar alguns desses personagens.

A algum tempo atrás nós tivemos um mini-debate durante nossa entrevista sobre caso os telespectadores entenderiam a localização do parque até o final da temporada. Jonathan, você pensou que nós saberíamos; Lisa, você disse, não, nós não entenderíamos. Nós tivemos aquela grande dica de Maeve saindo para a “terra principal”, palavra usada no contexto que se refere à ilha. Além disso – e isso é um pouco embaraçoso em admitir – mas eu percebi nesta manhã que há uma ilha grega chamada de Delos, apesar de ser pequena demais para conter uma terra do tamanho de um parque. Será que nós devemos apenas assumir que o parque está numa ilha num certo ponto, na luz daquilo que vocês nos contaram?

Nolan: O segredo é nunca descordar da Lisa. Ela sempre está certa.

Joy: Eu acredito que parte da diversão é descobrir onde estamos tentando ir…será divertido.

Nolan: Nós não queremos criar um universo ao redor desse tema, porque nós temos personagens igualmente interessantes, ou ainda mais do que isso. Porém, eu penso que a regra que nós criamos desde o começo – mesmo que seja frustrante para os telespectadores ou não; tomara que não – é que vocês sabem aquilo que o apresentador sabe. Nossa visão de mundo é limitada se comparada com a deles. Eles não sabem ainda onde estão. Nós tentamos mostrar isso na finale, mas não parece justo que a audiência saiba e eles não.

Falando em experimentar, eu amei a pequena visita no mundo Samurai. Ou talvez seja o mundo Shogun ou o mundo Sensei? Vocês pode nos dar alguma ideia do outro parque? Nós também recebemos a dica do “Parque 1” sendo escrito no recado à Maeve sobre a localização da sua filha. 

Joy: Nós realmente estamos experimentando outros mundos. Quantos mundos são e qual a natureza deles é algo que nós vamos explorar mais na segunda temporada. Porém eu realmente acredito que foi divertido filmar aquelas cenas do samurai.

Nolan: Foi incrível. Algo que nós somos constantemente perguntados é – “Existe algum mundo Romano ou Medieval?” Nós poderíamos responder “não” porque nós queremos dar uma direção levemente diferente. Esse mundo samurai-shogun, para nós, tem uma relação muito específica com o Western. Alguns dos meus filmes preferidos são as adaptaçãoes do Sergio Leone dos filmes de samurai do Akira Kurosawa: Os Sete Samurais e Sete Homens e um Destino. No período quando Western era o maior gênero do mundo, o jogo entre Westerns e os filmes de samurai no mercado doméstico do Japão eram bem legais. Esses dois gêneros têm uma relação de quase incesto entre si, então nós não pudemos resistir.

É realmente “samurai” ou “shogun” nos termos de serventia do “S”?

Nolan: São ideias muito boas.

O Dr. Ford também não comandava o mundo “SW”?

Nolan: Uma das coisas que nós estabelecemos em Westworld é o proto-park. É o primeiro parque. Os outros parques, você deve imaginar, são extensões. No universo da Disney, você começa com um estacionamento em Anaheim, Califórnia, e em seguida você cresce. Você pode imaginar, sim, Ford tem uma ideia muito boa de tudo aquilo que ele está vendo.

Eu tenho que perguntar sobre o “esquecimento” de Elsie (Shannon Woodward), que pelo site Delos, da HBO, ainda está viva, e Stubbs (Luke Hemsworth). Parece que não nenhuma justificava dela estar fora da história, ou que você chegou num canto e não sabia o que fazer nos últimos episódios. E com Stubbs, eu estive pensando que pode ter liderado o exército no finale ao invés de ter o time completo de atores que nós não sabemos. Foi uma decisão curiosa e eu não pude dizer se foi uma decisão criativa, ou outro motivo, deles não estarem por perto. 

Nolan: Olha…nós adoramos trabalhar com Luke e Shannon.

Joy: Haviam incarnações iniciais onde nós juntaríamos esses arcos na finale. Eu não estou dizendo como – estou apenas reiterando que nós juntamos tudo.

Nolan: Eu não diria “juntar tudo”. Eu diria que colocamos eles num futuro incerto.

Joy: Nós elucidamos o destino deles mais explicitamente, mas nós já sabemos onde eles estão e onde chegarão.

Nolan: Nós amamos muito ambos os atores. Nós também, como vocês sabem, não tivemos a intenção de criar grandes mistérios infinitos. Nós queremos contar grandes histórias. Porém nós não temos a intenção de responder todas as perguntas.

A alguma coisa que os fãs perderam na finale – nos termos de um ponto ou uma pequena referência que ninguém está comentando?

Nolan: Uma das coisas mais gratificantes de fazer esse show é que os telespectadores estão em perfeita sintonia com o rumo da história. Alguns membros da audiência ficam frustrados em alguns momentos. A maioria está compreendendo tudo o que estamos tratando – no Reddit em particular – estão pescando todos os detalhes e criando teorias lindas, muitas que estão conectadas com o show. As pessoas estão captando tudo o que estamos tentando atingir.

Joy: Eu não leio comentários, então não sei o que estão dizendo.

Vocês estariam dispostos a dar alguma ideia da segunda temporada neste ponto?

Nolan: Não [risos].

Joy: Eu estou tentando pensar!!

Nolan: Nós falamos sobre a ideia de que a primeira temporada seria dos apresentadores expandindo o entendimento da situação que eles estão. Ainda há muita coisa boa a ser explorada.

Joy: Eu penso que parte daquilo que nós assistimos foi dos apresentadores tentando entender a realidade da sua situação deles e quem eles são. Escutar a suas próprias vozes. É isso onde chegamos até o final da temporada. Agora aquilo que nós ganhamos em explorar essas situações é vê-los escutando suas próprias vozes e percebendo quem realmente são, qual outra escolha que eles têm? É sobre como que a identidade constantemente evolve. Eles foram criados na violência. Esses momentos intensos evoluíram para um grande ato de violência ao final da temporada. E eu penso que nós veremos como que o pêndulo se moverá daqui para frente.

Nessa primeira temporada, existiram muitos mistérios intrínsecos cuidadosamente colocados para levar a uma série de explicações e revelações ao final. Agora que esse grupo de personagens e a história do parque foram explicadas, vocês podem adiantar que o segundo ano terá menos mistérios nos termos no número de questões que vocês levantam e depois têm que explicar no caminho? Ou será um quebra cabeça parecido com esse primeiro ano? 

Nolan: O quebra-cabeça nunca foi um foco pra gente. Nós tínhamos uma oportunidade única aqui com esses protagonistas-apresentadores cuja situação é única. Eles não envelhecem da nossa maneira. Eles não são tão equipados para entender a distinção entre as memórias de um presente tenso. A série não sobre as pessoas , é sobre as criaturas cuja maneira de entender o mundo ao seu redor é diferente do nosso. E isso sugere uma forma de narrativa que, esperançosamente de uma maneira gostosa, permitiu que nossa audiência se encontre mergulhada no nosso universo. Assim como todas as temporadas que seguem em frente, os telespectadores têm mais conexão com nossos apresentadores e a maneira na qual eles entendem o mundo. Nós pegamos esse mecanismo – que na primeira temporada causou muitas dores e traições a Dolores – para mostrar que ela combinou com a pessoa que trazia para ela um pouco de esperança contra seu pior inimigo e com toda a emoção envolvida nisso tudo. Então nós pegaremos um personagem que pode explorar seu passado e futuro com o nível de compreensão de uma narrativa que funciona. Não com um olhar voltado ao quebra cabeça, mas com uma visão para a audiência. Não é para todo mundo, mas é esse tipo de coisa que eu e a Lisa adoramos. Nós continuamos a querer que a ambição cresce ainda mais nas formas de narrativa.

 

A segunda temporada de Westworld será filmada apenas na segunda metade de 2017 com previsão de estreia no primeiro semestre de 2018. E você o que achou do ano de estreia do novo hit da HBO?

Fonte: Entertainment Weekly

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